O governo espanhol deverá acionar em breve o estado de emergência na sequência do aumento de novos casos no país. De acordo com a imprensa espanhola, a decisão já estará tomada, faltando apenas a sua formalização. O anúncio deverá ser feito já este domingo, no final do conselho de ministros extraordinário convocado por Pedro Sánchez. O El Mundo adianta que o estado de emergência não foi ainda decretado porque o primeiro-ministro se encontra em Roma, onde será recebido pelo Papa Francisco, desde sexta-feira.

Esta decisão surge depois de, na sexta-feira, várias comunidades autónomas terem pedido ao Executivo espanhol para declarar com o terceiro estado mais grave no país. Além da cidade de Melilla, o apelo foi feito também pelo País Basco, pelas Astúrias, Extremadura, La Rioja, Catalunha, Navarra, Comunidade Valenciana e Castilla La Mancha. Com a declaração do estado de emergência, estas e outras comunidades vão poder impor as medidas restritivas que considerem necessárias sem que elas tenham de ser aprovadas em tribunal.

Também o ministro da Saúde, Salvador Illa, parece ser favorável à medida, sobretudo para que possa ser imposto um recolher obrigatório em todo o país, à semelhança do que outros estados europeus, como França, Itália e Bélgica, têm vindo a fazer, refere o El País. Illa tinha-se mostrado favorável a aguardar mais uns dias para que fosse possível chegar a um consenso unânime de todas as comunidades autónomas e garantir o apoio parlamentar do PP, que já se mostrou contra a medida, para as prorrogações, mas a pressão exercida pelas comunidades acabou por ditar o contrário.

Covid-19. Espanha e o dilema político do estado de alarme

Apesar de ser quase certo que o estado de emergência será declarado este domingo, este era um cenário que o governo espanhol queria evitar, tendo em conta as “consequências que acarreta para a vida social e o impacto económico”. Foi isso mesmo que Sánchez deu a entender numa comunicação feita ao país esta sexta-feira — na altura, o primeiro-ministro afirmou que “o governo de Espanha não tem nenhum interesse em impor mais limitações do que as que sejam imprescindíveis para evitar a propagação do vírus” e que quer evitar um novo confinamento.

Frisando que as medidas adotadas no futuro devem causar “o menor dano possível à economia e a menor restrição possível das liberdades”, Sánchez pediu a colaboração de todos: é necessário atuar “com determinação, com a máxima disciplina social e com a necessária e imprescindível unidade”, apelou o líder do governo espanhol, mostrando-se otimista de que Espanha irá superar a pandemia do novo coronavírus.