Retroescavadoras, cimento, betão e andaimes, nada que seja sinónimo de startups, empreendedorismo ou indústrias criativas. Foi anunciado em 2016 como um projeto onde nasceria “uma das maiores incubadoras da Europa”, em 2017 havia garantias que no final de 2018 estaria pronto, mas quem vai hoje ao Hub Criativo do Beato duvida que a fita da inauguração possa sequer ser cortada nos próximos anos. O chão já tem alcatrão novo, mas ainda tem buracos, os edifícios parecem estar iguais a 2016, salvo na zona onde ficará a restauração e numa pequena fração do edifício Factory. Numa era em que o teletrabalho é cada vez mais tema, Lisboa vai avançando (muito lentamente) com a construção do Hub Criativo do Beato.

Entre 2016 e janeiro de 2020 os avanços foram praticamente nulos. Só em janeiro de 2020 começaram as obras nas infraestruturas, responsabilidade da câmara municipal. Mais uma vez, publicamente, as datas para finalização do projeto foram reajustadas e a expectativa do responsável da Startup Lisboa era que o primeiro edifício, o Factory, uma incubadora alemã, estivesse finalmente concluído até ao final de 2020 (era para estar concluído no final de 2018). Em atrasos sucessivos, a obra não só não estava concluída no final de 2020 como pouco avançou já em 2021. Para já, só é visível algum investimento no exterior, feito pela autarquia lisboeta, que no total já ultrapassa os 18 milhões de euros. Dos 18 edifícios que compõem o projeto nem todos têm sequer “donos” atribuídos e há alguns que serão responsabilidade da câmara municipal, o que aumentará a fatura final.

Um dos edifícios que compõem a Praça, que está em fase de obra, com previsão de conclusão para final do ano

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

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