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Intervenções realizadas limitam-se quase totalmente às infraestruturas exteriores. Expectativa para conclusão das obras passa a ser 2025.

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Intervenções realizadas limitam-se quase totalmente às infraestruturas exteriores. Expectativa para conclusão das obras passa a ser 2025.

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Câmara de Lisboa já gastou quase 18 milhões, mas Hub Criativo do Beato continua a ser uma miragem /premium

Anunciado em 2016 e sucessivamente adiado. Responsável da Startup Lisboa aponta agora a 2025 para ter Hub do Beato terminado, até aqui autarquia assume quase totalidade do investimento já feito.

Retroescavadoras, cimento, betão e andaimes, nada que seja sinónimo de startups, empreendedorismo ou indústrias criativas. Foi anunciado em 2016 como um projeto onde nasceria “uma das maiores incubadoras da Europa”, em 2017 havia garantias que no final de 2018 estaria pronto, mas quem vai hoje ao Hub Criativo do Beato duvida que a fita da inauguração possa sequer ser cortada nos próximos anos. O chão já tem alcatrão novo, mas ainda tem buracos, os edifícios parecem estar iguais a 2016, salvo na zona onde ficará a restauração e numa pequena fração do edifício Factory. Numa era em que o teletrabalho é cada vez mais tema, Lisboa vai avançando (muito lentamente) com a construção do Hub Criativo do Beato.

Entre 2016 e janeiro de 2020 os avanços foram praticamente nulos. Só em janeiro de 2020 começaram as obras nas infraestruturas, responsabilidade da câmara municipal. Mais uma vez, publicamente, as datas para finalização do projeto foram reajustadas e a expectativa do responsável da Startup Lisboa era que o primeiro edifício, o Factory, uma incubadora alemã, estivesse finalmente concluído até ao final de 2020 (era para estar concluído no final de 2018). Em atrasos sucessivos, a obra não só não estava concluída no final de 2020 como pouco avançou já em 2021. Para já, só é visível algum investimento no exterior, feito pela autarquia lisboeta, que no total já ultrapassa os 18 milhões de euros. Dos 18 edifícios que compõem o projeto nem todos têm sequer “donos” atribuídos e há alguns que serão responsabilidade da câmara municipal, o que aumentará a fatura final.

Um dos edifícios que compõem a Praça, que está em fase de obra, com previsão de conclusão para final do ano

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Os avanços no Hub Criativo do Beato são tímidos e, no meio de algumas máquinas em manobras e operários da construção civil, ao Observador, o responsável da Startup Lisboa aponta agora 2025 para as três fases do projeto estarem concluídas. Rejeita a ideia de atrasos no projeto, falando num “mito” que se criou, muito por culpa das “expectativas que algumas pessoas foram criando”. Nessas pessoas conta-se essencialmente o presidente da autarquia que foi convocando várias conferências de imprensa com anúncios de datas, até hoje nenhuma cumprida.

Quando o projeto foi apresentado à imprensa, em 2016, Fernando Medina queria “até ao final do ano” ter concluído o plano que definirá os usos da Ala Sul da Manutenção Militar. Nessa altura o acordo para a cedência do espaço já tinha sido firmado e António Costa acompanhava o sucessor na autarquia na apresentação das linhas mestras do “novo Hub Criativo de Lisboa”, em junho. No ano seguinte, num evento a que chamaram apresentação pública, foi anunciado que “os primeiros ocupantes” deviam chegar dentro de um ano, ou seja, em 2018. Já em 2018 — e sem qualquer ocupante ainda no Hub — era a que avançava para a imprensa para anunciar que em 2019 abriria no Hub Criativo do Beato, com capacidade para 700 postos de trabalho. Mas o avanço das obras nas infraestruturas continuou a não existir e, só em fevereiro de 2020 a imprensa voltou a ser convocada para uma visita ao Hub do Beato, para dar conta do início das obras nas infraestruturas, com reajuste da data para que a Factory pudesse terminar as obras: final de 2020. Mas é suficiente olhar para os edifícios neste momento para perceber que qualquer meta temporal avançada ao longo dos últimos anos falhou completamente.

Mas nem tudo está como em 2016. Por serem da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa todas as obras nas infraestruturas (como a rede de esgotos ou de internet, por exemplo), de requalificação dos espaços exteriores e das centrais técnicas do Hub Criativo, estas já avançaram. Ao Observador a autarquia aponta o final deste mês de maio para estarem totalmente terminadas. Custaram quase 4,2 milhões de euros, segundo dados da autarquia. Recorde-se que contas do município para 2020 tinham sido reservados 22 milhões de euros para este complexo empresarial. Mas o investimento municipal está longe de se ficar pelas obras nas infraestruturas. A título de exemplo, só para o transporte e depósito de solos contaminados do Hub do Beato a Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) pagou à empresa Alexandre Barbosa Borges S.A mais de 700 mil euros.

As únicas movimentações que há, por enquanto, são dos trabalhadores das obras de construção, mas a aposta na mobilidade suave já é visível nas ruas do Hub onde não vão circular carros. Já há, por exemplo, onde deixar bicicletas, ou não fosse essa uma das imagens de marca do executivo de Medina.

À esquerda o Hub do Beato em fevereiro de 2020 e à direita atualmente, é possível perceber que a calçada deu lugar ao alcatrão, mas os edifícios continuam sem intervenção

MANUEL PESTANA MACHADO/OBSERVADOR

Reserva das empresas obrigou autarquia a gastar mais 5,7 milhões na compra da propriedade. Custo total da zona sul da Manutenção Militar ultrapassou os 12,3 milhões

O plano inicial era usufruir da Manutenção Militar (sul) através de um contrato de cedência do espaço. Custava à autarquia lisboeta 6,5 milhões e teria uma duração de 50 anos. Na base do acordo estava a transferência do governo para a Câmara Municipal de Lisboa da gestão dos 20 edifícios da ala sul da Manutenção Militar, realizada em 2016. Com a apresentação do projeto, os potenciais parceiros foram mostrando “sérias reservas” em investir numa propriedade que continuava nas mãos do Estado e a única forma de fazer desaparecer essa barreira era a câmara avançar para a compra da propriedade.

Demorou, veio já depois de todos os prazos apresentados para que o projeto estivesse concluído, mas sendo peça fundamental para convencer alguns parceiros a alinhar no projeto, a câmara municipal conseguiu comprar a propriedade. Foi necessário desembolsar mais 5,7 milhões de euros (a somar aos 6,5 já pagos em 2016) para que a Startup Lisboa — que está à frente do projeto — pudesse passar a apresentar o investimento como sendo feito em propriedade municipal.

O despacho do Governo garante que “o direito de propriedade plena do prédio é inalienável durante os 40 anos subsequentes à aquisição”, que data de 30 de dezembro de 2021, mas caso o município deseje levantar esse prazo bastará pagar mais 25,4 milhões de euros. No despacho dos ministérios das Finanças e da Defesa justificam-se os mais 25 milhões com “o correspondente à diferença entre o atual preço do imóvel [12,3 milhões] e o valor resultante da avaliação de mercado na perspetiva da maior e melhor utilização [37 milhões de euros]”.

Hub Criativo do Beato tem 18 edifícios, só 11 estão contratualizados sendo que alguns são responsabilidade da autarquia

Quem passa na rua do Grilo, junto ao quartel dos Bombeiros do Beato nem repara no que acontece do outro lado da estrada. Os moradores da travessa do Grilo contam outra história e as intervenções garantem-lhes, pelo menos para já, alguns lugares de estacionamento à porta de casa. São poucos metros entre a rua do Grilo e o portão verde na travessa do Grilo que dá acesso ao Hub Criativo do Beato. Pela requalificação do pequeno arruamento a Câmara Municipal de Lisboa gastou quase 80 mil euros. Mas é do outro lado do portão verde que os investimentos serão mais significativos, quando efetivamente avançarem.

Para já, a intervenção é visível uma área que dará lugar a uma zona de restauração e algum comércio. Não haverá barreiras entre a travessa do Grilo e a Avenida Infante D. Henrique, garante o responsável da Startup Lisboa, Miguel Fontes, sendo criada uma via comunicante que permitirá a quem ali vive aceder mais rapidamente à zona ribeirinha. Mas voltando à questão central: em que estado está a zona da restauração?

Em paredes. A estrutura exterior dos edifícios (8 e 9 no mapa) foi mantida e o interior está a ser alvo de intervenção, embora com vários anos de atraso, a previsão é que os dois edifícios que compõem esta zona, a Praça, estejam concluídos “até ao final do ano”.

Exterior (à esq) e interior (à dir) do edifício da Factory, a incubadora alemã que tem as obras mais avançadas de todo o Hub Criativo do Beato. Ainda assim, bem longe de estarem terminadas

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Olhando em frente e a alguns passos de distância está o edifício da Factory (números 10 e 11, no mapa), o mais “famoso” e que já teve várias datas para conclusão dos trabalhos. A versão atual aponta para final do ano a conclusão, e Miguel Fontes diz ao Observador que um terço do edifício (onde se instalará o centro de inovação da Mercedes) deverá estar pronto em setembro, mas quem vê os tubos espalhados no chão e o cimento tem dificuldades em imaginar essa realidade.

À exceção destes três edifícios (a Praça é constituída por dois), tudo o que resta permanece praticamente inalterado. Parte dos antigos celeiros (14, no mapa) foram demolidos, mas no local mantém-se o estaleiro da obra, adiando o projeto de construção para depois.

Mapa do projeto. Os edifícios 2, 3, 16 e 18 têm intervenção da autarquia.

Com expectativas de conclusão total já em 2025, em que ponto estão então as intervenções nos edifícios do Hub? A Câmara Municipal de Lisboa terá à disposição os edifícios (número 16, no mapa) onde era feita a moagem dos cereais na Manutenção Militar, com o objetivo de criar um núcleo museológico — a cargo da EGEAC —, dois edifícios (números 2 e 3, no mapa) onde será criado um “Repair Café”, da responsabilidade do departamento de Higiene Urbana da autarquia e que terá como objetivo promover a economia circular, e ainda a zona onde será criado um silo de estacionamento (número 18, no mapa). De todos, apenas o edifício onde ficará o núcleo museológico teve intervenção ao nível exterior e da cobertura, para impedir a degradação, os restantes não sofreram ainda qualquer intervenção. Ao Observador, a autarquia esclarece que essa intervenção teve um custo de “cerca de 325 mil euros”. O futuro do Núcleo Museológico ainda continua por definir. “Está em desenvolvimento o programa museológico e funcional do referido Núcleo por forma a avançar para projeto e obra de acessibilidades, adaptação de instalações e concretização da museografia, investimentos cujo valor não está ainda estabilizado”, explica a câmara municipal.

No edifício onde os militares pernoitavam (número 5, no mapa) será criado um projeto de Coliving, sendo que a proposta que foi selecionada pelo júri, mas ainda em fase de negociação, “propõe a criação de 130 unidades de alojamento com diferentes tipologias”. O projeto não prevê que a utilização das infraestruturas de habitação seja exclusiva para pessoas relacionadas com o Hub, devendo ser aberta à população.

A Super Bock Group anunciou um investimento de três milhões de euros numa microcervejeira no Hub, começou as obras (tal como é visível através das janelas de vidro, que permitem observar o entulho no interior), mas suspendeu a intervenção com a chegada da pandemia da Covid-19. Ao Observador o responsável da Startup Lisboa afirma que deverão ser “retomadas em junho”, mas o objetivo de instalar a cervejeira a partir de outubro de 2019 já ficou lá atrás, sendo agora o ano de 2022 a meta para conclusão da obra.

Edifício onde Super Bock terá microcervejeira com entulho das obras que chegaram a começar, mas foram suspensas devido à Covid-19

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Os antigos silos (12 e 13 no mapa) da manutenção militar continuam sem qualquer projeto pelo que continua a ser impossível prever uma data para que a intervenção, qualquer que ela seja, esteja terminada. Há quem sonhe criar lá um hotel, mas também quem garanta que não passa mesmo de um “sonho”, longe da realidade.

Despesas da Startup Lisboa com Hub Criativo do Beato são pagas pela autarquia

Para reabilitar o edifício (número 15, no mapa) que ficou destinado à própria Startup Lisboa — que é simultaneamente responsável pelo projeto — a Associação estima um custo total de cerca de sete milhões de euros. 40% serão a fundo perdido, através da CCDR de Lisboa e Vale do Tejo e os restantes 60% contam com um apoio, já aprovado em reunião de câmara, da autarquia de Lisboa até 800 mil euros e o tradicional crédito bancário (que ainda não está aprovado).

Portanto, além dos 12,3 milhões na aquisição da propriedade, dos mais de quatro milhões nas obras de infraestruturas, há que somar um limite de 800 mil euros para financiar as obras no edifício da Startup Lisboa, um total de 17,3 milhões de euros já gastos pela autarquia no projeto.

Mas as despesas não ficam por aqui. Pelo menos as da autarquia. Na sequência de uma parceria entre a Startup Lisboa e a câmara municipal, esta “permite a disponibilização dos recursos financeiros estritamente necessários por forma a reembolsar a AIEL das despesas em que incorre com o desenvolvimento do projeto”. Ao Observador, a Startup Lisboa esclarece que “ao longo dos cerca de quatro anos de desenvolvimento do projeto totaliza 521.563,00 euros“, o que aumenta o total já investido pela autarquia até próximo dos 18 milhões num projeto que ainda está longe de estar terminado.

A Startup Lisboa detalha ainda que “até outubro de 2018 encontrava-se executado o montante de 154.189,69 euros, no período de novembro de 2018 a outubro de 2019 a despesa incorrida foi de 198.515,00 euros, e no período de novembro de 2019 a outubro de 2020 a despesa ascendeu a 168.858,33 euros”.

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Empresas são responsáveis por reabilitar edifícios e ficam isentas de pagar arrendamento

O pressuposto para atrair as empresas não é difícil de perceber. Cada empresa fica responsável por reabilitar os edifícios existentes e o valor gasto para tal paga o arrendamento das infraestruturas. O período de tempo em que cada empresa fica isenta de pagar renda é calculado depois de terminadas as obras de reabilitação de cada edifício, pelo que ainda não é possível projetar no tempo durante quanto tempo estarão as empresas instaladas no Hub Criativo do Beato sem necessitar de pagar renda (depois de realizado o investimento nos edifícios).

Segundo a Startup Lisboa para os edifícios já objeto de concurso foi fixado um valor de “oito euros por mês por metro quadrado” para calcular o período de isenção. Para tal são “determinados a área bruta privativa dos edifícios e o montante global de investimento elegível”, que devem ser apresentadas “junto da Câmara Municipal de Lisboa por cada parceiro”.

Projeto foi anunciado em 2016 e relançado em 2017 com objetivo de estar a funcionar em 2018.

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Presidente da Startup Lisboa é vice-presidente de Medina

Inicialmente criada pelo município de Lisboa, pelo banco Montepio e pela IAPMEI, a Startup Lisboa viu em setembro de 2019 a maioria passar para privados com a entrada da Delta Cafés, da Roland Berger e da Universidade Católica Portuguesa como novos associados.

Miguel Fontes admite que possa ser feita uma revisão de estatutos num futuro próximo, para clarificar algumas situações, mas diz que se mantém o “acordo de cavalheiros” que existia desde a fundação da AEIL (Associação para a inovação e empreendedorismo de Lisboa) — o nome “oficial” da Startup Lisboa. Ou seja, na presidência da Startup Lisboa está alguém da autarquia, neste caso o vice-presidente do município, na direção executiva Miguel Fontes, da Startup Lisboa, como presidente da assembleia geral está Francisco Sá (Presidente do Conselho Diretivo na IAPMEI) e a presidir ao conselho fiscal o atual presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, Virgílio Lima.

Com a entrada dos novos associados estes pelouros assim atribuídos desde o primeiro momento poderão ser revistos, segundo Miguel Fontes. O responsável pelo Hub Criativo do Beato não vê que possa existir qualquer incompatibilidade por João Paulo Saraiva, vice-presidente de Medina, estar a presidir à Startup Lisboa e, consequentemente, ser chamado por exemplo a validar as despesas anuais que a associação tem com o projeto do Hub Criativo do Beato.

Diz que sempre assim foi, desde que Graça Fonseca (atual ministra da Cultura) assumiu a presidência da direção, passando depois por Fernando Medina e Duarte Cordeiro (atual Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares).

Na direção, como membro representante da Universidade Católica, está também atualmente Céline Abecassis-Moedas, a mulher de Carlos Moedas, que concorre pelo PSD à autarquia de Lisboa.

Câmara quer acordo para a ala norte da Manutenção Militar

A aspiração não é nova e, ainda em 2018, Fernando Medina assumia a ambição de conseguir também a cedência da ala Norte da Manutenção Militar, com o objetivo de “quadruplicar” a área do Hub Criativo do Beato. Tal investimento permitiria passar dos atuais 35 mil metros quadrados (da ala Sul) para mais de 130 mil metros quadrados.

Esperava-se até ao final de 2018 acordo para a cedência do espaço, mas o Observador apurou que esta continua a ser apenas uma aspiração, ainda sem decisões finais tomadas. Por ocasião da apresentação do projeto do Super Bock Group para o Hub Criativo do Beato, em de junho 2018, Medina explicava que a aquisição iria permitir o desenvolvimento do “masterplano entre 2018 e 2019”.

Ao Observador, Miguel Fontes diretor da Startup Lisboa fala em “expectativas pouco realistas” de quem publicamente apontou poucos anos para a concretização da obra. “Só não conhecendo é que se acha que isto é algo que se faça rapidamente, não é. Nunca apontei datas para conclusão”, afirma ao Observador, embora seja atualmente mais concreto ao atirar “para 2025” a inauguração da terceira e última fase do projeto.

Já a autarquia reconhece que houve atrasos no projeto. Ao Observador, o município liderado por Medina diz que “no caso das obras de infraestruturação houve impactos resultantes dos trabalhos de acompanhamento arqueológico”. Mas não foi só aí que as obras atrasaram e a autarquia diz que “no que diz respeito aos edifícios alguns parceiros debateram-se com dificuldades de financiamento” além do “forte impacto da pandemia que obrigou a atrasos sérios no desenvolvimento das obras e também à suspensão de alguns projetos”, como é o caso do edifício onde a Super Bock instalará a microcervejeira.

Já em relação ao impacto da Covid-19 no projeto, Miguel Fontes diz que é visível apenas nas áreas que as empresas vão dedicar aos funcionários, com o aumento dos metros quadrados por cada funcionário por exemplo. Uma conclusão retirada apenas através do edifício da Factory que é atualmente o único em obra. O novo paradigma do teletrabalho e a tendência crescente para essa solução laboral não parecem retrair a intenção da Startup Lisboa e da autarquia de levar em frente a concretização do projeto que sonhava, em 2016, reunir mais de três mil pessoas no espaço.

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Hub não convence parceiro de coligação. BE fala em “obra megalómana” e “poço sem fundo de investimento camarário”

A opção do Executivo de apoiar o desenvolvimento do Hub e continuar a financiar as obras que são necessárias não agrada ao Bloco de Esquerda que votou contra a proposta (tal como o PCP) que permite atribuir até 800 mil euros à Startup Lisboa para recuperar o edíficio no Hub do Beato.

“A Startup Lisboa, é um aglomerado de nomes famosos, vai receber 800 mil euros para construir ali a sua sede. São considerados investimentos de risco, parece bizarro num momento em que a câmara municipal precisa de todos os meios para combater a crise, suster o comércio e a restauração. São 800 mil euros, mais uma vez um erro para um projeto que vai demorar muitos anos até podermos ver o fim”, diz ao Observador Ricardo Moreira membro da concelhia do Bloco de Esquerda e número dois da lista às próximas eleições.

Os bloquistas não negam a importância de “investir no Beato” e no “conjunto de fábricas e vilas operárias antigas que estão ao abandono”, mas recusam que o caminho seja “de sucessivos anúncios sobre o Hub que implicam muitos milhões, dos quais não se vê nada”.

“São mais de 20 milhões de euros investidos de dinheiro dos contribuintes num esqueleto de um prédio cujas obras ainda vão demorar muitos anos”, afirma frisando que o espaço devia ser usado para alojar, por exemplo, “associações que não encontram espaço noutros locais da cidade e que têm tido um papel importante no combate à pandemia”.

O Bloco acusa a autarquia de estar a “enterrar dinheiro camarário numa promessa de uma obra que não tem fim à vista” e que “não é de todo prioritária”. “Depois da crise da pandemia Lisboa tem de repensar aquilo que quis ser, um dos problemas é que os bairros mais diversos (com malha urbana mais rica, da parte habitacional ao comércio e serviços) estão a aguentar a melhor a pandemia que aqueles que foram dedicados ao turismo. Areeiro, Alvalade ou Arroios estão a aguentar melhor que Santa Maria Maior e Misericórdia que estão em graves dificuldades”, afirmou notando que a “grande prioridade para os próximos tempos, ao invés de obras megalómanas” devia ser “uma maior aposta nos serviços que criam maior riqueza”.

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