Há menos de uma semana, no comício de encerramento da Festa do Avante o secretário-geral do PCP tinha prometido apresentar brevemente um candidato comunista para as eleições presidenciais e este sábado, depois da reunião do Comité Central do partido, Jerónimo de Sousa anunciou aos microfones: João Ferreira é o candidato dos comunistas à eleição de 2021.

Jerónimo de Sousa diz que é “uma candidatura para ir até ao fim” e que este é um candidato para ir “para o terreno sentir o país”. A candidatura do eurodeputado será apresentada na quinta-feira, segundo o secretário-geral do PCP. Sem revelar como decorreu a reunião do Comité Central, Jerónimo de Sousa afirmou ainda que o nome de João Ferreira foi “aprovado por unanimidade” e que além dos comunistas, o eurodeputado contará “com muitos democratas, compatriotas que sofrem as consequências desta política de direta”.

O PCP considera que as próximas eleições para Presidente da República se “revestem da maior importância pelo enquadramento nacional e internacional em que decorrem e pelas funções e papel do Presidente da República na vida nacional” e para tal, candidata João Ferreira naquilo que diz ser uma proposta com “valores de abril, defesa dos valores e do povo e a afirmação da igualdade e justiça sociais, soberania e independência nacionais”.

E os comunistas deixam críticas abertas a Marcelo Rebelo de Sousa (depois das trocas de palavras mais recentes entre o Presidente da República e o PCP a propósito da realização da Festa do Avante): consideram que falta uma intervenção “firme, determinada, corajosa” e, mais uma vez, apontam a tentativa de “branqueamento” de Marcelo Rebelo de Sousa ao PSD.

O mandato do atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para lá do seu ativismo, é marcado pelo seu empenhamento no processo de rearrumação de forças políticas posto em marcha, para branquear o PSD, a política de direita e as suas responsabilidades, reabilitá-los politicamente e reconduzi-lo para um papel de cooperação intensa com o PS, que procura assegurar as condições para a chamada política de ‘bloco central'”, afirmou Jerónimo de Sousa durante a apresentação do candidato.

O PCP apresenta um candidato nas mesmas condições que o Bloco de Esquerda: dois eurodeputados na corrida às presidenciais, embora Marisa Matias, pelo BE, já esteja a repetir a candidatura e João Ferreira faça a estreia nas campanhas para a presidência.

Jerónimo de Sousa frisou ainda que esta será uma “candidatura e um candidato que estará agora onde sempre esteve e onde faltaram os Presidentes da República: junto dos trabalhadores e do povo, nas suas lutas pelos seus legítimos direitos, interesses e aspirações”.

O eurodeputado, João Ferreira sucede a Edgar Silva, que em 2016 conseguiu apenas 3,85% dos votos. Foram 183.009 os portugueses a votar no candidato que o PCP apresentou às eleições. O Padre Edgar acabou por ter um resultado muito inferior às aspirações comunistas, que com Francisco Lopes em 2011 tinham ficado além dos 7% (7,14%) e com Jerónimo de Sousa em 2006 acima dos 8,5% (8,56%).

Padre Edgar Silva é candidato presidencial do PCP

O melhor resultado continua a ser, ainda assim, o de Carlos Carvalhas em 1991 que conquistou mais de 660 mil portugueses e alcançou 12,92% dos votos na vitória histórica de Mário Soares, com cerca de 71% dos votos e que já chegou a ser colocada como ‘meta’ para Marcelo Rebelo de Sousa na corrida do próximo ano.