Novak Djokovic deve ser libertado imediatamente do centro de imigração onde se encontra detido há vários dias, decidiu um tribunal australiano esta segunda-feira. A revogação do visto do tenista, aos olhos do juiz Anthony Kelly, “não teve razoabilidade” e todos os seus documentos devem ser-lhe devolvidos imediatamente.

Embora ainda seja passível de recurso por parte do governo federal, esta é uma vitória para Djokovic que, assim, evita o cenário de deportação e poderá ter possibilidade de participar no torneio do Grand Slam pelo qual viajou para a Austrália originando enorme celeuma porque o tenista não está vacinado contra a Covid-19.

A vacina é obrigatória para entrar na Austrália, mas existem isenções temporárias para pessoas que tenham “uma condição médica grave”, que não podem ser vacinadas porque contraíram Covid-19 nos seis meses anteriores ou tiveram uma reação adversa ao medicamento, entre outras razões. O tenista já disse ser contra as vacinas obrigatórias – embora nunca revelou oficialmente se está vacinado – e queria usufruir de uma “isenção médica” para jogar no Open da Austrália.

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Os advogados do jogador de ténis tinham arquivado um documento de 35 páginas no tribunal no sábado, alegando que foi concedida uma isenção médica ao tenista para entrar na Austrália sem vacinação depois de, segundo os advogados, ter contraído Covid-19 em dezembro passado.

Os advogados afirmam que Djokovic teve um teste positivo para Covid-19 em 16 de dezembro de 2021 e recuperou duas semanas depois.

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Djokovic chegou ao aeroporto da cidade de Melbourne na quarta-feira à noite com uma isenção médica que lhe permitiria defender o seu título no Open da Austrália, mas os funcionários de controlo fronteiriço revogaram o seu visto quando o tenista não conseguiu justificar a autorização e detiveram-no durante várias horas.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, negou que o tenista número um do mundo Novak Djokovic fosse vítima de assédio, justificando a revogação do visto do atleta por não cumprir os requisitos impostos pela pandemia de Covid-19.

Na terça-feira o tenista revelou que lhe tinha sido concedida uma “isenção médica” para fazer a viagem. A federação australiana solicitou o sigilo médico para evitar justificar a renúncia. O anúncio provocou reações negativas por parte de alguns jogadores, que denunciaram um padrão duplo, e por parte de alguma imprensa australiana, num país onde as medidas de combate à Covid-19 foram particularmente rigorosas.

Novak Djokovic já se tinha pronunciado em abril de 2021 contra a vacinação obrigatória, que estava prevista na altura para permitir que os torneios fossem retomados.