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Por um princípio de precaução, os peritos reunidos esta quarta-feira no Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) decidiram deixar em espera a decisão sobre se a vacina da Johnson & Johnson deve ou não voltar a ser administrada nos Estados Unidos, depois de na terça-feira CDC e FDA (o organismo que regula medicamentos e alimentos) terem aconselhado uma pausa.

Casos de coágulos após vacinação. Estados Unidos suspendem vacina e Johnson & Johnson adia entrega na Europa

Em causa estão seis casos de coágulos cerebrais raros registados em seis mulheres, todas com menos de 50 anos, que receberam a vacina da Johnson & Johnson — num universo de 7,2 milhões de doses que já foram distribuídas nos Estados Unidos. Enquanto não for apurada mais informação sobre os episódios e enquanto os peritos não voltarem a reunir, o que não acontecerá em menos de uma semana, o fármaco vai manter-se suspenso.

Apesar de alguns especialistas se terem manifestado contra o prolongamento da suspensão, como Nirav Shah, diretor do CDC do Maine, que argumentou que a interrupção vai fazer com que “os indivíduos mais vulneráveis nos Estados Unidos se mantenham vulneráveis” — Shah não tem voto no painel, salientou a Reuters, que citou a intervenção —; outros chegaram a defender, à partida, um mês de interregno, o que também foi recusado.

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“Não quero passar a mensagem de que há algo de fundamentalmente errado com esta vacina, não concordo com isso”, disse Beth Bell, especialista em saúde global da Universidade de Washington. “São eventos muito raros, nada está isento de riscos”, recordou a especialista perante os pares.

No fim, ganhou o meio-termo e a decisão foi adiada durante uma semana: “Se tivermos informação mais robusta, vamos poder falar de forma mais confiante sobre a segurança desta vacina”, disse aos outros membros do painel do CDC Lynn Batha, epidemiologista do Departamento de Saúde do estado do Minnesota”.

Como explicou mais tarde à rádio pública americana Anne Schuchat, a directora-adjunta principal do CDC, a pausa, que à partida será de uma semana, não vai colocar em risco as metas de vacinação assumidas pelos Estados Unidos. “Temos a sorte de ter à nossa disposição quantidades razoáveis de vacinas da Pfizer e da Moderna para que muitas pessoas possam ser vacinadas enquanto trabalhamos rapidamente nos dados adicionais sobre a vacina da Johnson & Johnson.”