As Nações Unidas anunciaram esta terça-feira a abertura, no Sudão, de um segundo campo para refugiados da Etiópia, quando mais de 56 mil etíopes já atravessaram a fronteira sudanesa desde novembro, fugindo do conflito na região de Tigray.

Com o campo em Rakuba a aproximar-se da sua capacidade máxima total, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e os seus parceiros estão a trabalhar agora para deslocar rapidamente os que chegam aos locais de receção, na fronteira sudanesa, para o novo campo Tunaydbah, disse esta terça-feira o porta-voz do ACNUR, Andrej Mahecic, numa conferência de imprensa em Genebra.

Desde domingo, 580 refugiados foram transferidos para Tunaydbah, a cerca de 136 quilómetros da cidade de Gedaref, que tem atualmente 1.000 tendas para alojar até 5.000 pessoas. Mais tendas estão a ser montadas, à medida que a deslocalização de refugiados avançar, nos próximos dias e semanas.

Só desde o início do ano, cerca de 800 pessoas deixaram a região de Tigray, na Etiópia, e passaram para o vizinho Sudão, de acordo com o ACNUR.

No total, mais de 56.000 refugiados etíopes fugiram daquela região da Etiópia desde que o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, lançou uma operação militar, no início de novembro, contra as autoridades locais, que desafiavam o seu Governo.

Os recém-chegados falam de serem apanhados no conflito e de serem vítimas de vários grupos armados, (e) enfrentando situações perigosas como o saque de casas, o recrutamento forçado de homens e rapazes, e a violência sexual contra mulheres e raparigas”, afirmou Mahecic.

“Os refugiados chegam com pouco mais do que as roupas no corpo, e cansados, após por vezes vários dias de viagem”, acrescentou.

O ACNUR estima que mais de 30% destes refugiados têm menos de 18 anos e 5% têm mais de 60 anos. No final de 2020, a agência da ONU tinha recebido 40 milhões de dólares (32,6 milhões de euros) de ajuda para financiar a resposta à crise regional, uma receita que apenas permitirá fazer face a 37% das suas necessidades.