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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Costa pelo Minho. Encomendas do PS começam num café e acabam em dois hospitais

Um líder de partido em campanha que é, ao mesmo tempo, o chefe do Governo, não escapa à chuva de pedidos. E amanhã haverá mais, pelo distrito do Porto.

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Nove horas, 175 quilómetros, com seis paragens politicamente calculadas. António Costa saiu da volta intensa pelo Minho com um rol de pedidos quase tão extenso como o número de quilómetros que rodou para o apelo ao voto. Candidatos, autarcas recandidatos, reconciliados com o partido e até um que sai para dar lugar ao sucessor, todos têm alguma coisa para dizer ao líder do partido e quase todos têm algo a pedir ao também primeiro-ministro.

O primeiro pedido foi, no entanto, bastante modesto. Na Póvoa de Lanhoso, o candidato Frederico Castro chegou ao café e perguntava a quem por ali estava a receber António Costa: “Querem um café que paga o secretário geral?” Mas a partir daqui foi sempre a subir, em pedidos e euros.

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Na paragem seguinte, Mondim de Basto, Costa teve de fazer um desvio, o pedido vinha a seu favor: tinha de parar rapidamente (e fora da agenda que já estava carregada) porque a população queria agradecer a ligação entre Mondim e Celorico de Basto, um trajeto que levava 40 minutos e o Governo socialista, com a ligação, fez com que passasse a levar apenas quatro. À chegada estava um ajuntamento socialista e um homem a dizer “os mondinenses ficam muito gratos pela obra que nos fez”. Aqui foi a lucrar.

Mas logo a seguir, em Celorico de Basto, terra da avó Joaquina do Presidente da República, Costa teve de abrir a folha de despesas. O candidato Manuel Machado (que não é o de Coimbra) começava a aquecer a longa lista que havia de vir e pediu ao chefe do Governo que estava ali presente na pessoa do líder socialista “um centro de saúde” para substituir o atual “que está moribundo”.

“Na saúde estamos de mal a pior”, avisou o candidato socialista que tem pela frente uma batalha difícil com o PSD que governa a autarquia desde 1989 . O atual presidente tem mandato limitado (já fez três seguidos) e o PS tenta aproveitar esse flanco. “O atual presidente de câmara esgotou o número de mandatos que podia cumprir e necessariamente vai haver uma mudança. A questão é saber se é para mais do mesmo ou se é mesmo para valer”, disse Costa na terra de Marcelo Rebelo de Sousa.

Antes disso, Manuel Machado tinha pedido que Costa “analise o assunto” da A7, ou seja, a ligação de Celorico, Mondim e Cabeceiras, àquela auto-estrada. Aos dois pedidos, Costa respondeu com o Plano de Recuperação e Resiliência e a prioridade que faz no combate à desertificação do interior, o que permite investir na ligação que o socialista  diz logo ali que acontecerá. Quanto ao centro de saúde, o socialista aponta o caminho aos autarcas: a descentralização vai permitir às autarquias gerirem elas mesmas os centros de saúde.

Em Vizela, a caravana seguiu entre a apoteótica receção de António Costa numa praça cheia e um autarca reconciliado com o PS — Vítor Hugo Salgado estava desavindo com o seu partido, contra quem concorreu, numa lista independente, há quatro anos, derrotando o candidato do PS. Agora voltou, no dia “mais feliz da vida política” de António Costa — foi o próprio que o disse –, num comício de reconciliação que não deu abertura para grandes pedidos do candidato.

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Mas em Vila Nova de Famalicão, Eduardo Oliveira, o enfermeiro parteiro e candidato local do PS, pediu um hospital. E também habitação acessível na terra. Nesse comício, António Costa prometeu ligações rodoviárias para a localidade, aproveitando o tema para atirar à direita que acusa de, com as suas políticas, ter deixado isolada a zona industrial. Costa prometeu que “o Plano de Recuperação e Resiliência inclui a verba necessária para a requalificação de toda a Nacional 14” e atirou à direita: “Eles não gostam”. Era um tiro ao lado do que tinha pedido o candidato, mas a plateia ficou em êxtase na mesma.

Depois, em Barcelos, o presidente de saída — e que está a braços com uma pesada acusação do Ministério Público — subiu ao palco para, ao fim de três mandatos sucessivos na terra, confessar as suas “duas mágoas”. Uma: “A construção do Hospital de Barcelos“. Costa Gomes revelava ali no palco instalado no Largo da Porta Nova que já o tinha pedido a Costa em 2016, numa visita que o socialista fez, como primeiro-ministro, à região. “Mas ele disse que não dava. Também é precisa a clareza de o assumir”, dizia o socialista. “Agora peço-lhe isso, Barcelos precisa de um hospital Novo”. E o público à volta confirmava com acenos de cabeça.

A outra “mágoa” de Costa Gomes é o “problema da água” que tem origem numa concessão por 30 anos da gestão de águas e saneamento do concelho à Águas de Barcelos, com problemas vários de abastecimento de alguma população que a câmara acabou por se demitir de resolver. O contrato está feito e o presidente que está de saída lamenta não o ter solucionando, colocando, com esta referência, alguma pressão nos ombros do chefe do Executivo que o ouve na primeira fila do comício.

António Costa vai respondendo mais ou menos diretamente às reivindicações que lhe vão sendo colocadas, numas aproveitando a deixa para sublinhar as suas próprias promessas, noutras aproveitando para avançar com outras que encham o olho dos eleitores que vai encontrando.

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Um líder que é, ao mesmo tempo, o primeiro-ministro em funções dificilmente escapa à lista de compras quando circula pelo país. Ainda mais quando o seu apelo ao voto nos candidatos locais se cruza com a própria avaliação do seu Governo. Foi isso que acabou por fazer em Barcelos quando disse, no púlpito que decorou com um gigantes galo de Barcelos, que “não nos podemos desviar do caminho certo”. Como quem diz que votar nos seus candidatos é votar na força do seu próprio Governo e das promessas que foi deixando como quem chuta bolas  de futebol para o público no final de um intenso jogo de futebol. Também aconteceu, no Minho.

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