A petrolífera francesa Total começou a reduzir o número de funcionários que trabalham nos megaprojetos de gás natural em Afungi, face à evolução dos ataques próximos aos empreendimentos, disse fonte da empresa à Lusa.

“Face à evolução da situação de segurança na província de Cabo Delgado e no distrito de Palma, a Total decidiu reduzir o pessoal presente no local do projeto em Afungi. O processo de desmobilização está em curso de forma organizada e em conformidade com os protocolos estabelecidos”, lê-se numa nota da empresa.

A decisão da Total surge após grupos rebeldes que têm protagonizado ataques armados em Cabo Delgado efetuarem, pelo menos, dois ataques próximos dos megaprojetos liderados pela francesa em Afungi, distrito de Palma, no último mês. A empresa garantiu que está a tomar “todas as medidas necessárias para garantir a segurança e proteção do seu pessoal e das suas subcontratadas”, destacando que está em contacto permanente com as autoridades moçambicanas.

O ambiente operacional permanece em avaliação contínua e a Total mantém uma comunicação constante com as autoridades moçambicanas sobre o assunto”, frisou a empresa.

Na manhã desta segunda-feira, a polícia moçambicana anunciou que abateu, na sexta-feira, um suposto informador dos insurgentes no distrito de Palma, nas redondezas dos megaprojetos de gás natural em Afungi, e, na troca de tiros, um membro da corporação ficou ferido.

O projeto liderado pela francesa Total é o maior investimento privado em África, da ordem dos 20 mil milhões de euros.

A violência armada em Cabo Delgado começou há três anos e está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 560 mil deslocados, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba. Algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo jihadista Estado Islâmico desde 2019. A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral vai reunir-se este mês para debater a situação de segurança na região.