Depois de a candidata presidencial Ana Gomes ter anunciado que Paulo Pedroso iria integrar a estrutura organizativa da sua campanha, a líder parlamentar socialista saiu em defesa do ex-ministro, que foi constituído arguido no processo Casa Pia mas não foi pronunciado em julgado. “O Paulo Pedroso tem todo o direito de ser o que quiser. É um homem livre, sem qualquer culpa que lhe pese ou que lhe possa ser imputada”, escreveu no Facebook.

Sublinhando que resolveu tomar uma posição pública sobre o assunto para que o seu silêncio não fosse entendido como “um silêncio cúmplice” de uma “injustiça”, Ana Catarina Mendes, que foi casada com Paulo Pedroso, afirma que o ex-ministro e agora ex-militante socialista, embora tenha sido visado pela justiça, foi “pela mesma justiça absolutamente inocentado de uma acusação monstruosa”.

Vou expressar publicamente uma posição que é para mim um imperativo porque o meu silêncio seria cúmplice com mais uma…

Posted by Ana Catarina Mendes on Thursday, September 24, 2020

“Vou expressar publicamente uma posição que é para mim um imperativo porque o meu silêncio seria cúmplice com mais uma injustiça que, neste processo, tanta dor causou e causa ao próprio e aos mais próximos”, começou por escrever condenado, “de forma muito veemente, a calúnia, muitas vezes escondida no anonimato confortável e sujo das redes sociais”.

No rescaldo do anúncio de Ana Gomes sobre a participação de Paulo Pedroso na sua campanha, André Ventura, que tinha intitulado a ex-eurodeputada socialista de “candidata cigana”, disse, em declarações ao jornal i, que iria mudar a alcunha para “candidata Casa Pia, com tudo o que isso acarreta”.

Ana Catarina Mendes ainda não tomou uma posição sobre quem vai apoiar nas eleições presidenciais, até porque o PS ainda não debateu o assunto nos órgãos próprios, pelo que sublinha que a saída em defesa do presumível diretor de campanha de Ana Gomes nada tem a ver com o apoio que dará ou não àquela candidatura. “Terei tempo para tomar posição sobre as próximas eleições presidenciais”, disse.

Tal como Ana Gomes já tinha feito quando anunciou o apoio de Paulo Pedroso à sua candidatura, Ana Catarina Mendes reforça que a justiça portuguesa que acusou o ex-ministro do Trabalho foi condenada pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem “pela forma como acusou e tratou alguém que ficou para sempre com uma marca que não merecia”.

“O Paulo Pedroso tem todo o direito de ser o que quiser. É um homem livre, sem qualquer culpa que lhe pese ou que lhe possa ser imputada. O respeito pelo Estado de Direito exige que não se condene na rua aquilo que não foi condenado na justiça”, diz, reforçando que se o ex-militante socialista decidiu voltar a participar ativamente na vida política “não há direito” que voltem as calúnias e as difamações que reinaram nos últimos 17 anos.

E repete a ideia: “Paulo Pedroso foi vítima de uma acusação ignóbil que a própria justiça assim considerou”.

Paulo Pedroso foi ministro do Trabalho e da Solidariedade do Governo liderado por António Guterres. Foi acusado no processo Casa Pia por abuso sexual de menores, motivo pelo qual foi constituído arguido. Durante a fase de inquérito, foi detido em plena Assembleia da República e suspendeu o cargo de deputado. Em 2006, na fase instrutória do processo, o Tribunal de Instrução Criminal considerou que não havia fundamento para ser levado a julgamento.

Ganhou depois um processo no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, que condenou o Estado português a indemnizar Paulo Pedroso no valor de 68.555 euros. Antes das últimas legislativas, em janeiro de 2020, Paulo Pedroso anunciou ter deixado de ser militante do PS.