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Diogo Figueiras, também conhecido como Windoh, tem promovido cursos de investimento em ações e criptomoedas

Diogo Figueiras, também conhecido como Windoh, tem promovido cursos de investimento em ações e criptomoedas

As aulas de criptomoedas de Windoh foram pirateadas e expostas. Hacker diz que são "burla", mas o youtuber nega /premium

As aulas de criptomoedas de Windoh, um conhecido youtuber, foram pirateadas por um hacker que acedeu a dados de 22 clientes e acusa Windoh de burla. Youtuber reage: "O curso foi criado com seriedade".

Tudo começa e acaba na internet. Nos últimos dias, um dos youtubers mais conhecidos de Portugal, Windoh, publicou um vídeo — entretanto apagado — para explicar “onde é que investe o seu dinheiro”. Diogo Figueiras (nome verdadeiro) “faz dinheiro sozinho desde os 12, 13 anos”, diz. Começou com videojogos como “Counter Strike”, passou para os vídeos de entretenimento e está atualmente dedicado aos mercados financeiros e das criptomoedas. Depois de ter estudado, como afirma, sobre estas áreas financeiras, decidiu partilhar o conhecimento com quem o segue e criar cursos sobre estes ativos, lançando mais uma área de negócio.

A empresa da qual Windoh é sócio, a “BlackNetwork”, foi criada há ano e meio. É lá que, de acordo com o youtuber, é possível ter acesso a “cursos e educação de forma fidedigna”. Existem dois: um sobre criptomoedas, “bastante completo e feito por especialistas, sendo o melhor curso do mercado”, alega, e um mini curso sobre stock market, que serve de entrada direta para quem quer perceber melhor o mundo das ações. Depois dos cursos, promete, é possível fazer investimentos sozinho e ter um acompanhamento técnico dentro da comunidade deste projeto. “O mercado da cripto está ao alcance de todos, qualquer um pode fazer dinheiro com isto”, garante Windoh.

Pouco tempo depois de publicar o vídeo, este seria apagado do canal de YouTube, logo após o hacker com o nome Redlive13 ter pirateado um dos cursos do youtuber para expor o que diz ser “o esquema de burla” de Windoh — hacker esse que também quer vender aulas online, mas de pirataria informática. Redlive13 entrou no site onde o curso estava a ser lecionado, acedeu aos dados de quem lá estava, incluindo à base de dados de 22 clientes, e mostrou parte do que conseguiu obter também num vídeo do YouTube.

O vídeo de Windoh pode ter sido apagado, mas a plataforma de tele-ensino de criptomoedas não o foi — e continua a disponibilizar vários cursos: uns grátis e outros produtos que custam entre 50 e 500 euros. Se se está a questionar porque é que o vídeo de Windoh desapareceu, a resposta está onde tudo começou — na internet, no Twitter e no YouTube. E é publicada pelo próprio Redlive13, que não se identifica em nenhum vídeo e que terá sido o mesmo hacker que entrou em aulas de Zoom no ano passado, apurou o Observador.

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Depois disso, as suas redes sociais terão sido apagadas pelo próprio, afirmou na altura a Polícia Judiciária, mas, ao Observador, o hacker negou que isso tenha de facto acontecido: “Queria, em primeiro lugar, dizer que nunca cheguei a apagar as minhas redes sociais em 2020, só os posts referentes às aulas de Zoom. Deram-me acesso às aulas, não foi uma invasão”. Entretanto, parece estar de volta e tem outra mira: youtubers.

Um hacker que entrava em aulas de Zoom entra numa aula de criptomoedas

A explicação para o recente ataque informático foi exposta pelo hacker, num direto que fez no YouTube, onde decidiu revelar vários dados sobre os cursos de criptomoedas lecionados por Windoh. Segundo o pirata, o objetivo era mostrar como o youtuber estava a burlar quem ia aos seus cursos. Para isso, bastou entrar no site do Black Network como administrador. Ao Observador, Windoh contrapôs as alegações feitas por Redlive13, afirmando: “Criámos isso com seriedade”. E diz que apresentou uma queixa na Polícia Judiciária, que, segundo noticiou o Expresso já depois de este artigo ter saído, está a “analisar” o processo. Em causa estão os dados a que Redlive13 terá tido acesso de forma ilícita.

Aulas à distância. PJ identifica hacker de 20 anos que invadia aulas virtuais no Zoom

Na sequência destas alegações, Windoh foi criticado em várias redes sociais por cobrar 400 euros a quem queria aceder ao curso, valor que o YouTuber confirma. Segundo Redlive13, o conteúdo do curso, apesar de extenso, é “copypaste da Wikipedia”, diz num vídeo em que expõe parte da formação em criptomoedas. São capítulos com imagens e texto associados e mais vídeos explicativos, tal como garantia aliás Windoh no seu vídeo de apresentação. Além disso, também expôs os dados que obteve da plataforma de Windoh no canal que tem na plataforma Discord [uma plataforma online de áudio e vídeo que permite também partilhar ficheiros].

[O vídeo que Redlive13 publicou no qual alega que Windoh está a roubar os utilizadores]

O Observador contactou Redlive13, que não quis revelar a sua identidade, para perceber o que o levou a, alegadamente, atacar  um dos YouTubers mais famosos do país — só no YouTube, Windoh conta com mais de 1,74 milhões de seguidores. A história começou quando a equipa de Diogo Figueiras o contactou, através de um amigo, para obter dados (morada, nomes, etc.) de um utilizador de Twitter que estaria a expor informações sobre o novo projeto de Windoh. “Queriam-me pagar para obter essa informação, ainda que não tenham ficado acordados os valores. Disse que não queria. Contactei o tal utilizador, que recebeu várias ameaças, para esclarecer. Decidi averiguar e acabei por aceder ao site”, conta.

Foi a partir daqui que Redlive13 entrou em ação para fazer aquilo que considera ser a sua justiça virtual. “Consegui perceber que o curso nem valia dez euros, qualquer miúdo do sexto ano consegue fazer aquilo. Dizem que vai mudar a vida, mas foi feito em 20 minutos. Windoh fala de especialistas, mas no fim não existe nenhum”, diz ao Observador. O youtuber nega as acusações: “É mentira”. “O curso foi criado com seriedade” por pessoas que “trabalham nisto há sete, oito anos”.

No site do projeto não é revelado como é que o curso foi estruturado. Pode ler-se que foi feito por uma equipa “com vários anos de experiência na negociação de mercados de criptoativos e ações”, mas não especifica por quem. Ao Observador, Windoh confirma que poucas pessoas decidiram frequentar um dos cursos — à volta de 22, sendo que 16 dos cursos foram pagos e seis oferecidos.

Um curso de 400 euros sobre criptomoedas que nem todos criticam

Ruben Campos, estudante de 17 anos, decidiu fazer o curso de criptomoedas com a namorada, maior de idade, para ter um plano financeiro assim que acabasse os estudos. “Queremos uma fonte de rendimento, uma boa ajuda para comprar uma casa. Paguei 400 euros por MBWay”, conta. Feito o pagamento, o jovem teve acesso aos documentos (entretanto parcialmente divulgados pelo hacker) e a mais nove vídeos. Tentou ler, mas rapidamente entendeu que era demasiada informação acumulada para algo que, tal como afirmava Windoh, deveria ser muito mais imediato. “Foram 400 euros de que me arrependo imenso. Não tinha nada de relevante para a aprendizagem, estavam lá informações que se encontram na internet. Além disso, também percebi pouco dos vídeos. Fiquei com mais dúvidas”, afirma.

"Foram 400 euros de que me arrependo imenso. Não tinha nada de relevante para a aprendizagem, estavam lá informações que se encontram na internet. Além disso, também percebi pouco dos vídeos. Fiquei com mais dúvidas"

Ao Observador, Ruben Campos conta ainda que não foram dadas quaisquer referências bibliográficas sobre o curso, nem ficou a saber quem eram os especialistas anunciados. Optou por não entrar na comunidade — onde o pagamento ronda os 70 euros para ter acesso a aconselhamento técnico —, por ter um preço demasiado elevado. Entretanto, e após os documentos terem sido expostos online por Redlive13, a conta de Instagram da “Blvck_Network” anunciou que iria proceder ao reembolso dos inscritos, algo que a equipa de Windoh também afirma. O estudante, contudo, não foi, para já, contactado.

Já Redlive13, que está desde os 12 anos no universo do hacking, segundo ele agora mais recentemente virado para o serviço comunitário do que para proveito próprio, vai lançar também ele um curso — em princípio pago — onde terá vídeo aulas, ebook e outras informações sobre a sua profissão. Este será feito de forma privada e à base de programação, explica o próprio.

Num dos diretos do Redlive13, o hacker decidiu contactar alguns dos inscritos no curso do youtuber para obter reações. Um deles, com 26 anos, achou estranho que o conteúdo fosse semelhante “ao de um Power Point”, mas, por estar à procura de uma estabilidade financeira, escolheu o curso como oportunidade para aprender, já que pouco conhecia sobre a área. No vídeo, explica que ficou “ligeiramente mais informado” do que estava antes, e diz que “valeu a pena”. Ou seja, não parece estar tão arrependido como Ruben Campos. Mesmo assim, vai aceitar o reembolso de bom grado.

Ao Observador, Windoh diz que as reações que teve não foram como as de Ruben Campos. “Esse indivíduo [o Ruben] disse isso da boca para fora num vídeo. Não pode ser levado como uma verdade. Não olhou para isto com olhos de ver”, continua. De acordo com o youtuber, que afirma que vai publicar uma reação a todas as críticas que tem recebido, “a única crítica que podem fazer é que está tudo [do curso] na internet”. E adianta que o que ofereceu foi “uma plataforma fidedigna”. “Isto demorou muito tempo a ser feito”, acrescenta.

"Isto demorou muito tempo a ser feito". Contudo, Windoh quer esperar ainda pela reação das pessoas à sua justificação das críticas que recebeu de alguém que "não dá cara, que é um hacker"

Nas redes sociais, há ainda outra acusação que está a ser feita a Windoh: a de que algumas pessoas que estavam a frequentar os curso eram menores de idade. Sobre isso, o youtuber diz: “Na verdade, das estatísticas que me mostram o meu público é dos 18 aos 24 [anos]” e acrescenta que se tiver utilizadores menores de idade a seguirem-no, não pode controlar isso e que tal é responsabilidade dos pais. De acordo com dados da agência de Windoh, a ThisIsLuvin, o youtuber tem como objetivo apelar à faixa etária referida, não querendo chegar a um público menor. A agência afirma que nada teve a ver com a iniciativa, mas diz que “dará sempre apoio como agenciado”.

Os youtubers contra-atacam-se: há ou não uma burla?

Recorrendo a diferentes plataformas, é possível perceber que esta não é a primeira vez que youtubers portugueses estão ligados às criptomoedas, aos mercados financeiros (como a Forex) ou a outro tipo de sectores financeiros e de negócio, onde é vendido um género de consultoria que permite realizar determinados investimentos. Até porque, através de uma pesquisa por casos semelhantes de denúncia ou de alegados esquemas fraudulentos, percebe-se que existe todo um mundo virtual que está em guerra. E não se pense que é uma coisa nacional. Lá fora, se é que há um lá fora na internet, youtubers  como Jake Paul, que também promoviam este tipo de novos ativos digitais, até falam em criar as suas próprias criptomoedas.

Contudo, em Portugal, basta consultar o grupo de Telegram “Informações e Leaks de Burlões”, ou alguns canais de youtubers e páginas de Instagram, como a “analisadores_traders”, para encontrar testemunhos de pessoas — algumas delas efetivamente menores de idade – que se sentiram enganadas. Há quem denuncie nomes, como o de Numeiro e de David GYT, como faz o youtuber Hugo Medeiros, que, além destes, também critica Windoh. De acordo com os youtubers que atacam e se contra-atacam, os criadores como Numeiro, David GYT ou Windoh, utilizam as redes sociais para promover um estilo de vida luxuoso, que estará diretamente ligado à sua atividade financeira e não a outros ativos.

Nestes casos que são criticados, essa atividade pode estar ligada à Forex — oferecendo um curso sobre este mercado financeiro — ou às apostas desportivas, onde, alegadamente, se vendem prognósticos a troco de um pagamento de centenas de euros. São três “nomes grandes da internet” em Portugal que estão, neste momento, a ser colocados em causa por aquilo que promovem. No entanto, tratando-se de denúncias virtuais, todos os casos devem depois ser apurados e investigados pelas autoridades, caso existam queixas realizadas. O Observador perguntou ao final da manhã à Procuradoria-Geral da República se haveria alguma investigação no âmbito do vídeo de RedLive, contudo, até à data de publicação deste artigo, não obteve resposta.

[Um vídeo de Hugo Medeiros a afirmar que recebeu ameaças de processos judiciais por ter criticado aquilo que considera ser uma burla]

Ao Observador, Hugo Medeiros, que utiliza o seu canal de YouTube para, além de comentar novos gadgets, expor casos que podem levar os seus seguidores a perder dinheiro, diz que o que os youtubers já referidos vendem “estes cursos” enganando um público mais vulnerável. Como reação a um dos últimos vídeos que publicou, onde alegava que tudo se tratava de “esquemas”, recebeu um email do advogado de Numeiro [nome real: João Barbosa]. Neste, o advogado Márcio Serafim Teixeira pediu para que removesse o vídeo “nas próximas 24 horas”. Apesar de ter voltado a alegar o mesmo em novas publicações, Hugo Medeiros retirou o vídeo com as críticas originais.

Relativamente ao documento que foi enviado a Hugo Medeiros, o Observador contactou o advogado de João Barbosa. Em defesa do seu cliente, Márcio Serafim Teixeira afirma que não há nenhum envolvimento em práticas ilícitas e que tudo acontece porque Numeiro “tem uma exposição social muito forte”. E adianta: “É do interesse do próprio e dos seus serviços que isto seja claro”. Além disso, reitera: “Serão seguidos os procedimentos processuais em causa. Se a situação se mantiver, terão seguidas vias judiciais. Esta é a vontade do meu cliente”.

O advogado diz que “os conceitos de burla não podem ser utilizados em vão” e, através do vídeo de Hugo Medeiros, refere que se “utilizam termos burla e engano” de forma errada. Apesar das críticas que têm recebido nas redes sociais, também há quem se junte a alegar que, apesar de poderem levar a equívocos, os youtubers visados não estão a promover práticas ilegais, dizendo sempre que as plataformas promovidas são para maiores de 18 anos e que ninguém é obrigado a pagar. Mesmo assim, quem critica este tipo de vídeos criou uma petição online, que conta com mais de cinco mil assinaturas, a pedir para a Polícia Judiciária investigar este tipo de atividades promovidas por youtubers.

*artigo atualizado às 17h de quinta-feira com a informação sobre a análise da Polícia Judiciária

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