Entram membros mais novos do que estavam, mas o Comité Central é mais velho do que há quatro anos. Há mais mulheres, mas não está lá a que lidera a maior inter-sindical (Isabel Camarinha, líder da CGTP). Ficam históricos (a começar pelo líder Jerónimo de Sousa), mas saem outros septuagenários com peso no partido, incluindo um antigo secretário-geral. Está confirmado: Carlos Carvalhas, Arménio Carlos e Agostinho Lopes, antigo deputado do PCP, não fazem parte da lista que os delegados que os comunistas vão discutir no XXI Congresso do partido, no pavilhão Paz e Amizade em Loures.

Na lista divulgada esta quinta-feira pelo jornal oficial do PCP, o Avante, há 19 novos nomes, 10 mulheres e 9 homens. Mas o sinal mais relevante é mesmo a saída de alguns históricos comunistas.  A sessão reservada — e fechada à comunicação social até pode trazer alterações. Mas não é essa a tradição. Segundo explicam fontes comunistas ao Observador a sessão é fechada exatamente porque “há debates muito encalorados”. Aos olhos do PCP, não faz sentido que os delegados discutam a composição do futuro Comité Central, nome a nome, em praça pública. Mas é comum haver mudanças na lista sugerida? Nem por isso, dizem ao Observador. Não significa que não aconteçam, mas a probabilidade é baixa.

Não é, ainda assim, fácil antecipar como se vão comportar os delegados comunistas, avessos a fugas de informação. É o “coletivo” que decide e, depois de o coletivo decidir, não costuma existir grandes manifestações públicas de estados de alma.

Caso a lista apresentada ao Congresso não venha a sofrer alterações, sairão Agostinho Lopes, Carlos Carvalhas e Arménio Carlos. Em 2016 saíram nomes pesados da história comunista como Albano Nunes, Manuel Gusmão ou Manuela Bernardino. Quatro anos antes, em 2012, deixaram o comité central Domingos Abrantes e Odete Santos.

Jerónimo, o veterano

Em entrevista à agência Lusa o secretário-geral do PCP admitia que o próximo Comité Central seria mais pequeno, rejuvenescido, com a manutenção dos critérios de “origem social” e com um reforço do número de mulheres. Todos estes “requisitos” se verificam à exceção da questão do “rejuvenescimento”. De facto, a média de idades da lista para o Comité Central — 49 anos — é mais alta e mantém a tendência de crescimento.

Em 2012, a média de idades do comité central era de 46 anos. Há quatro anos, em 2016, era de 48. Este ano, no entanto, é de 49 anos. Nem a saída dos históricos comunistas ajudou a cumprir com o objetivo de rejuvenescer o órgão máximo do PCP entre congressos.

Acima dos 70 anos o Comité Central deixa de contar com Agostinho Lopes e Carlos Carvalhas (os únicos eleitos na lista anterior já com mais de 70 anos) e integra agora Diamantino Dias (de 70 anos), Jerónimo de Sousa (de 73) e a ex-eurodeputada Ilda Figueiredo (atualmente com 72 anos).

O comité central também fica mais curto. Para os 34 lugares que ficaram vagos entram apenas 19 novos dirigentes comunistas. Terá por isso menos 15 dirigentes.

As mulheres terão mais representatividade, ainda que entrem nove mulheres e 10 homens. Uma vez que saem 24 homens e 10 mulheres, o próximo Comité Central terá um ligeiro aumento na representatividade de mulheres (28% mulheres, 72% homens) do que teve a lista aprovada no Congresso de 2016 (26% mulheres, 74% homens).

Carlos Carvalhas deixa o Comité Central do PCP onde já estava desde 1976, eleito naquele que foi o primeiro Congresso realizado pelo partido na legalidade. O Comité Central eleito no VIII Congresso era constituído por 54 membros efetivos e 36 suplentes.

Três anos mais tarde, o deputado Agostinho Lopes era também ele eleito para integrar o Comité Central. Corria o ano de 1979 e o IX Congresso dos comunistas realizado na Quimigal, no Barreiro, contou com a presença de 1.642 pessoas que validaram a nova composição do órgão do partido.

Arménio Carlos, que foi substituído na frente da CGTP este ano por Isabel Camarinha, integrou pela primeira vez o Comité Central em 1998 e também está de saída, 22 anos depois.