O Governo, representado por uma secretária de Estado que insistiu na tese dos lapsos; dois socráticos e eurodeputados socialistas a defenderem a independência do Conselho Superior do Ministério Público; e três dos cinco maiores partidos do Parlamento Europeu a censurarem com palavras duras a forma com o Executivo de António Costa escolheu o procurador José Guerra como o representante português da Procuradoria Europeia — eis uma descrição sumária do debate do final de tarde desta quarta-feira que ocorreu no Parlamento Europeu (PE).

Pelo meio, o vice-presidente que liderava a mesa foi obrigado a tirar a palavra à eurodeputada Isabel dos Santos por ter excedido o seu tempo para falar. Durante alguns segundos, uma batalha verbal em língua alemã e portuguesa ecoou pelo plenário.

A sessão parlamentar suscitada pelos liberais do Renew Europa, com o apoio do Partido Popular Europeu (PPE), tinha um título elucidativo (“falta de transparência nas nomeações do Conselho [da União Europeia] para a Procuradoria Europeia”) e dos 12 eurodeputados inscritos, oito teceram fortes críticas ao processo decidido pelo Conselho. Tudo porque Portugal, Bélgica e Bulgária não respeitaram a escolha dos candidatos selecionados por um comité independente formado por juízes conselheiros e professores de Direito e impuseram os seus nomes ao órgão político da UE.

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