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A resiliência na Saúde em tempos de pandemia

Enquanto vivemos a maior crise sanitária dos últimos 100 anos, os profissionais de saúde enfrentam o desafio das suas vidas. A melhor forma de os homenagear, e agradecer, é dar-lhes a palavra.

O último ano tem sido dos mais exigentes das nossas vidas. E se aquando dos primeiros ecos sobre infetados por um desconhecido vírus na longínqua China alguém dissesse que, entretanto, seriam ceifadas, até hoje, perto de três milhões de vidas em todo o mundo, poucos acreditariam.

Mas o devastador facto é que a Covid-19 se transformou num autêntico pesadelo, especialmente para os profissionais de saúde, desde médicos a enfermeiros, sem esquecer farmacêuticos e tantos outros profissionais que prestam cuidados de saúde dia após dia, que estiveram, e continuam a estar, na linha da frente de uma guerra sem tréguas.

Para homenagear essas mulheres e homens que nunca baixaram os braços, a Astellas, em parceria com a Ordem dos Médicos, apresenta “Primeira Linha – As Histórias de Quem Vive e Convive com a Pandemia Covid-19(ver caixa Relatos de coragem), um livro com testemunhos de profissionais de saúde que têm ajudado a lidar com este estranho presente, mas numa perspetiva de um compromisso futuro em que se exige uma melhor preparação e mais recursos face à indesejada ameaça de um qualquer vírus.

Relatos de coragem

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Verdadeiro exercício que reflete a pandemia, “Primeira Linha – As Histórias de Quem Vive e Convive com a Pandemia Covid-19” é um livro que dá voz a quem devemos as nossas vidas, médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde mais ou menos anónimos que lutaram, e lutam, em nome de uma causa comum: a nossa saúde. Ao todo, são 155 relatos francos, emotivos e corajosos, mas também exigentes e que realçam a noção de que todos podemos contribuir para um futuro melhor, mais saudável, protegido. O livro está disponível no site da Astellas Portugal e pode ser descarregado gratuitamente aqui.

A título de exemplo, falámos com quatro desses protagonistas que, de forma honesta e direta, confessam como a pandemia mudou as suas vidas e como é estar nas fileiras de um bravo exército cujas maiores armas são a dedicação, entrega e profissionalismo incondicionais.

Espírito de união

Os primeiros meses de 2021 foram particularmente difíceis, principalmente pelo crescimento avassalador da pandemia. André Weigert, médico nefrologista do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, recorda esses momentos como “uma sensação terrível, de uma ameaça invisível sem fuga. Mas, felizmente, graças a uma incrível capacidade de adaptação de todos os profissionais de saúde, conseguimos ‘fintar’ o vírus e parar o tsunami que se tornou a Covid-19”.

Apesar de sublinhar as dificuldades desse período, André Weigert não esquece o que se viveu na chamada primeira vaga: “uma fase de incógnita total, com enorme receio e incerteza, em que ninguém sabia como as coisas iriam evoluir, para mais com os ecos de colapso hospitalar que chegavam de Itália e Espanha, países melhor preparados do que nós em termos de estruturas de saúde na globalidade. Dadas as incertezas, fomos mesmo obrigados a interromper parcialmente a atividade de transplantação renal durante um período da primeira vaga. Contudo, tivemos o privilégio de realizar um duplo transplante cardíaco e renal no dia de Páscoa de 2020, algo que foi apontado pelo Sr. Secretário de Estado da Saúde, Dr. Lacerda Sales, como um sucesso e prova da competência do próprio SNS. Retomámos a atividade de transplantação em julho mas, no princípio de 2021, com o aumento exponencial de infeções, tivemos novamente de interromper transitoriamente a atividade de transplantação renal. Felizmente todos os doentes sob hemodiálise e diálise peritoneal foram vacinados e atualmente a atividade de transplantação está normalizada”.

Também a nível pessoal, esta pandemia tem deixado marcas profundas e exigido elevada resiliência, confessa o especialista. “Tanto eu como a minha mulher somos médicos e isso exigiu uma extraordinária capacidade de adaptação para podermos tomar conta de um filho pequeno. Trabalhávamos em espelho, alternando trabalho presencial com teletrabalho, um desafio que felizmente conseguimos superar graças a uma completa revolução de paradigma de atendimento a doentes. Em tempo recorde, conseguiram-se assegurar os cuidados a partir de casa, por chamada telefónica, telemedicina ou e-mail, evitando deslocações ao hospital e um eventual contágio”, explica o médico nefrologista, acrescentando que “outro aspeto fundamental para o sucesso do esquema de telemedicina compreensiva implementado no HSC foi a adaptação imediata dos Serviços Farmacêuticos, iniciando a entrega ao domicilio dos medicamentos imunossupressores, essenciais à preservação dos transplantes renais e cardíacos”.

“...uma das grandes lições desta pandemia é perceber o verdadeiro significado e importância de se lutar juntos em prol do nosso maior bem: o valor da vida e da saúde”
André Weigert, médico nefrologista do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental

Essa capacidade de adaptação e resistência é muito elogiada por André Weigert, e, garante, “surgiu de um misto de boas ideias, suor e trabalho de todos, pois, se enquanto médicos sentimos particular protagonismo, nunca esqueceremos o extraordinário e decisivo contributo de enfermeiros ou dos serviços administrativos dos hospitais, cujo trabalho de equipa provou que o todo é muito superior à soma das partes. É por isso que acredito que uma das grandes lições desta pandemia é perceber o verdadeiro significado e importância de se lutar juntos em prol do nosso maior bem: o valor da vida e da saúde”.

O dilema das escolhas

O quotidiano de um médico implica saber lidar com o momento, tomar decisões que podem mudar tudo para o doente, inclusivamente a própria esperança de vida. Entre essas decisões, esta pandemia, pautada por um devastador traço de incerteza, tornou ainda mais complicado o momento de se optar por um caminho que assegure o bem-estar do doente.

A propósito dessa natural tomada de decisão, Aníbal Ferreira, presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, elogia a capacidade “dos médicos em atuar sempre com o objetivo de reduzir o sofrimento e aliviar sintomas, através de uma estratégia o mais eficaz possível segundo o quadro clínico. Mas, apesar de existirem guidelines que ajudam os médicos intensivistas nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) nestas difíceis situações, esses momentos não deixam de ser sinónimo de enorme impacto em quem tem de se tomar estas decisões em situações limite e de pressão”.

Nessas e noutras situações, ao médico pede-se que seja “o mais eficiente e resiliente possível numa perspetiva de beneficiar o maior número de doentes, com a sagacidade de separar claramente o urgente do importante, respeitando critérios éticos e clínicos, sendo que num contexto de pandemia, o que se modifica é o número de situações a que tem de se dar resposta, simultaneamente, sem capacidade instalada para o fazer a todos”, salienta Aníbal Ferreira.

Mas é também nesses momentos de crise e vulnerabilidade coletiva que vem à tona a capacidade profissional e dedicação, como é o exemplo o duplo transplante renal e pancreático, realizado em tempos de pandemia que refere e aplaude o presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia no seu testemunho no livro Primeira Linha. “São nessas grandes vitórias que nos reencontramos com a vocação de ser médicos, tratando os outros e dando-lhes mais qualidade de vida. Esta experiência é particularmente vivida na área da transplantação reno-pancreática, na qual tenho o prazer de trabalhar há mais de dez anos. Conseguir que um doente deixe de ser diabético (alguns já o eram desde a infância) e de fazer diálise, e ouvi-lo dizer que esta é uma nova oportunidade e uma nova vida que lhe foi oferecida, é o mais gratificante na área médica e cirúrgica”.

“Apesar de existirem guidelines que ajudam os médicos intensivistas nas Unidades de Cuidados Intensivos nestas difíceis situações, esses momentos não deixam de ser sinónimo de enorme impacto em quem tem de tomar estas decisões em situações limite e de pressão.”
Aníbal Ferreira, presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia

De olhos no futuro

A pandemia tem tido um impacto global em todas áreas da medicina, “mas algumas especialidades são particularmente mais sensíveis, tendo em conta a fragilidade dos pacientes, como é o caso dos transplantes de medula”, afirma Manuel Abecasis, presidente da Associação Portuguesa Contra a Leucemia e responsável pelo Registo Português dos Dadores de Medula Óssea (CEDACE).

“No início de março de 2020, a Direção-Geral da Saúde e o Instituto Português do Sangue e Transplantação do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, alertaram para a possibilidade de constrangimentos à atividade da transplantação de órgãos sólidos e de medula óssea, e a esta última havia ainda a considerar dificuldades no transporte de células, ou seja, do produto a transplantar, entre países, dada a dificuldade nas viagens aéreas, o que poderia ser problemático atendendo a que, por exemplo, cerca de dois terços dos transplantes alogénicos no meu serviço são feitos com dadores estrangeiros”, lembra o especialista.

Para complicar, “era ainda previsível que a necessidade de transferir doentes para UCI ficasse comprometida pela falta de vagas. Tudo isto levou a uma suspensão da transplantação alogénica durante seis semanas, finda a qual retomámos a atividade graças ao conhecimento entretanto adquirido em relação à infeção pelo vírus SARS-CoV-2 e pelo aumento da capacidade dos cuidados intensivos”, congratula-se o especialista.

Apesar dessas dificuldades, Manuel Abecasis esteve sempre confiante em relação à realização de intervenções em pandemia. “Todo o doente transplantado passa por um período de imunossupressão, logo a infeção pode ter uma evolução mais prolongada e grave, sobretudo num transplante alogénico. Mas, por regra, os doentes submetidos a transplantação de medula óssea são instruídos para evitarem o risco de qualquer tipo de infeções, mesmo sem ser em tempos de pandemia. Para eles o usar máscara, a lavagem frequente das mãos e o distanciamento social fazem parte do comportamento nos meses que se seguem ao transplante e o cumprimento destas medidas e dos cuidadores é muito rigoroso, pelo que o aparecimento da pandemia não veio alterar em nada o que sempre foi a prática habitual no nosso programa de transplantação”.

“É necessário apostar no diagnóstico rápido dos casos, adotar medidas que contenham a sua disseminação e recursos humanos rapidamente mobilizáveis para lidar com as exigências de uma situação de transplante em pandemia.”
Manuel Abecasis, presidente da Associação Portuguesa Contra a Leucemia

Ainda assim, o responsável pelo Registo Português dos Dadores de Medula Óssea revela-se preocupado face à diminuição do número de transplantes, que considera ter “consequências negativas quer nos médicos, que passam a estar ainda mais pressionados tentando resolver uma lista de espera que aumenta desproporcionadamente, quer nos doentes que vêm os tratamentos adiados e receiam que tal tenha consequências nefastas na sua saúde”.

Para reduzir o impacto de novas crises pandémicas na área do transplante, Manuel Abecasis deixa um alerta: “é necessário apostar no diagnóstico rápido dos casos, adotar medidas que contenham a sua disseminação e recursos humanos rapidamente mobilizáveis para lidar com as exigências de uma situação de transplante em pandemia”. A isso junta “equipamento adequado e em quantidade, nomeadamente de proteção individual”, sendo que todas estas medidas “devem estar consideradas num plano de contingência pronto para ser ativado em qualquer altura”, aconselha.

Lutar por um melhor sistema de saúde

Outro dos grandes desafios colocados pela Covid-19 à classe médica foi a quebra do elo com o doente, com claros prejuízos para o ato clínico, dentro e fora da esfera relacional e emocional. Os entraves do contacto físico como “o cumprimentar com aperto de mão ou o afeto de iniciar ou terminar a consulta com o gesto de beijar o doente ou de apenas lhe tocar”, são algumas das situações apontadas por Gabriela Sousa, diretora do serviço de Oncologia Médica do Instituto Português de Oncologia de Coimbra.

A outra barreira “terá sido ao nível do espaço físico e do reforço de medidas de distanciamento durante a consulta, questão apenas ultrapassada na necessária observação física do doente e com o uso de máscara FFP2 ou viseira”, sendo que a isso se adicionem “questões associadas à limitação de acompanhantes nas consultas e que dificultaram a comunicação e a perceção dos doentes sobre a sua situação. Foi necessário ultrapassar estes problemas com contactos telefónicos para familiares e cuidadores, o que implica maior exigência às equipas”, adianta a especialista.

Todas estas questões acentuaram cenários de solidão de doentes e familiares, sendo que, em muitos casos, “os primeiros reportem terem enfrentado a pandemia completamente sós, seja para proteção dos próprios ou de outros, deixando de poder estar em espaços comuns com família, amigos e vizinhos”, lamenta Gabriela Sousa. Tendo isso em conta, “as tecnologias foram importantes para colmatarem a ausência física dos entes mais queridos, mas a nossa população mais idosa, com sérias limitações a este nível, sofreu bastante com o confinamento”, acrescenta.

“A pandemia destapou fragilidades já existentes (...) do nosso sistema de saúde. Por isso, todos temos que exigir melhores condições de planeamento e distribuição de recursos, do reconhecimento da meritocracia, dos recursos tecnológicos e da renovação de espaços físicos de acordo com as exigências da Medicina no século XXI.”
Gabriela Sousa, diretora do serviço de Oncologia Médica do Instituto Português de Oncologia de Coimbra

Para superar todas estas dificuldades de médicos, doentes e familiares, principalmente em alturas de internamento, a diretora do serviço de Oncologia Médica do Instituto Português de Oncologia de Coimbra saúda a excelente gestão de todos, alicerçada numa filosofia que combina “sensibilidade e bom senso ao nível de toda a equipa multiprofissional (médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais) no sentido de facilitar visitas (virtuais ou presenciais) sempre que a situação assim o exigisse”.

Ainda no que toca aos profissionais de saúde, Gabriela Sousa realça a “enorme capacidade de adaptação a condições muito adversas, sejam horas excessivas de trabalho, novas formas de atuar ou a preocupação em garantir a sua segurança e a dos doentes ao seu cuidado.” No entanto, a diretora do serviço de Oncologia Médica do IPO Coimbra sente que as condições em que o funcionamento tem acontecido revelam que os profissionais de saúde merecem mais do próprio sistema.

“A pandemia destapou fragilidades já existentes e hoje todos compreendemos melhor a mais-valia do nosso sistema de saúde. Assim, todos temos que exigir melhores condições de planeamento e distribuição de recursos, do reconhecimento da meritocracia, dos meios tecnológicos e da renovação de espaços físicos de acordo com as exigências da Medicina no século XXI. Pois só com um forte estímulo e investimento no SNS poderemos dizer que houve ganhos com a experiência da pandemia”, conclui.

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