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Rui Rio considerou, em entrevista ao Jornal de Notícias e à TSF, que não é suficiente aumentar os salários da função pública de forma global. Para o líder do PSD, é preciso “quebrar o ciclo” e pagar melhor a certas profissões qualificadas. Esse não é, no entanto, o caso dos juízes, defende. “Esses são altamente privilegiados, e este Governo ainda os privilegiou mais, relativamente aos outros”, afirmou.

Na opinião de Rui Rio, os juízes só devem ser aumentados se houver “folga para aumentar todos os outros”. Lembrando que um juiz estagiário de “vinte e tal anos” ganha mais do que um professor do ensino secundário no topo da carreira, o social-democrata classificou a situação como profundamente injusta.

“Para melhorar os salários da função pública, e é urgente melhorar os salários, principalmente os salários dos quadros, tenho de ter uma gestão de recursos diferente”, afirmou, defendendo que os serviços públicos pioraram muito nos últimos seis anos, salientando que o número de trabalhadores “aumentou brutalmente”. Para o líder do PSD, é preciso “ter os recursos humanos da função pública racionalizados”. Além disso, “se o número de funcionários públicos continuar a aumentar, nunca o Orçamento do Estado permitirá pagar salários decentes”, refere ainda.

Questionado sobre o aumento de dez euros para as pensões até 997, previsto no Orçamento do Estado, Rui Rio não se comprometeu com o acréscimo caso seja eleito primeiro-ministro. “Tenho que ver as condições económicas do momento”, disse, garantindo que terá em conta a inflação no momento de decidir o aumento das reformas.

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Em relação às pensões mais baixas, considerou que é “socialmente justo” aumentá-las “havendo possibilidade orçamental”. “Deve fazer-se. Mas não se pode fazer todos os anos, sem cuidar, em paralelo, de também garantir o poder de compra de todas as pensões”, afirmou.

Sobre as eleições no PSD, Rui Rio disse não conseguir prever qual será o resultado, mas que os militantes que não seguem os chefes locais estão do seu lado, por contraste com o adversário Paulo Rangel, que tem o aparelho partidário consigo. Se perder, garante que sai do partido, mas não dá certezas de que deixará a política, “porque na vida é muito difícil dar os 100%”.

No caso de vencer as eleições no partido mas perder as legislativas, Rio deu a entender que não abandonará logo a liderança para não criar “turbulências”. “Se for eu o líder e o resultado for mau para mim, e se eu sair por essa razão, que é mais ou menos óbvia, lá está outra vez o partido em turbulência”, afirmou, frisando, no entanto, que “o normal é sair, atenção”.