Pelo menos quatro pessoas foram mortas num ataque que envolveu uma viatura armadilhada e assaltantes armados na capital afegã, próximo da residência do ministro da Defesa, general Bismillah Mohammadi, que não foi atingido durante a operação.

Duas fortes explosões, com duas horas de intervalo, abalaram Cabul, seguidas por sucessivos disparos.

Cabul abalada por segunda potente explosão seguida de ataque armado

“Terroristas fizeram detonar uma viatura com explosivos numa zona residencial de Cabul (…) Depois, diversos terroristas entraram em casas e enfrentaram as forças de segurança”, indicou o porta-voz do ministério do Interior, Mirwais Stanekzai.

O ataque “terminou e todos os assaltantes foram mortos”, precisou o porta-voz.

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De acordo com responsáveis dos serviços de segurança afegãos, citados pela agência noticiosa AFP e que requereram o anonimato, quatro pessoas foram mortas e 20 feridas no ataque.

Numa reação quase imediata, os Estados Unidos condenaram “sem ambiguidade” as explosões, ao referirem que os “atentados” têm “todas as marcas” dos ataques talibãs.

“Não estamos ainda em condições de atribuir oficialmente a responsabilidade, mas decerto que possuem todas as marcas da vaga de ataques dos talibãs que observamos nas últimas semanas”, disse em conferência de imprensa Ned Price, porta-voz da diplomacia norte-americana.

Os talibãs desencadearam há três semanas uma ampla ofensiva contra as forças afegãs, coincidente com o início da retirada das tropas dos EUA e da NATO do país asiático, e apoderaram-se de vastas zonas rurais.

No plano diplomático, o Conselho de Segurança da ONU manifestou esta terça-feira preocupação pela escalada da violência e exortou os insurgentes e o Governo de Cabul a negociar.

Através de uma declaração conjunta dos 15 Estados-membros, o Conselho de Segurança pediu às duas partes para se envolverem num “processo de paz inclusivo” que garanta “progressos urgentes na direção de uma solução política e um cessar-fogo”.

Segundo o texto, o objetivo do Afeganistão passa por um “acordo político inclusivo, justo e realista para terminar com o conflito” e onde deverá existir “uma participação substantiva das mulheres”.

Numa referência à situação atual, o órgão máximo de decisão das Nações Unidas pugnou por uma “redução imediata da violência” e exprimiu preocupação pelas informações sobre abusos de direitos humanos, condenando os ataques contra civis e funcionários da organização.