Os doentes gastam, em média, quase cinco horas e meia e mais de 14 euros por cada ida ao hospital para levantar medicação, indica um estudo divulgado esta quinta-feira.

O Índice de Saúde Sustentável, desenvolvido anualmente pela NOVA Information Management School (NOVA-IMS), analisou este ano pela primeira vez a dinâmica da dispensa de medicamentos em farmácia hospitalar e concluiu que os doentes gastam cerca de 185 milhões de euros por ano para levantar medicamentos em farmácia hospitalar (36milhões de euros em deslocações e 149milhões de euros representam o valor económico do tempo despendido).

De acordo com o estudo, cerca de 89,8% dos inquiridos tomaram medicamentos no último ano. Desses 66,5% fazem terapêutica regular. Dos doentes que fazem terapêutica regular, 6,4% dependem de medicamentos de dispensa exclusiva em farmácia hospitalar.

“A maioria dos doentes que depende de medicamentos de dispensa hospitalar (85,7%) levanta os medicamentos no mesmo hospital onde tem consultas, 14,3% levantam num outro hospital”, refere o estudo, que indica que, em média, os doentes fazem mais de sete deslocações ao hospital por ano para levantamento dos medicamentos. Para cada uma dessas idas ao hospital, o doente gasta, em média, 14,30 euros e cinco horas e 27 minutos (quatro horas e 10 minutos em deslocações e uma hora e 17 minutos em tempo de espera no hospital).

Os hospitais, por seu lado, gastam 14 milhões de euros por ano com a dispensa dos medicamentos em farmácia hospitalar (valor económico do tempo despendido por parte do hospital considerando apenas a entrega de medicamentos e 30 minutos por entrega). No total, contabilizando os custos de utentes e hospitais, a dispensa de medicamentos em farmácia hospitalar representa um custo anual de 199 milhões de euros.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador do estudo, Pedro Simões Coelho, diz que o valor do tempo que os doentes demoram para levantar medicamentos nos hospitais (deslocações e tempo de espera na unidade hospitalar) foi o que mais o surpreendeu. “Muitas pessoas vivem em localidades muito longe do hospital onde têm de fazer o levantamento. Por outro lado estas pessoas muitas vezes têm fragilidades (…) e houve vários casos de pessoas que dizem que para fazer o levantamento do medicamento no hospital vão de véspera”, afirmou, lembrando que algumas das experiências feitas na pandemia, como a entrega destes medicamentos ao doente em casa ou através da farmácia de comunidade, permitem flexibilizar as atividades e retirar os doentes do hospital quando tal não é necessário e devem manter-se. “Se há alguma de bom ficar da pandemia é esta aprendizagem para podermos tornar o sistema mais flexível”, acrescentou.