As grandes manifestações convocadas pelos extremistas radicais nas principais cidades do Brasil para quarta-feira não aconteceram, depois de o poder judicial ter avisado que iria tomar medidas legais contra quem tentasse continuar a promover um golpe de Estado.

Na altura do encontro, a Avenida Paulista em São Paulo e a praia de Copacabana no Rio de Janeiro estavam desertas, enquanto apenas dois extremistas vieram à Esplanada dos Ministérios em Brasília, sentados no chão em frente aos milhares de veículos blindados destacados pela polícia.

O mesmo cenário foi repetido noutras capitais brasileiras: ruas vazias, sem manifestantes, uma grande presença de jornalistas e um grande destacamento de forças de segurança.

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A chamada tinha circulado desde terça-feira à noite em grupos nas redes sociais, que queriam apelar a uma “mega demonstração” para a “tomada de poder”, uma alegação que levou o poder judicial a reagir.

O Juiz do Supremo Tribunal de Federal, Alexandre de Moraes, ordenou às autoridades em todo o Brasil que impedissem o bloqueio de quaisquer estradas, autoestradas ou acesso a entidades públicas e que detivessem qualquer pessoa que tentasse qualquer uma destas ações.

O magistrado ordenou também que a rede Telegram bloqueasse canais e perfis que promovessem tais atos, uma instrução que foi cumprida pela rede social.

Noutros grupos que não tinham sido bloqueados, alguns utilizadores alertaram que o apelo a manifestações era uma “armadilha” para prender os extremistas, que se autodenominam “patriotas”.

As mensagens apelando para as manifestações circularam depois de milhares de extremistas terem levado a cabo um ataque coordenado às sedes do parlamento, do palácio presidencial do Planalto e do Supremo Tribunal no domingo.

Mais de 1.500 pessoas foram detidas pelos ataques, das quais cerca de 600 foram libertadas por “razões humanitárias”, embora continuem ligadas ao julgamento.