Paulo Portas será um dos convidados de honra da convenção da Aliança Democrática que se realiza este domingo, no Estoril. O Observador sabe que o antigo vice-primeiro-ministro e ex-líder do CDS deverá fazer uma (rara) intervenção de fundo sobre o momento atual do país e sobre os desafios eleitorais que se colocam no horizonte. A presença de Carlos Moedas também é aguardada com muita expectativa. Em contrapartida, Pedro Passos Coelho não irá ao encontro.

Confirmadas estão também as intervenções de Cecília Meireles, José Eduardo Martins, Carlos Carreiras, José Pedro Aguiar-Branco, apontado como candidato da Aliança Democrática a presidente da Assembleia República, e Leonor Beleza, antiga ministra de Aníbal Cavaco Silva.

Entre os independentes destaque para as presenças de Pedro Strecht, que foi presidente da Comissão Independente que estuda os abusos sexuais de menores na Igreja Católica, Ana Paula Martins, antiga presidente do Santa Maria e candidata a deputada, e Alexandre Homem Cristo, especialista em Educação, colaborador do Observador e igualmente candidato a deputado pela AD.

Voltando a Portas. O antigo líder do CDS tem estado particularmente ativo no relançamento do CDS. No início de setembro, Nuno Melo já tinha conseguido juntar Paulo Portas, Manuel Monteiro e Assunção Cristas na rentrée do partido, no Largo do Caldas, em Lisboa. Desde aí, antigo vice-primeiro-ministro foi um dos mais empenhados na construção da coligação pré-eleitoral entre PSD e CDS que vai a votos nas próximas legislativas.

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No final de novembro, Portas participou no encontro à porta fechada organizado por Nuno Melo e que juntou na sede do partido figuras como Manuel Monteiro, Cecília Meireles, Assunção Cristas, Mota Soares, Telmo Correia, Diogo Feio, Nuno Magalhães, João Almeida ou Adolfo Mesquita Nunes. Terá saído dessa reunião — conduzida essencialmente por Portas — a receita para qualquer aliança com o PSD: disponíveis, mas não obcecados. Dias depois, Montenegro e Melo acabariam mesmo por fechar o acordo.

Segundo apurou o Observador, a participação de Pedro Passos Coelho não é esperada. O antigo primeiro-ministro pretende manter-se afastado e a relação com Luís Montenegro está muito longe de estar normalizada. Inicialmente, na primeira Festa do Pontal de Montenegro, Passos apareceu em público a abençoar o seu sucessor, mas, desde aí, as coisas pioraram entre os dois — o antigo primeiro-ministro não foi convidado para este evento, nem para o congresso de 25 de novembro.

Na sua última aparição pública, a 19 de dezembro, Passos cumpriu o guião que tinha definido: saiu de cena (“este tempo não me pertence”), apontou diretamente a António Costa (“apresentou a demissão por indecente e má figura”) e manifestou apoio ao PSD (sem grande foguetório). Aliás, o mais longe que o antigo primeiro-ministro se permitiu a ir foi para dizer que esperava que o PSD pudesse “estar preparado para os tempos que aí vêm” e que pudesse “ser o partido liderante nessa fase nova que se vai abrir” — Passos não quis deliberadamente fazer um elogio público ao atual presidente do PSD; fez apenas os mínimos olímpicos.

Programa Completo da Convenção da AD

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10h45 Pedro Reis, Coordenador Movimento Acreditar

11h00 Nuno Melo, Presidente do CDS-PP

11h15 Carlos Carreiras, Presidente da Câmara Municipal de Cascais

11h30 Liliana Reis, Professora Universitária

11h45 Humberto Lopes São João, Secretário Regional do Mar e Pescas (Governo Regional dos Açores)

12h00 José Eduardo Martins, Advogado

12h15 Paulo Carmona, Presidente do Fórum de Administradores e Gestores de Empresas

12h30 Catarina Castro, Analista de Mercados

12h45 Hugo Almeida Vilares, Professor Universitário

13h00 Paulo Portas, ex-Vice-primeiro-ministro

14h45 João Marques Almeida, Consultor em Riscos Políticos e Geopolíticos e Assuntos da UE

15h00 Ana Paula Martins, ex-Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos

15h15 Eduardo Oliveira e Sousa, ex-Presidente da CAP

15h30 Pedro Strecht, Médico de Psiquiatria da Infância e Adolescência

15h45 Rita Júdice, Advogada

16h00 José Pedro Aguiar-Branco, Advogado e ex-Ministro da Justiça e da Defesa

16h15 Alexandre Homem Cristo, Coordenador do Projeto LEXPLORE+LEITURA (QIPP)

16h30 Ana Gabriela Cabilhas, ex-Presidente da Federação Académica do Porto

16h45 Rui Massena, Maestro e compositor

17h00 Cecília Meireles, Advogada

17h15 Francisco José Viegas, Escritor

17h30 Carlos Moedas, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

17h45 Leonor Beleza, Presidente da Fundação Champalimaud

18h00 Luís Montenegro

Quem vai marcar presença na “Convenção por Portugal” é Carlos Moedas. O Observador sabe que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa vai estar no Estoril — tal como esteve já no congresso do PSD realizado a 25 de novembro, em Almada — precisamente para simbolizar as potencialidades eleitorais da Aliança Democrática — foi também graças a uma coligação pré-eleitoral que Moedas conseguiu derrotar Fernando Medina e pôr termo a 14 anos de governação socialista em Lisboa.

Esta é a terceira fase de afirmação da nova Aliança Democrática. Depois da formalização do acordo entre os três partidos, numa cerimónia que decorreu na Alfândega do Porto, e depois da reunião com vários economistas que serviu assumidamente para dar credibilidade às propostas da coligação, este momento servirá para tentar afirmar o projeto alternativo ao PS.

As direções dos dois partidos — Gonçalo da Câmara Pereira, do PPM, não vai discursar — estão a apostar muitas fichas na realização desta convenção. O encontro terá início às 10h30 de domingo, no Centro de Congressos do Estoril, tem inscritas mais de mil pessoas e terá várias intervenções temáticas. Luís Montenegro vai encerrar a convenção.

Passos sai de cena com presente armadilhado para Montenegro