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O dia era de jogo no Estádio do Bessa, neste caso contra o Belenenses SAD e a valer uma subida à sétima posição a par do V. Guimarães, mas a realidade do Boavista voltou a passar por questões fora das quatro linhas, nomeadamente relacionadas com possíveis salários ou prémios de assinatura em atraso. Já tinha sido tema de conversa numa sessão de esclarecimento aos sócios na sexta-feira, voltou a ser tema ao longo desta segunda-feira, continua a ser tema a motivar afirmações distintas. E sem consenso sobre o tema.

Numa primeira fase, Farshid Karimi, empresário do guarda-redes Alireza (de novo titular na baliza dos axadrezados frente ao Belenenses SAD), revelou valores em dívida com o iraniano e mais jogadores.

“O prémio de assinatura do jogador não foi pago, a minha comissão pela transferência não foi paga e os salários do jogador não têm sido pagos. Pagaram apenas um pouco, qualquer coisa à volta de um mês de ordenado, mas mesmo esse veio atrasado. Disseram-nos que iam pagar mas até agora nada. O Boavista recebe milhões de transferências e não paga. Este não é um problema apenas do Alireza, há mais jogadores assim. Rescisão? Ainda não está decidido mas se não nos pagarem, pode acontecer. Vamos esperar estes vinte dias, como é necessário pelos regulamentos, e depois decidir. Tudo é possível. Não há uma decisão tomada, vamos aguardar que o Boavista nos pague”, comentou o agente ao MaisFutebol.

Mais tarde, o jornal Novo foi mais longe e avançou com um alegado compromisso que tinha sido feito pelos jogadores boavisteiros que apontava para um cenário de possível greve caso não fossem liquidadas dívidas em atraso até esta terça-feira, fosse a nível de ordenados, fosse nos prémios individuais e coletivos.

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De seguida, mas ainda antes do pontapé inicial no jogo que iria fechar a nona jornada da Primeira Liga, o principal acionista da SAD axadrezada e o presidente do clube vieram mais uma vez desmentir as notícias, falando numa campanha que estará montada com o objetivo de perturbar o caminho do clube. Mais tarde, após o encontro, foi o avançado Tiago Morais a desmentir também o teor das notícias do dia.

“Quando foi possível fazer este casamento eu disse que era o casamento perfeito e acredito cada vez mais. Temos vindo a solidificar a entrada de Gerard Lopez no Boavista. Este Boavistão europeu vai demorar o seu tempo. As coisas têm de ser feitas com estabilidade, não podem ser instantâneas, porque o instantâneo também desaparece de forma instantânea. Vamos criar as bases para o clube vencer mais vezes. Salários em atraso? Não tem havido queixas de salários em atrasado, o que há é uma notícia que não é notícia. Sabemos qual é o objetivo e de onde vem, percebemos a intenção, que é a de desestabilizar. O Boavista cumpre com as suas obrigações. Mas isso são pequenas pedrinhas que nos colocam pela frente, mas que sabemos chutar para o lado”, comentou Vítor Murta, presidente do clube portuense.

“É um projeto com ideia de voltar a jogar as provas europeias num futuro não muito longínquo mas de maneira muito sólida. É mais interessante ter uma coisa construída desde a base, muito fundamentada e sólida, não para dois, três ou quatro anos, mas sim para muitos mais. Muita gente não sabe mas o primeiro clube que estive a ver foi o Boavista. Quando voltou a haver oportunidade, entrei. É um clube com uma história muito importante, adeptos fantásticos e um estádio fenomenal. Por acaso, adoro a cidade do Porto. Depois, pela importância no mundo futebolístico de Portugal, que tem capacidade incrível para extrair anualmente jovens talentosos”, disse Gérard Lopez, acionista maioritário da SAD axadrezada.

“Quando chegam muitos jovens, a primeira época é sempre complicada. Podiam chegar aqui 11 Messis, que, se eles têm todos 19/20 anos, é sempre um bocado difícil. Pode haver erros, mas a política tem de ser a mesma. Por exemplo, o Lille foi campeão francês com muitos jovens e outros experientes, mas isso precisa de tempo para funcionar. Investi perto de 15 milhões de euros no Boavista, se pusermos mais dez milhões se calhar vamos ter resultados nos próximos seis meses mas ninguém dá garantias de que isto vai ficar bem. O investimento tem de ser feito muito inteligentemente e é nisso que estamos a trabalhar. Os números não têm uma importância muito grande”, acrescentou o empresário hispano-luxemburguês.

Mais à noite, ou no final do dia, o Boavista, eliminado da Taça de Portugal com uma goleada em Vila do Conde frente ao Rio Ave, não foi além do empate sem golos frente ao Belenenses SAD apesar do domínio exercido na maior parte do jogo, somando assim a sexta partida sem vitórias com cinco igualdades e uma derrota (na Luz) que deixam a equipa axadrezada na oitava posição com 11 pontos em nove jornadas. Já os azuis, que estrearam o novo treinador Filipe Cândido, continuam sem ganhar no Campeonato.

“Greve? São notícias que não fazem sentido, é claramente mentira apesar de não ter de ser a mim que têm de fazer as perguntas mas a maior parte é mentira e não faz sentido falar sobre isso”, comentou no final do jogo Tiago Morais, jovem avançado que considerou o nulo frente à formação lisboeta “uma derrota”: “Temos de fazer mais, ainda por cima jogando em casa. Demos tudo mas este clube exige mais e temos de dar mais para os três pontos. Foi uma derrota porque o clube exige vitórias e temos de dar mais”.