O vencedor das eleições presidenciais norte-americanas, Joe Biden, pretende retomar o acordo nuclear com Irão antes mesmo de novas negociações, assumiu esta quarta-feira o democrata numa declaração a Thomas Friedman, colunista do New York Times.

Biden afirmou já tinha escrito durante a campanha eleitoral, num texto publicado pela CNN, que se as autoridades iranianas voltassem a “respeitar estritamente” os limites impostos pelo texto internacional de 2015 ao seu programa nuclear, os EUA, por sua vez, voltariam ao acordo como “ponto de partida” para novas negociações, e dizia-se disposto a cumprir apesar da “pressão máxima” de Donald Trump contra concessões ao país.

“Será difícil, mas sim. A melhor forma de alcançar alguma estabilidade na região” é lidar com “o programa nuclear” de Teerão, disse Biden esta quarta-feira ao ser questionado por Thomas Friedman sobre se essa ainda é a sua posição.

Em 2018, Trump abandonou o acordo alcançado com o Irão pelos Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha, França e Reino Unido para impedir o país do Médio Oriente de adquirir armas nucleares, considerando-o insuficiente para conter o comportamento “desestabilizador” daquela República islâmica.

Nessa altura, o presidente retomou e endureceu as sanções que tinham sido levantadas em 2015, para desgosto dos aliados europeus, que tentavam salvar o acordo, e Teerão começou a ignorar algumas restrições às suas atividades nucleares.

Só depois de Washington e Teerão retomarem o acordo, em consulta com os nossos aliados e parceiros, nos iremos envolver em negociações e acordos de acompanhamento para endurecer e estender as restrições nucleares impostas ao Irão e para lidar com o programa de mísseis iraniano”, explicou Joe Biden.

As novas negociações, nas quais Biden pretende envolver também os rivais regionais do Irão, como a Arábia Saudita, também deverão incluir as atividades no país no Médio Oriente.