O presidente do CDS-PP espera que a posição da Comissão Nacional de Eleições (CNE) sobre a neutralidade do Governo na campanha das autárquicas seja “suficiente para parar” com o que considerou serem “condutas indecentes”.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma arruada na Chamusca, distrito de Santarém, Francisco Rodrigues dos Santos afirmou que “a CNE agiu e chamou a atenção do senhor primeiro-ministro”.

“Eu creio que no caso de um primeiro-ministro esta chamada de atenção devia ser suficiente para parar com este tipo de condutas que são indecentes em vésperas de eleições, até para mais porque estamos a falar de um primeiro-ministro que teve seis anos para fazer aquilo que está a prometer agora e não foi capaz de o fazer”, defendeu.

Enquanto secretário-geral do PS, António Costa tem-se referido por diversas vezes às verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em iniciativas de campanha autárquica.

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Alertando que “os portugueses devem desconfiar de promessas feitas por políticos pelo menos a dois meses das eleições, sobretudo se esses políticos estiverem a governar Portugal”, Francisco Rodrigues dos Santos apontou que “António Costa é primeiro-ministro há seis anos e agora está a prometer tudo a todos ao mesmo tempo, para conseguir capitalizar votos para o PS nas próximas eleições autárquicas”.

Na ótica do líder centrista, isto é “um sinal de receio da vontade popular expressa em urnas no próximo dia 26” e “uma falta de sentido de Estado por parte de um primeiro-ministro”.

“Mas os portugueses sabem algo muito importante, é que António Costa parece viver no país das maravilhas mas o problema é que os portugueses vivem no país de António Costa e sabem que a fatia de leão destes fundos vai ser atirada para a máquina do Estado”, considerou o democrata-cristão, indicando que “os empresários, as pessoas que vivem do seu trabalho, que não dependem do Estado para viver, não vão beneficiar deste PRR, à semelhança daquilo que aconteceu nos últimos seis anos com os fundos estruturais europeus”.

Por isso, defendeu que “António Costa está a acenar com um isco aos portugueses que nem sequer vai conseguir pagar-lhes depois das eleições, porque este dinheiro não vai servir para recuperar a economia nem permitir ao país respirar de alívio”.

“O primeiro-ministro em funções em vésperas de eleições faz muitas promessas, muita propaganda, mas depois não cumpre com a sua governação”, criticou, dando como exemplo a promessa de que “todos os portugueses teriam um médico de família”.

“Hoje há um milhão de portugueses sem médico de família”, lamentou, dando como exemplo o concelho da Chamusca, onde “metade da população não tem acesso”.

O semanário Expresso contactou a CNE sobre este tema, que tem dominado a campanha, e fonte oficial admitiu que esta questão se “enquadra no âmbito dos poderes de escrutínio da Comissão”, mas ressalva que este organismo só pode agir mediante a receção de queixas.

“Independentemente do sentido que viesse a ter uma decisão”, explica ao Expresso João Tiago Machado, porta-voz da CNE, este caso “poderia enquadrar-se no âmbito dos deveres de neutralidade e imparcialidade dos titulares de cargos públicos”. Ou seja, os membros do Governo devem abster-se de usar o seu cargo para beneficiar candidatos.

Questionado se apresentaria uma queixa, o presidente do CDS-PP respondeu que não gosta “da judicialização da política” e que “gostava mesmo é que este Governo saísse castigado das próximas eleições autárquicas” de 26 de setembro.

“Eu acho que nós na política devemos travar argumentos e apresentar contraditório, combate político com vigor e com energia. É isto que eu procuro aqui fazer, alertando os portugueses para esta demagogia do primeiro-ministro, que é inaceitável, e o censurem em urnas”, frisou.