“Sucesso esmagador”, é assim que os investigadores que analisaram o resultado de estudos de larga escala feitos na Islândia com semanas de trabalho de quatro dias, em vez dos habituais cinco com dois dias de descanso. “Há uma evidência revolucionária da eficácia de redução no horário de trabalho”, afirmam os investigadores citados pelo The Washington Post.

Alguns dos casos os resultados apontam para um maior bem-estar dos trabalhadores, desde os níveis de stress reduzidos até um maior equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, com a redução do tempo de trabalho na semana e sem afetar a produtividade nos respetivos postos de trabalho.

As experiências — que envolveram mais de 1% da população ativa do país — tiveram lugar ao longo de vários anos, antes da chegada da pandemia da Covid-19 ao mundo, entre 2015 e 2019, em resposta às reivindicações dos sindicatos e da sociedade que pediam semanas de trabalho mais curtas. Das 40 horas semanais, os trabalhadores envolvidos nos testes passaram para 35 ou 36 horas, sem ver os respetivos salários diminuir.

Semana de trabalho passa a ser de quatro dias para quem trabalha na Unilever na Nova Zelândia

“Este estudo mostra que o maior teste a nível mundial com uma semana de trabalho mais curta no setor público foi, em todos os aspetos, um sucesso esmagador”, afirmou Will Stronge o diretor de pesquisa no Autonomy.

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Ainda assim, há quem mantenha a cautela na avaliação dos resultados do estudo. John Pencavel, professor emérito da Universidade de Stanford, com trabalho publicado na área da análise da relação de produtividade com horas trabalhadas, diz ao Washington Post que não é possível avaliar as conclusões do estudo islandês e que a pesquisa mostra que os funcionários veem diminuir o retorno num certo ponto, quando as horas aumentam e a performance diminui, uma vez que “não tiveram dias de descanso suficientes”.

Para já, o estudo está a ajudar os sindicatos islandeses a começar a negociação da redução da semana de trabalho para a população ativa. Escreve a Euronews que 86% da população ativa islandesa já conseguiu contratos com horários de trabalho reduzido ou o compromisso que tal aconteça no futuro.

Espanha vai usar Fundo de Recuperação para testar semana de quatro dias de trabalho

Além da Islândia e de algumas experiências pontuais, como o caso da Unilever na Nova Zelândia, também a Espanha irá dar início a um projeto-piloto de três anos para testar a redução dos dias de trabalho semanais.

Para o projeto Espanha contará com 50 milhões de euros do Fundo de Recuperação da União Europeia, para compensações a 200 empresas de média dimensão.

No primeiro ano os empregadores terão ajuda a 100% do estado espanhol para os custos extra com o projeto, que será reduzida a metade no segundo ano e a 25% no último ano do teste.