Depois de ter sido apresentado o plano que prevê vacinar contra a Covid-19 quase um milhão de pessoas a partir de janeiro, o aviso do primeiro-ministro: “O túnel é bastante comprido e bastante penoso”. É que, apesar de Portugal ter adquirido 22 milhões de doses de vacinas, elas “não chegam todas automaticamente no primeiro dia”. “Vão chegando gradualmente ao longo de todo o ano de 2021.”

É por isso que devem ser definidos os critérios de prioridades, como foram esta quinta-feira, e que, para António Costa, são “claros” e “transparentes”: “Em primeiro lugar, proteger quem nos pode proteger: profissionais de saúde, aqueles que trabalham nos lares, forças de segurança e forças armadas”. Depois, as “populações mais vulneráveis”. O primeiro-ministro reforçou que vacinação vai ser “universal, facultativa, gratuita e distribuída a toda a população” e disse que “existem boas razões para estarmos confiantes neste processo”.

Costa considerou ainda assim que “vai ser mais fácil a operação nas primeiras semanas, com poucas doses e menos pessoas a vacinar” e que “vai ser pior quando houver mais doses e o universo a vacinar for também alargado”.

Vacinação feita pelo SNS em 1200 locais. Doentes com mais de 50 anos, lares e profissionais de saúde são os prioritários

Num tom mais pessimista, o governante avisou que “é necessário saber que toda esta operação é sujeita a um conjunto de imponderabilidades bastante significativo”. “Primeiro, a montante de Portugal, porque não depende de nós a produção industrial nem o licenciamento das vacinas”, explicou, adiantando que é preciso, por estas razões, “flexibilidade para readaptar o calendário”.

Estas crises só serão vencidas no dia em que tivermos atingido o grau de imunização coletiva que nos permita dar a pandemia por ultrapassada”, afirmou.

O primeiro ministro terminou a sua intervenção dizendo que “é bom saber que há uma luz, mas temos um longuíssimo túnel a percorrer”. E que “a vista leva algum tempo a habituar-se à claridade, que as feridas deixam cicatrizes e que haverá várias dores a tratar”. Ainda assim, terminou com uma mensagem de confiança: “Estamos hoje num ponto melhor do que na semana passada e do que há seis meses”. 

Ministrada Saúde: “Hoje é um dia importante”

A ministra da Saúde foi quem fez o discurso de abertura de apresentação do plano. E começou por dizer: “Hoje é um dia importante. Portugal à semelhança daquilo que outros países tem estado a fazer nos últimos dias, tem um plano para a distribuição e administração de vacinas”. “Este é mais um passo de um trabalho que começou há muitos meses“, acrescentou.

Apesar de todas as incertezas — a fase dos ensaios em que ainda nos encontramos, os grupos etários para os quais foram realizados ensaios, mas também outros aspetos de dimensões técnicas — não nos podem inibir de planear aquilo que será um dos instrumentos para continuar a enfrentar esta doença”, disse.

A ministra garantiu que Portugal “efetivamente cumpre aquilo que, neste momento, é o primeiro cenário: vacinas a distribuir no SNS com caráter universal e gratuito” e 22 milhões de doses que serão “disponibilizadas em vários pontos” do SNS, utilizando o mais possível a cadeia do SNS, numa primeira fase. “E depois eventualmente expansível a outros pontos do sistema, com uma logística segura e registos que permitam a cada momento seguir e monitorizar o processo”, disse.

Temido reforçou que “este é um momento da máxima importância”. “Não nos podemos distrair de que a disponibilização de vacinas vai continuar a precisar de ser acompanhada, quando acontecer e com o ritmo que vier a ser implementado, durante largos meses”, acrescentou.