O presidente da Câmara de Gaia criticou esta quarta-feira a atuação das entidades desconcentradas do Estado, acusando-as de responder “com grande dificuldade” a casos como o do lar de Coimbrões, que tem seis utentes e seis funcionários infetados com Covid-19.

“Sentimos às vezes um pequeno vazio no intervalo que deveria ser ocupado pelas entidades desconcentradas do poder central e esse vazio está a verificar-se neste preciso momento, nesse caso concreto”, afirmou Eduardo Vítor Rodrigues, em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião preparatória, no Porto, para a cimeira das áreas metropolitanas do país.

Fonte oficial indicou esta quarta-feira à Lusa que o lar privado Qualitavida, na freguesia de Coimbrões, em Vila Nova de Gaia, tem seis utentes e seis funcionários infetados com o novo coronavírus, num foco que resultou em mais quatro casos positivos na comunidade, indicou esta quarta-feira fonte oficial.

Segundo a fonte da autoridade regional de saúde do Norte, todos os doentes estão estáveis e “estão a ser acompanhados pelas autoridades de saúde”.

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A Lusa tentou também obter esclarecimentos de responsáveis pelo lar, mas sem êxito.

Eduardo Vítor Rodrigues salientou que em 59 lares de idosos existentes no concelho, apenas um teve problemas, situação que se repetiu no ensino, onde, num universo de 32 mil alunos, apenas três escolas, num total de quatro turmas, foram afetadas.

O autarca, que agradeceu o trabalho “extraordinário” das estruturas locais e municipais, lamentou que este trabalho seja acompanhado “muitas vezes, de forma lacunar, pelas estruturas desconcentradas do poder central, onde se nota uma grande dificuldade quer em termos de decisão quer em termos de meios disponíveis, provocada por “uma tentação que foi existindo ao longo dos anos de depauperar os centros distritais em nome de eventuais politicas ditas nacionais”.

“Nós sentimos é que somos capazes, numa lógica metropolitana, de responder muito melhor a situações concretas do que a estrutura mais central da Segurança Social que, admito, esteja, por um lado, algo debilitada do ponto de vista de recursos humanos e financeiros e, por outro lado, está suficientemente distante para não chegar rápido aos problemas”, defendeu, salientando que se não fosse o trabalho “extraordinário” dos municípios o país estaria numa situação “bem pior”.

Em abril, num comunicado onde anunciou que ia testar 1.700 utentes e 850 profissionais de 59 lares do concelho, o município explicava que decidiu avançar sozinho para o rastreio de idosos e profissionais por “cansado de esperar pelo ACES [Agrupamento de Centros de Saúde] Gaia Norte.

A decisão do município surgiu depois de se ter disposto a pagar integralmente os testes naqueles equipamentos, mas não ter obtido resposta, em tempo útil, do ACES Gaia Norte para os concretizar.

À data, citado no comunicado, o presidente Eduardo Vítor Rodrigues esclarecia que “o agendamento de testes dependia, formalmente, do agendamento dos ACESS e da ARS (Administração Regional de Saúde)”, registando que ao fim de uma semana existe “um número considerável [de testes feitos] no ACES Gaia Sul e nada no ACES Gaia Norte”.

Na altura, a Lusa tentou, sem sucesso, ouvir a ARS-N sobre a situação de Vila Nova de Gaia.

Em Portugal, morreram 2.040 pessoas dos 81.256 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.