O embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, defendeu esta segunda-feira a assinatura de um acordo bilateral com o Brasil para que os cidadãos vacinados contra a Covid-19 no país sul-americano tenham menos restrições para entrar em Portugal, durante a pandemia.

“Era muito importante que conseguíssemos negociar com o Brasil um acordo recíproco para certificados de vacinas. Era o que nós deveríamos fazer” disse Ramos à Lusa.

“Como cada vez a vacina avança mais, era muito interessante que os governos português e brasileiro pudessem negociar um reconhecimento recíproco de certificados de vacinação. Isto é, o Governo brasileiro reconheceria o certificado dos vacinados em Portugal e o Governo português reconheceria o certificado dos vacinados no Brasil, mas isto não esta ainda feito”, explicou.

Faro Ramos disse “que tem havido conversas entre os responsáveis dos dois países. É só o que eu posso dizer, aconteceram conversas.”

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Atualmente os portugueses e luso-brasileiros que se vacinam no Brasil com vacinas que não são aplicadas na União Europeia não têm acesso ao certificado de vacinação em Portugal.

O embaixador admitiu que, se “esse reconhecimento [de certificados de vacina] avançasse, este problema [das vacinas aplicadas no Brasil] estaria resolvido” porque o reconhecimento recíproco pode ser feito bilateralmente, numa negociação entre Brasil e Portugal.

Isto não só é possível como é desejável porque nós temos que avançar e reconhecer a importância das nossas comunidades, a nossa comunidade portuguesa aqui e a brasileira em Portugal”, destacou o embaixador.

As restrições aos turistas brasileiros no país continuam, mas aqueles que têm nacionalidade portuguesa, visto de residência ou estudantes podem entrar em Portugal, mediante a apresentação de teste negativo para detetar a Covid-19 realizado 72 horas antes do voo. Estes grupos também precisam fazer quarentena de 14 dias em Portugal.

No final desta semana, o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, viaja ao Brasil para participar da reinauguração do Museu da Língua portuguesa, em São Paulo.

Questionado sobre o programa da visita presidencial, o embaixador português disse que ainda não há uma agenda oficial, mas confirmou que o Marcelo Rebelo estará em São Paulo e em Brasília e fez questão de recordar que, nos últimos meses, vários governantes dos dois países se têm encontrado.

“Nos últimos meses, nós temos assistido a uma intensificação muito boa de visitas e encontros institucionais”, frisou Ramos.

“A dinâmica da relação de Portugal com o Brasil neste momento está muito forte”, concluiu.

O Brasil é o país da América Latina mais afetado pelo Covid-19, o segundo do mundo com mais mortes (549.924) relacionadas à doença e o terceiro com infeções (19,7 milhões), atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia.

A pandemia de Covid-19 provocou pelo menos 4.163.235 mortos em todo o mundo, entre mais de 194,1 milhões de casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo o balanço mais recente da agência France-Presse.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil e Peru.

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