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A Polícia de Segurança Pública (PSP) está preocupada com o fenómeno das armas de fogo fabricadas em impressoras 3D, escreve esta segunda-feira o Jornal de Notícias, salientando que as autoridades portuguesas classificam o assunto como uma “ameaça emergente” e que o tema foi alvo de discussões num seminário organizado pela PSP no mês passado com a participação da Europol.

Segundo explica o JN, é possível construir uma arma de fogo letal com muito poucos custos, recorrendo a uma impressora 3D (que já é se pode comprar na maioria das lojas de tecnologia) e a ficheiros que partilhados na internet por grupos que defendem o acesso ilimitado e não-controlado ao armamento.

Apesar de esta já ser uma preocupação antiga associada ao surgimento das impressoras 3D, ganhou novos contornos no início deste ano, quando o grupo radical digital “Deterrence Dispensed” publicou online os ficheiros com os planos detalhados para produzir numa impressora 3D uma pistola semiautomática, batizada com o nome FGC-9 (sigla para Fuck Gun Control 9 mm). Além de poderem ser feitas por qualquer pessoa com conhecimentos suficientes, estas armas não têm número de série nem são registadas, pelo que é impossível para as autoridades seguirem-lhes o rasto.

Em abril deste ano, a pretexto da Presidência Portuguesa do Conselho da UE, a PSP organizou um seminário policial em Lisboa com a presença de representantes da Europol — e o problema das armas impressas em 3D foi um dos temas centrais. No seminário, foram dados exemplos de como estas armas já estão a ser usadas: três FCG-9 foram apreendidas este ano na Finlândia e uma arma com peças impressas em 3D já foi usada no atentado contra uma sinagoga alemã em outubro de 2019, que fez dois mortos. Em Espanha, as autoridades desmantelaram em janeiro deste ano uma “oficina” ilegal onde um neonazi de 55 anos produzia armas em duas impressoras 3D.

A Europol adiantou que atualmente custa entre mil e 3 mil euros produzir uma arma daquelas. “É uma nova ameaça”, disse ao JN o diretor do departamento de armas e explosivos da PSP. “A disseminação de modelos de impressão e programas na Internet tornou possível imprimir uma arma em casa, e isto vai-nos dar muitas dores de cabeça.” Em Portugal ainda não foi detetada nenhuma arma, mas a PSP está vigilante.

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