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Em Valongo, frente ao Museu da Regueifa e do Biscoito, pousou com o bolo que lhe foi oferecido.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Em Valongo, frente ao Museu da Regueifa e do Biscoito, pousou com o bolo que lhe foi oferecido.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A montra de quatro prémios de Costa pelo país (e com o Porto ali tão perto) /premium

Líder do PS teve roteiro intenso no fim de semana de meio de campanha. Em quilómetros, em deslocações e em quilos de promessas. Bem mais do que os cinco da regueifa de Valongo. Só faltou o Porto.

Há quatro bilhetes nesta lotaria que dão prémio. Quem o tem garantido durante a campanha às autárquicas, de terra em terra e, este domingo, pelo distrito do Porto, é António Costa. O líder socialista leva consigo o primeiro-ministro e, com este, a obra do Governo, o sucesso do processo de vacinação, a última fase do processo de descentralização, com mais poderes para as autarquias e, claro, o tão famoso PÊ-ERRE-ERRE (nada a fazer, já todos o chamam simplesmente pela sigla PRR), o Plano de Recuperação e Resiliência para o pós-pandemia. Foi assim por todo o distrito do Porto. Por todo? Não. Um concelho povoado (o segundo maior do país) por um processo autárquico que desagradou o líder ficou a ver Costa passar.

No distrito, Costa foi a Marco de Canavezes, Penafiel, Paredes, Valongo, Maia, Matosinhos, Gondomar e Vila Nova de Gaia, mas não passou pelo Porto. É uma estratégia pouco comum em campanhas socialistas, embora a estrutura a desvalorize com o comício de fecho ao lado de Tiago Barbosa Ribeiro — que Costa visitou, às escondidas da caravana, no dia que dedicou ao distrito e o que valeu ao candidato uma fotografia publicável nas redes sociais. Mas os comícios de fecho das campanhas são coisa a nível nacional, bem menos impactante do que o apoio isolado do líder ao candidato local junto dos seus eleitores.

Em Lisboa, por exemplo, Costa estará três vezes ao longo da campanha oficial, nada parecido com a segunda maior cidade do país onde o PS está convencido que Rui Moreira fará de rolha à progressão do PSD. E onde o processo de escolha do candidato foi atribulado e envolto em lutas da estrutura partidária local que desagradaram o secretário-geral. As guerras neste distrito concreto estão no ADN do PS local — não foi por acaso que tanto Luísa Salgueiro como o próprio líder falaram no passado de desavenças por ali, em Matosinhos.

Prémio 1. Metros, creches, centros de saúde brotam do PÊ-ERRE-ERRE

O Porto foi, assim, menos uma plateia para ouvir a ladainha desta candidatura socialista que tantos “ciúmes” ou “inveja” ou até “raiva” — o líder do PS-Porto Manuel Pizarro ainda não decidiu qual assenta melhor a Rui Rio — suscita à direita. É o primeiro prémio da montra que o líder do PS — que também é primeiro-ministro — tem exibido nesta campanha. E este domingo até ouviu duas autarcas socialistas da região, Cristina Vieira (Marco) e Luísa Salgueiro (Matosinhos) a avisarem-no que o têm ouvido bem. A primeira, de manhã, disse-lhe “venha o PRR, venha ele!” e a segunda, à tarde, atirou: “Senhor secretário-geral, diga ao primeiro-ministro que se prepare. Nós já temos a gaveta cheia de projetos”.

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O encadeamento de ideias de Costa nesta matéria é sempre igual, a cada comício, mas a colagem do programa europeu à linha do PS tem vindo em crescendo. Primeiro, Costa fala no PRR, coloca-o como instrumento com o qual “não se pode perder tempo”, até porque o prazo de execução é curto (2026). Mas no sábado, em Braga, foi mais fundo ao dizer que “não podemos ter municípios entregues a quem não quer o PRR, mas a quem quer arregaçar as mangas e pôr no terreno o PRR”. E mais ainda, sobre o mesmo mecanismo: “Temos de ter à frente das câmaras quem acredita na saúde pública e na escola pública (…) Não é a mesma coisa ter uma câmara liderada pela esquerda ou uma liderada pela direita”.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Este domingo, em Gondomar, disse mesmo ter “muita dificuldade em perceber a raiva que alguns partidos demonstram ter ao PRR. O PS não vai ganhar os 308 municípios, alguns hão-de ser ganhos por outros partidos, mas a grande sorte dos outros candidatos é não terem os seus partidos no Governo, porque se tivessem não tinham nem PRR nem meios para fazer o que todos vão poder fazer”.

Para os seus, pelo país, vai promovendo: “Precisamos de mais creches, de unidades de cuidados continuados e mais recursos e meios de diagnóstico nos centros de saúde. E para que isso aconteça, o PRR tem verbas à disposição dos municípios”. É quase um slogan repetido a cada paragem.

Nestes dias as suas promessas de futuro vão, assim, desde creches, centros de saúde, hospitais, metro, rendas acessíveis, pontes e estradas ao investimento nas empresas. E nem só do PRR virá tudo isto que Costa promete. Por exemplo, este domingo, quando passou por Paredes, o socialista também falou no pacote comunitário Portugal 2030, nomeadamente, quando “disponibiliza para a capitalização das empresas, e para investir na inovação tecnológica, 2.930 milhões de euros”, isto além dos 2.300 milhões de euros de reserva. O dobro garante, do que aquilo que as empresas tiveram no anterior programa de apoio comunitário. E, em Penafiel, à porta da Confeitaria Alvorada prometeu, também ao abrigo do PRR, que vem aí  a obra do IC35, que liga Penafiel a Rans — a terra de Tino que tomou um café com o líder do PS — e daí até Entre-os-Rios.

E quando, no final do dia de domingo, a plateia gondomarense pediu, no anfiteatro do Largo do Souto, “me-tro, me-tro”, Costa aproveitou o embalo para dizer que sim, “o próximo ciclo de financiamento comunitário vai permitir construir uma nova linha que vai ligar Gondomar ao estádio do Dragão”. Mais um coelho que saiu desta cartola europeia.

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Prémio 2. Os campeões da vacinação e a cenoura da libertação

A “bazuca” é a grande arma de Costa nesta campanha, mas não é a única, também o combate à pandemia tem sido um argumento habitual a cada comício, e até da parte dos dirigentes locais do partido. Por exemplo, Manuel Pizarro, logo em Marco de Canavezes pela manhã apresentou António Costa como “o homem que combateu a pandemia” e o próprio tem insistido que o país dará a “pandemia por controlada” daqui a “uns dias”, se detalhar, no entanto, se isso acontecerá antes ou depois das eleições do dia 26.

De Valongo levou uma regueifa de cinco quilos e deixou um elogio aos portugueses por não ter sido necessário discutir sobre a vacinação obrigatória contra a Covid-19 em Portugal. “Como é que é possível que num país com 10 milhões de habitantes esta questão nunca se tinha colocado, porque nunca foi necessário discutir se devia ser obrigatório porque todos sentiram que era seu dever cívico assim ser?”.

O capítulo também serviu para atirar à oposição que acusa de ter dito, “quando as vacinas foram descobertas, que o Governo não seria capaz de comprar vacinas. Depois a União Europeia comprou as vacinas, e disseram ‘não vão ser capazes de administrar as vacinas e isto vai ser o caos’. E hoje sabemos que Portugal está em primeiro lugar na execução do plano de vacinação a nível mundial”.

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Prémio 3. Mais poderes para quem se segue

Outra cenoura agitada à frente do nariz dos autarcas e eleitores, nesta altura eleitoral, é o reforço de poderes a que as autarquias irão continuar a assistir no próximo mandato. Em Marco de Canavezes, Costa disse muito daquilo que autarca que se preze mais anseia ouvir: que são eles que têm “melhores condições para resolver os seus problemas do que quem está lá longe”, em Lisboa. E isto associado à outra promessa: “No próximo mandato vamos avançar ainda mais na descentralização, e também nas áreas da educação, da saúde, da ação social”.

Serão os autarcas, insistiu, “que vão escolher onde vão investir o dinheiro”e “vão passar a ter, a partir de abril, mais mil milhões de euros que acompanham” essa mesma transferência de competências.

O tema teve especial foco pelo distrito do Porto, que reclama há anos pela descentralização de competências que se queixa de estarem concentradas em Lisboa. Costa só não tocou naquilo que também tem no seu programa, embora com execução para lá deste seu segundo mandato: o referendo à regionalização cujo debate defende que comece no final de 2024.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Prémio 4. Obras mil como cartão de visita

O desvio, logo no começo deste intenso périplo de fim de semana, para ir ter com um punhado de pessoas que, em Mondim de Basto, queriam agradecer a obra que fez a ligação que o seu Governo fez entre a terra e Celorico de Basto, dava o mote. Não que este se tivesse transformado no simples roteiro da obra do Governo socialista liderado por António Costa, mas o líder socialista não se coibiu de apontar para o carril onde circula como primeiro-ministro.

Em Vila Nova de Gaia apontou o papel do Governo no Programa de Redução Tarifária e em Vila Nova de Famalicão vendeu a sua negociação em Bruxelas do PRR — “batemo-nos e ganhámos para resolver um problema estrutural”, que acusou o Governo de Passos Coelho de ter provocado sobre a inscrição da verba para construir a ponte sobre o rio Ave e ainda ter a Nacional 14 “totalmente requalificada”.

É um líder socialista à pendura de um primeiro-ministro que, para a recuperação pós-pandemia, tem não apenas na mão mais um quadro de fundos comunitários, mas também um programa adicional com uma componente a fundo perdido que Costa tem pressa de pôr em marcha. Quer aproveitar a solidariedade europeia que desta vez não veio acompanhada de austeridade (sempre que pode, mais uma alfinetada ao PSD de Passos Coelho). Agora, o objetivo é ir além… do famoso PÊ-ERRE-ERRE e não “limitar a recuperar o que perdemos”.

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