As famílias portuguesas são as que pediram mais moratórias de crédito em toda a Europa (17% do valor total dos créditos) e nas empresas quase um terço (32%) dos créditos também estão suspensos – o que fará, na soma destas duas rubricas, que os bancos deixem de receber 13 mil milhões de euros em prestações até setembro de 2021 (11 mil milhões das empresas e dois mil milhões das famílias). Mas o Banco de Portugal diz não ver grandes riscos para a estabilidade financeira, já que tanto famílias como empresas, em grande medida, terão pedido moratórias não por extrema debilidade súbita mas, sim, “por precaução“.

No relatório semestral sobre estabilidade financeira, o Banco de Portugal não indica com clareza qual é o valor total em moratória, mas afirma que que “no final de setembro de 2020, 32% dos empréstimos a empresas concedidos pelo setor bancário estavam em moratória, o que correspondia a 24,4 mil milhões de euros” – sem especificar o valor das moratórias concedidas a particulares nem, portanto, o valor total (nem mesmo, perante a insistência dos jornalistas, na conferência de imprensa realizada esta quinta-feira em Lisboa). Recorde-se que em junho havia 39 mil milhões de euros em moratória, no total, o que representava 22% das carteiras dos bancos – valores totais que o Banco de Portugal não atualizou neste relatório (que, aliás, esteve para ser divulgado a 3 de dezembro).

Na área das empresas, porém, sabe-se que são os tais 24,4 mil milhões de euros cuja cobrança está suspensa (32% do crédito existente). E como é que este valor do crédito em moratória compara com o que se passa nos outros países da União Europeia? Só há dados europeus até junho e, nessa altura, só 9% das carteiras de crédito estavam em moratória, em média – o que contrasta com os 30% que, em média, havia nessa altura em Portugal. Ou seja, mais do que o triplo.

Banca nacional é a que tem maior proporção de moratórias na Europa, diz DBRS

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