Este Verão, os arredores de Munique, próximo do aeroporto, servirão de campo de teste para desenvolver os primeiros protótipos autónomos baseados no futuro ID.Buzz, cuja versão definitiva deverá ser revelada no próximo ano. A intenção é dotar o “Pão de Forma” eléctrico com tecnologia capaz de assegurar o nível 4 de condução autónoma, isto é, o estágio imediatamente antes daquele que dispensa por completo a intervenção do condutor. Depois desta fase experimental em pista fechada, a estreia perante o público do ID.Buzz, denominado Buzz AD nesta versão com “Autonomous Driving”, vai ter lugar depois do Verão, servindo de shuttle para os visitantes do ITS World Congress, que Hamburgo vai acolher entre 11 e 15 de Outubro.

Tal como aconteceu com os primeiros ensaios realizados na Pensilvânia, em seis diferentes cidades dos Estados Unidos da América, a Volkswagen apoia-se na tecnologia da Argo AI, companhia especializada em inteligência artificial à qual o conglomerado alemão acedeu através do acordo firmado com a Ford, no início de 2019. Recorde-se que o entendimento então anunciado permite à marca da oval azul construir 600 mil veículos eléctricos no horizonte de seis anos, a partir de 2023, assente na plataforma MEB da Volkswagen, enquanto a futura geração da pick-up Amarok usufrui da base da Ford Ranger. E ambas, conforme então foi comunicado, passaram a deter a maioria do capital da Argo, em igualdade de participação, tendo em vista explorar as soluções encontradas pela empresa sedeada em Pittsburgh, sobretudo nos veículos comerciais.

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Segundo as últimas revelações da Volkswagen Veículos Comerciais, numa conferência de imprensa online, essa estratégia não só se mantém como está definido que o Buzz vai ser o primeiro ID. a usufruir de condução autónoma de nível 4, o que significa que ainda estará equipado com pedais e volante mas, à partida, o condutor poderá remeter-se ao papel de supervisionar apenas a forma como a tecnologia o conduz, sem requisitar a sua intervenção, graças ao software da Argo AI, que já vai na 5ª geração. “Em termos generalizados, a condução autónoma de nível 4 é aquela em que o carro terá total autonomia. Porém, o condutor deve estar habilitado para conduzir, podendo assumir a condução em partes específicas do traçado, se necessário”, realça a marca.

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É suposto que este cenário seja uma realidade já em 2025, ano em que a MOIA – subsidiária do Grupo Volkswagen cuja actividade se concentra na área da mobilidade e gestão de frotas e que, em pouquíssimo tempo, conseguiu criar “o maior serviço europeu de transporte partilhado de pessoas, utilizando viaturas totalmente eléctricas” – será a primeira a colocar ao seu serviço a versão autónoma do ID.Buzz.

“O nosso objectivo com a versão autónoma do ID.Buzz é facilitar a implantação comercial de serviços de transporte e entrega a partir de 2025”, destacou o chefe da Divisão Autónoma da Volkswagen Veículos Comerciais, Christian Senger – o homem que a VW foi buscar à BMW para ser o responsável máximo pelo software e que, em Julho de 2020, depois dos atrasos e das falhas que marcaram o lançamento do VW ID.3, foi substituído por Alexander Hitzinger.

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Em algumas cidades, os clientes poderão ter um veículo autónomo para levá-los ao seu destino. A entrega de mercadorias também será muito mais fácil utilizando o nosso serviço de condução autónoma”, acrescentou Christian Senger.

Hamburgo vai ser a primeira cidade a disponibilizar um serviço autónomo de transporte partilhado com o ID.Buzz e a cidade alemã não foi escolhida ao acaso, pois a MOIA é aí o maior fornecedor na área do ride-sharing, empregando 1200 pessoas. A condução autónoma é vista como o passo seguinte para fazer crescer o negócio e os veículos comerciais ligeiros são encarados “logicamente” como “a primeira categoria” de viaturas que deve usufruir desta tecnologia para fazer deslocar pessoas e bens.

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Além dos investimentos em Argo AI, onde só numa fase inicial o Grupo VW injectou 1000 milhões de dólares (além de ter oferecido à tecnológica norte-americana a divisão de condução autónoma do Grupo Alemão, avaliada em 1,6 mil milhões de euros), o conglomerado germânico está a canalizar somas igualmente avultadas para projectos da Car.Software Organisation, destinados a desenvolver – em paralelo com a Argo – sistemas de ajudas à condução e respectiva automatização até ao nível 4, para as diferentes marcas do grupo alemão.