O presidente da associação cívica SEDES considera que Portugal deve aproveitar o contexto atual, “dado que não se está a olhar para os défices, dado que estamos a aumentar a dívida pública a nível global” e “os olhares desculpam”, para ser “mais competitivo pela via fiscal” e sublinha que “é preciso seguir os melhores”, dando como exemplo a Alemanha e países nórdicos.

Álvaro Beleza falou à Rádio Observador a propósito dos 50 anos da instituição, defendendo que o PIB português tem de duplicar nos próximos 20 anos e que Portugal relaxou desde que entrou no euro. Para o médico socialista “não podemos ter 1/3 da recuperação da Alemanha, deveríamos ter o dobro. É preciso reindustrializar o país”.

Mais do que Fundos, precisamos de indústria. Eu trocava os Fundos europeus por três fábricas da AutoEuropa, da Mercedes, da BMW e de outras marcas”.

Reiterando que é preciso apostar na indústria, Álvaro Beleza disse ser preciso apoiar as empresas e os empresários, reduzindo as burocracias e a carga fiscal. O presidente da SEDES realça que “Portugal, apesar de tudo tem atraído investimento estrangeiro e hoje tem mais investimento. Temos que seguir nessa linha. Isso é absolutamente central”.

“Portugal tem de baixar a carga fiscal. É altura de seguir os melhores”

A associação SEDES celebra esta sexta-feira o seu 50º aniversário com uma cerimónia na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, que vai contar com a participação de Marcelo Rebelo de Sousa e António Guterres.

Sob o mote “50 anos a pensar Portugal”, a cerimónia vai contar com uma mensagem do secretário-geral das Nações Unidas e associado número 268 da SEDES, António Guterres, à qual se seguirá uma intervenção da investigadora Maria Fernanda Rollo, que está a desenvolver um estudo sobre a história da associação.

As celebrações contarão ainda com uma intervenção do presidente da SEDES, numa homenagem aos associados fundadores e dois painéis intitulados “A Visão dos Associados Fundadores” e “A Visão de Marcelo Rebelo de Sousa”.

Caberá ao chefe de Estado português e membro da SEDES, Marcelo Rebelo de Sousa, encerrar a cerimónia.

Fundada a 2 de outubro de 1970, no período da ditadura conhecido por “primavera marcelista”, quando se esperava uma abertura significativa da sociedade, a SEDES é uma associação cívica que tem por missão contribuir para o desenvolvimento económico e social do país.

Após o 25 de abril de 1974, e instaurada a democracia, vários dos seus associados ingressaram na vida social e política, em diferentes partidos, a maioria dividindo-se entre o PPD/PSD e PS.

Talvez não tenha havido um único Governo, desde o 25 de Abril, que não contasse entre os seus membros com associados da SEDES”.

Entre os membros desta “escola de cidadania” encontram-se nomes como o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o secretário-geral da ONU e ex-primeiro-ministro, António Guterres, o falecido chefe do Governo Francisco Sá Carneiro, os economistas/banqueiros João Salgueiro e Rui Vilar, o ex-dirigente da UGT João Proença, ou os ex-ministros João Cravinho e José Vera Jardim.

Baseada em valores como o humanismo, o desenvolvimento sociocultural e a democracia, e resistindo à transformação em partido político, a SEDES juntou na sua fundação pensadores de vários setores da sociedade que se reviam no associativismo académico e na prática de contestação política contra o sistema.

Em 1995, na celebração dos 25 anos de existência, a SEDES foi agraciada com a Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República à data, Mário Soares.

Para 2021, a associação tem já marcado um congresso, onde serão apresentadas propostas estratégicas para as próximas décadas.