Há recordes para todos os gostos a ser definidos regularmente no traçado germânico do Anel Norte do Nürburgring, o mítico Nordschleife, também conhecido por “Inferno Verde”, circuito que foi considerado demasiado perigoso para ser utilizado pelos pilotos de F1. Com 20,8 km na versão actual (para estabelecimento da volta mais rápida) e com 20,6 km na versão anterior, são as 154 curvas a determinar qual é o melhor desportivo. E, entre os carros de série, onde se incluem coupés, berlinas, carrinhas ou SUV, o melhor tempo pertence ao imponente Mercedes-AMG One, com uma mecânica derivada de um F1 e que realizou em Outubro de 2022 uma volta em 6 minutos e 30,705 segundos. Porém, entre os veículos eléctricos, um novo recorde foi registado a 18 de Agosto, com o Rimac Nevera a percorrer uma volta aos 20,8 km em 7.05,298, ou 7.00,928 na versão de apenas 20,6 km.

412 km/h. Rimac é o eléctrico de série mais veloz do mundo

Esta não é a primeira vez que a batalha entre veículos eléctricos anima o Nordschleife, uma vez que ainda recentemente Tesla e Porsche se digladiaram para ver quem era mais rápido numa volta ao circuito, se o Model S Plaid ou o Taycan Turbo S. Este duelo acabou por favorecer o Plaid, que rodou em 7.25.231 (em 20,8 km), batendo o Taycan em 12 segundos. O construtor alemão regressou ao “Inferno Verde” para evitar o vexame, não com um modelo de série, mas com um Taycan Turbo S equipado com um kit de um transformador externo à Porsche (Manthey Racing), que para mais só estava à venda na Alemanha. Ainda assim, o melhor que conseguiu foi 7.33,35, oito segundos mais lento do que o Tesla.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Mas este duelo entre as duas berlinas desportivas não está no mesmo patamar do novo Rimac Nevera, hiperdesportivo com 1914 cv, bem superior aos 1020 cv do Model S Plaid e aos 761 cv (durante apenas 2,5 segundos, se accionada a função boost) do Taycan Turbo S. Por outro lado, o impressionante modelo croata, cujo fundador é também o responsável pela Bugatti – estatuto que conseguiu por troca com a tecnologia que cedeu à Porsche (e outras marcas do Grupo VW) para desenvolver modelos como o Taycan – exige um investimento de 2 milhões de euros, o que num país como o nosso implica um custo de 2.460.000€ se lhe adicionarmos o IVA, valor que nada tem a ver com os preços dos mais potentes Model S e Taycan, o primeiro a ser proposto por 134.490€ e o segundo por 205.209€.

8 fotos

O Nevera, que já tinha provado ser o carro mais rápido do mundo no ¼ de milha e o eléctrico mais veloz do momento, atacou Nürburgring com a vontade de não só bater o recorde entre os eléctricos, mas igualmente deixar atrás de si muitos superdesportivos com motores de combustão. Uma versão de série do Nevera, equipada apenas com pneus Michelin Cup2R homologados para circular na via pública (mas pouco aconselháveis em dias de chuva), percorreu uma volta (20,8 km) em 7 minutos 05,298 segundos, um registo notável que bate em 20 segundos o tempo do Tesla e em 28 segundos o melhor valor do Taycan Turbo S kitado, pois o Taycan de série ficou bem mais longe.

A Rimac anunciou, entretanto, que pretende que os seus próximos modelos sejam substancialmente menos pesados. O que se compreende, uma vez que o Nio EP9, o primeiro hiperdesportivo eléctrico a fixar um recorde no Nürburgring (6,45,900 na versão de 20,6 km, ou seja, cerca de 6.50,50 com os 20,8 km), registou menos 15 segundos do que o Nevera, apesar de não ter sido numa tentativa certificada pela organização do circuito. De recordar que o EP9 monta quatro motores que totalizam 1360 cv, mas pesa apenas 1735 kg, o que significa uma redução de massa próxima de 25%.

Para comemorar o recorde, a Rimac criou uma série especial do Nevera, com apenas 12 unidades numeradas, denominada Time Attack. E foi exactamente um destes Nevera Time Attack que o construtor levou ao Monterey Car Week, que está a decorrer na Califórnia.