O projeto português Flaw4life, de aproveitamento da “fruta feia”, recebeu esta quarta-feira o prémio LIFE para o Ambiente da União Europeia (UE), sendo também o mais popular entre o público.

O projeto, salienta a representação da Comissão Europeia em Portugal, em comunicado, reduziu até agora o desperdício alimentar em mais de 2.300 toneladas, um valor comparável à quantidade anual de alimentos desperdiçados por 13.000 pessoas.

Os prémios LIFE de 2020 foram esta quarta-feira entregues no decorrer da “Semana Verde da UE”, que decorreu exclusivamente online devido à pandemia de Covid-19 e que começou em Lisboa na segunda-feira e continua agora a partir de Bruxelas.

O programa LIFE da UE para o ambiente e ação climática distinguiu três categorias, a do Ambiente, para Portugal, a da Natureza, que premiou um projeto da Eslovénia, e da Ação Climática, para um projeto da Hungria.

Na Eslovénia foi premiada a equipa que geriu e monitorizou as populações de urso pardo nos Alpes, que permitiu uma redução de 43% dos ataques a ovinos e de um quarto do número de ursos afetados pelo tráfico.

E o prémio LIFE para a Ação Climática distinguiu uma equipa que formou professores, assistentes sociais, agricultores e peritos em prevenção de incêndios florestais sobre as formas de reforçar a prevenção de incêndios florestais. O número de incêndios florestais diminuiu um terço e a área ardida quase 90%.

“Todas estas iniciativas mostram que, com um investimento cuidadoso e muito trabalho, a Europa está preparada para enfrentar os enormes desafios climáticos com que nos deparamos“, disse, citado no comunicado, Frans Timmermans, vice-presidente executivo do Pacto Ecológico Europeu.

E o comissário europeu do Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevicius, citado no mesmo documento, diz que estas “histórias de sucesso individuais têm de ser reproduzidas em toda a UE – em velocidade e em escala – a fim de ajudar a UE a cumprir os ambiciosos objetivos do seu Pacto Ecológico Europeu”.

Os prémios LIFE reconhecem os projetos mais inovadores, inspiradores e eficazes nos domínios da proteção da natureza, do ambiente e da ação climática. Os vencedores foram selecionados entre 15 finalistas.

A UE atribuiu ainda um “prémio especial de adaptação à Covid-19” ao projeto “PrepAIR”, de Itália, que monitorizou e melhorou a qualidade do ar para 23 milhões de pessoas no Vale do Pó (entre os Alpes e os Apeninos), e ajudou outro projeto italiano a investigar a ligação entre a poluição atmosférica e a propagação da covid-19.

O programa LIFE é o instrumento de financiamento da UE para o ambiente e a ação climática. Desde 1992 já cofinanciou cerca de 5.400 projetos em toda a UE e em países terceiros. O orçamento para 2014-2020 foi fixado em 3,4 mil milhões de euros, e para o próximo orçamento (2021-2027) a Comissão propõe aumentar o financiamento em quase 60%.

Os responsáveis do projeto português de “fruta feia” explicam na sua página que na Europa cerca de 30% das frutas e legumes é desperdiçado devido à aparência. Na origem do projeto está o facto de os consumidores ao irem ao supermercado escolherem a fruta mais bonita, e como os supermercados não vendem a fruta feia deixaram de a comprar aos agricultores, pelo que 30% da fruta ia para o lixo devido à cor, tamanho e formato.

A cooperativa de consumo “Fruta Feia” compra diretamente aos agricultores os produtos rejeitados pelos supermercados e vende-os aos consumidores em pontos de entrega. Em cada semana cada ponto de entrega com 300 consumidores salva mais de uma tonelada de frutas e legumes.