Marcelo Rebelo de Sousa é contra um desconfinamento por regiões, como propôs o líder da oposição Rui Rio. O Presidente da República, sabe o Observador, defende que este modelo seria um “problema” porque não foi defendido pelos especialistas — que, aliás, tão cedo não vão apresentar um plano — e pouco útil porque a expectativa é que a pandemia termine “no fim do verão, mais tardar início de outono“. Ou seja: que não demore tanto tempo que justifique um desconfinamento por regiões. Além disso, lembra a mesma fonte da Presidência ao Observador, já foi testado um modelo com o mesmo princípio — com medidas restritivas diferentes entre municípios — e não foi propriamente eficaz a travar um avanço da pandemia.

Apesar de discordar de Rui Rio nesta proposta, o Presidente da República está descansado quanto a um consenso entre PS e PSD na renovação dos estados de emergência (publicamente e em sede parlamentar), uma vez que o presidente do PSD lhe transmitiu que concorda que não é possível desconfinar agora. A proposta de Rio, que na perspetiva de Belém é adepto de experimentar soluções novas, seria para um desconfinamento daqui a umas semanas e não para aplicar no imediato. Desta forma, Marcelo tem o consenso que precisa para o objetivo mais imediato: defender o confinamento até à Páscoa. Já o plano de desconfinamento, é outra batalha.

Rio aumenta pressão. Marcelo não abdica de Páscoa confinada

Depois de uma semana de alguma tensão, com Belém a exigir um plano ao Governo dentro e fora de portas, Marcelo Rebelo de Sousa reuniu-se na quarta-feira com o primeiro-ministro (a reunião das quintas-feiras foi antecipada um dia) e ambos puseram água na fervura. O Presidente não deixou de defender — na audiência com os partidos, como já tinha feito na comunicação ao país há duas semanas — que queria um plano de desconfinamento quanto antes para dar previsibilidade e esperança aos portugueses. À porta fechada, mostrou até desagrado e desconforto com a ausência de planeamento.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

No entanto, o chefe de Estado já percebeu que — por muito que pressione — o plano não vai chegar nas próximas duas semanas. A expectativa de Belém é que os especialistas só comecem a apresentar o plano de desconfinamento na reunião do Infarmed daqui a 15 dias, na semana que começa a 8 de março, ou até 15 dias depois disso, na semana que começa a 22 de março.

O Presidente fala esta quinta-feira às 20h00 ao país e a dúvida é se irá insistir na pressão sobre o executivo para divulgar publicamente o plano ou se, simplesmente, irá render-se à ideia e ao argumento do Governo de que ainda não há consenso científico e de que discutir o plano publicamente iria fazer aumentar a mobilidade dos cidadãos. Uma coisa é certa: mesmo que continue a pedir o plano e achar que seria vantajoso do ponto de vista da motivação dos portugueses para enfrentarem o que falta do confinamento, Marcelo não o espera antes da segunda semana de março e admite até que possa chegar perto do fim do mês, mesmo antes do desconfinamento. “Ainda demora tempo”, é a ideia que existe do lado de Belém.

Haver um plano só na segunda semana de março é, aliás, algo que vai de encontro com a posição do Governo, como noticiou o Observador ao final da noite de terça-feira.

Marcelo pressiona, mas Governo só apresenta plano de desconfinamento daqui a 15 dias