Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

A uma semana da cimeira do Conselho Europeu, estalou o verniz entre alguns líderes europeus, com trocas de acusações que tiveram no centro da polémica o primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, e levaram os líderes do Conselho Europeu e do Parlamento Europeu a intervir. E tudo aconteceu em público, mais propriamente no Twitter.

Tudo começou com uma publicação do primeiro-ministro da Eslovénia, que neste momento assume a presidência rotativa da União Europeia. No âmbito de uma iniciativa do Parlamento Europeu para analisar a liberdade de imprensa em Liubliana, um grupo de eurodeputados do grupo dos Socialistas e Democratas deslocou-se à Eslovénia, mas Janez Jansa recusou reunir-se com os deputados. No Twitter, a bancada do centro-esquerda europeu fez uma publicação a dar conta da cadeira vazia do primeiro-ministro esloveno, que rapidamente respondeu com uma publicação na mesma rede social.

“Quem são vocês? Quantas vezes visitaram um chanceler alemão, um primeiro-ministro holandês ou um Presidente francês? Já agora, o último jornalista assassinado na UE foi nos Países Baixos. Na Eslovénia, essas tentativas foram executadas apenas durante um regime de vossos camaradas sociais-democratas eslovenos”, atirou Jansa, referindo-se ao antigo regime comunista e ao assassínio, em julho, em Amesterdão, do jornalista Peter R. De Vries, especializado no crime organizado.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

As palavras do primeiro-ministro esloveno caíram mal no seu homólogo holandês, que não hesitou em responder de seguida. “Tweet de mau gosto. Condeno-o nos termos mais fortes possíveis. O governo acaba de transmitir esse sentimento ao embaixador da Eslovénia em Haia”, escreveu Mark Rutte, que pouco depois já estava a receber nova resposta de Janez Jansa.

“Bem, Mark, não perca tempo com embaixadores e liberdade de imprensa na Eslovénia”, respondeu Jansa. “Proteja os seus jornalistas de serem assinados nas ruas”, atirou, ficando sem resposta do outro lado.

Mas as trocas de acusações não ficaram por aqui. Ao barulho veio também o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, isto depois do primeiro-ministro esloveno ter feito uma publicação — que entretanto apagou — a difundir teorias da conspiração sobre o húngaro George Soros.

“Apelamos a Janez Jansa que pare com as provocações contra membros do Parlamento Europeu. Os ataques aos eurodeputados são ataques aos cidadãos europeus”, escreveu Sassoli, que tal como Rutte, recebeu logo resposta do primeiro-ministro esloveno: “A Eslovénia não é uma colónia. Por favor diga aos seus deputados para não abusarem do nome do Parlamento Europeu para intrigar políticas e para acusações sem sentido contra a Eslovénia.”

Para pôr alguma água na fervura, foi necessária a intervenção do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, apelando ao respeito mútuo. “Os membros do Parlamento Europeu devem conseguir fazer o seu trabalho livres de qualquer forma de pressão. O respeito mútuo entre as instituições da União Europeia e dentro do Conselho Europeu é o único caminho a seguir”, rematou Charles Michel, que na próxima semana terá, ao que tudo indica, uma tensa cimeira para gerir.