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A recolha dos votos de quem está em confinamento devido à Covid-19 começou esta terça-feira e termina amanhã, quarta

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A recolha dos votos de quem está em confinamento devido à Covid-19 começou esta terça-feira e termina amanhã, quarta

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Boletins preenchidos à porta, voluntários equipados e envelopes em quarentena. Como em Matosinhos se recolheram os votos dos confinados /premium

Voluntários da autarquia de Matosinhos conseguiram recolher numa manhã todos os votos de quem está confinado. Houve regras apertadas, tudo feito à porta de casa e a garantia de que "votar é seguro".

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“Preencher o boletim de voto, dobrar a folha em quatro, colocar no envelope branco, selar e, de seguida, colocá-lo dentro do envelope azul. Depois é fechar tudo”. Alexandra Martins sabe de trás para a frente a informação que tem de repetir a quem a espera à porta de casa. Esta terça-feira, a chefe da divisão de contratação pública na Câmara Municipal de Matosinhos assumiu uma função diferente da habitual: recolher os votos antecipados de quem está em confinamento devido à Covid-19. Em Matosinhos, foram 70 os eleitores inscritos nesta situação, o que permitiu à equipa de voluntários municipais completar a tarefa durante a manhã, no primeiro dos dois dias destinados à recolha do voto antecipado para as presidenciais.

As brigadas de voto reuniram-se bem cedo para fazer um briefing e distribuir os locais a visitar. Com voluntários vindos de áreas desde a cultura, à gestão de fundos comunitários e da parte financeira, a autarquia deu formação a vários trabalhadores que se ofereceram para ajudar na operação que permite votar quem está em confinamento — por estar infetado ou se encontrar em isolamento profilático. Para os 21 voluntários municipais, as regras foram as mesmas: cada pessoa seguiu individualmente num carro da autarquia e recebeu um saco com os boletins e envelopes de voto, material de proteção individual, rotas e percursos até aos locais atribuídos a cada um. Alexandra Martins ficou com uma lista de três moradas para recolher os votos.

Antes de tocar à campainha da primeira casa, foi preciso colocar todo o equipamento de proteção individual: máscara, viseira, touca, uma bata branca e um par de luvas que tem de ser trocado a cada deslocação. “Esta parte não tem grande ciência, mas é preciso atenção”, comenta, enquanto se prepara junto ao carro. As regras a cumprir foram estabelecidas em ações de formação promovidas pela Câmara Municipal de Matosinhos, pela Proteção Civil e pelas unidades de Saúde Pública, fazendo parte dos procedimentos determinados pela Direção-Geral de Saúde (DGS) para as presidenciais deste ano.

Alexandra Martins, chefe da divisão de contratação pública na Câmara Municipal de Matosinhos, esta manhã recolheu os votos de quem está em confinamento

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Dulce Araújo. É ela a primeira eleitora que surge à porta de casa para votar, juntamente com o marido. “Estamos em isolamento desde a passada segunda-feira, porque estivemos em contacto com alguém infetado, e inscrevemo-nos na sexta-feira para votar desta forma”, explicou ao Observador. O casal, tranquilo e já de caneta na mão junto à entrada, decidiu optar pelo seguro e votar em confinamento, ainda que haja a probabilidade de no domingo, dia 24, já poderem sair de casa. “Tínhamos receio de continuarmos em isolamento no domingo e de não conseguirmos votar e decidimos não arriscar.”

Nas mãos de Alexandra Martins segue um envelope grande com o boletim de voto e dois sobrescritos — um branco e outro azul — para o voto ser guardado. Depois de confirmar os nomes e os cartões de cidadão, há um alerta: o voto é secreto, mas deve ser feito presencialmente — ou seja, ninguém pode ir para casa votar e depois voltar à porta com o boletim preenchido. Segunda regra: cada eleitor tem de estar de máscara e utilizar a sua própria caneta. O processo na primeira morada “foi rápido e simples”, mas Dulce Araújo considera que o voto eletrónico seria uma solução mais simples para todos.

Em Matosinhos, foram 70 os eleitores inscritos para o voto em confinamento: e foi possível fazer tudo numa manhã

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Na segunda casa os passos foram iguais: em menos de cinco minutos confirmou-se a identidade de quem estava a votar, entregou-se o boletim de voto, repetiram-se as regras dos envelopes branco e azul e entregou-se o comprovativo de voto. “Estão todos bem? É o que importa”, vai perguntando Alexandra Martins.

À chegada à terceira e última paragem da manhã para recolher votos, o eleitor que esperava pela brigada optou por não votar exatamente à porta, mas sim dentro do seu próprio carro, estacionado mesmo em frente ao portão da casa, no mesmo lado do passeio. Logo se percebeu o motivo — e a voluntária até agradeceu: facilitar o trabalho da brigada de voto, uma vez que haveria a necessidade de subir três pisos exteriores (com moradores diferentes) e não havia campainha cá em baixo. “A minha casa é esta aqui mesmo, saí desta portinha e vim ao carro para votar e ser mais fácil para vocês”, contou João Graça, em isolamento profilático também desde quarta-feira por ter contactado com um caso positivo de Covid-19, mas com um teste negativo e à espera de fazer um segundo rastreio “por descargo de consciência”.

Entregue o boletim de voto, demorou apenas “30 segundinhos” para o preencher. “Já sabia em quem ia votar, foi rápido”, justificou. Também este eleitor achou que o processo para se inscrever nesta forma de votação antecipada foi rápido, tendo sido contactado pela autarquia para agendar o dia da votação. Para que fosse possível votar nestas condições, todos tiveram de se inscrever na plataforma do Ministério da Administração Interna, numa inscrição conjunta entre a Comissão Nacional de Eleições e o Ministério da Saúde, uma vez que só vota desta forma quem tiver sido referenciado como estando em confinamento.

João Graça decidiu votar dentro do carro em frente à sua casa para facilitar a deslocação da equipa de recolha de voto

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Votos recolhidos numa manhã e uma logística “três vezes superior à normal de um ato eleitoral”

De regresso à Câmara Municipal de Matosinhos, os envelopes selados recolhidos durante a manhã foram entregues dentro de um saco e guardados numa sala específica antes de se poder dar o passo seguinte. Os envelopes vão agora ficar em quarentena durante 48 horas, para depois serem então remetidos às respetivas secções de voto no próximo domingo. Durante esse período legal definido ninguém pode tocar neles, nem mesmo fotografar ou divulgar o local onde estão guardados. Sobre este passo, a DGS indicou claramente que os boletins devem ser guardados nas autarquias “em local seguro e arejado, em espaço de tamanho adequado e proporcional ao número de embalagens a guardar”.

Domingo, “no dia 24 de janeiro, os primeiros votos a serem inseridos na urna são os votos antecipados: os votos de confinados, em mobilidade, de estrangeiros, de todos que votaram antecipadamente”, explicou ao Observador Marta Vasconcelos, responsável do gabinete de apoio aos órgãos autárquicos, acrescentando que todo o processo decorreu sem problemas e que durante a manhã as equipas conseguiram encerrar a recolha de votos de confinados.

Para que tudo acontecesse com normalidade, sublinhou, houve uma grande logística nos bastidores, em colaboração com entidades como a Proteção Civil e as unidades de Saúde Pública. O trabalho começou desde o momento em que a autarquia recebeu as listagens com a identificação dos eleitores confinados até ao momento em que os votos seguirão para as urnas, passando pela formação de todos os voluntários para os recolher.

Eleições em tempos de pandemia é tudo extra. É toda uma logística três vezes superior à que é normal para um ato eleitoral e que implica várias entidades que tiveram de ser acrescidas ao processo, nomeadamente a saúde pública”, acrescentou Marta Vasconcelos. Os 21 carros da autarquia utilizados para a recolha de votos serão agora desinfetados e a responsável do gabinete de apoio aos órgãos autárquicos deixou outra garantia: “Não vamos fazer votação em lado nenhum sem planos de contingência aprovados pela saúde pública. É a segurança das pessoas. Votar é seguro”.

Os voluntários tiveram que ir equipados a rigor: máscara, viseira, touca, uma bata branca e um par de luvas que tinha de ser trocado a cada deslocação

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

“É gratificante ver que, apesar de tudo, há quem mantenha a consciência da responsabilidade que é exercer o direito de voto”

Alexandra Martins faz parte dos 21 voluntários da Câmara de Matosinhos que decidiram ajudar esta terça-feira na logística de umas eleições marcadas pela pandemia. Vinda da área de contratação pública, a decisão de mudar de função por uma manhã foi tomada sem hesitar: “Foi sobretudo para colaborar com os colegas. A grande vantagem de se trabalhar numa Câmara Municipal é o impacto direto que o nosso trabalho tem nas pessoas. E se trabalhamos todos para as pessoas faz sentido que, independentemente da nossa função, possamos colaborar quando podemos, quando é possível e quando é necessário”, explicou.

As ações de formação que teve englobaram um pouco de tudo, “desde o que fazer e como se proteger, aos passos que eram exigidos e aos riscos que poderiam estar em causa”. No final, garantiu, o feedback foi positivo: Alexandra não se sentiu nervosa, diz ter-se sentido protegida e com o equipamento adequado e considerou que tudo correu conforme o esperado. As maior dificuldades foram mesmo os trajetos definidos pelo GPS, que por vezes eram enganadores, e a tarefa de colocar, com luvas, o selo de comprovativo de voto.

O contributo que deu, acrescentou, “foi apenas um pouco do trabalho”, mas Alexandra Martins garantiu ter-se sentido “verdadeiramente útil”. “É muito pouco, quem me dera poder fazer mais, mas pelo menos já é um pedacinho, porque no meio deste caos que vivemos sentimo-nos muito inúteis quando não trabalhamos na área de Saúde, quando não fazemos alguma coisa que possa, de facto, contribuir para ajudar”.

Os eleitores com quem contactou também “pareceram entusiasmados por estarem a votar”. “É gratificante ver que apesar de tudo mantêm a consciência da responsabilidade que é exercer o seu direito de voto”. Agora, e depois dos votos recolhidos, está na altura de voltar à contratação pública, “que também é importante e necessária”.

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