Pedro Marques anunciou melhorias no IP3. E o que aconteceu? “Nada”

14 Maio 2019243

Perigo: Troço do IP3 frágil. Perigo: incêndios como os de 2017 podem repetir-se. Causa: a incompetência do Governo. De helicóptero ou na estrada, Rangel denuncia falhas socialistas

Artigo em atualização ao longo do dia

Pedras no caminho, Rangel denuncia-as todas. O cabeça de lista do PSD foi até Penacova, ao IP3, mostrar uma zona do troço danificada. Enquanto aponta para o tabuleiro danificado, que tem uma via inutilizada, Rangel alerta para aquilo que é uma marca do governo: “Deixa os portugueses por cima do perigo, sem eles saberem”. E alerta: “Vimos o que aconteceu em Borba”. Sucederam-se camiões com carga a passar junto à zona debilitada. “Isto é um perigo”, denunciava o antigo líder da distrital de Coimbra, Maurício Marques, que se demitiu na sequência da vitória da moção de confiança de Rio no Conselho Nacional do início do ano.

Rangel ficou nessa contenda ao lado de Rio, mas é outro Marques que o preocupa. Aquele que também culpa por o IP3 não estar melhor. O governo, lembra Rangel, fez o “lançamento do concurso” para melhor esta estrada “em julho de 2018”. Depois disso, “a adjudicação foi anunciada por Pedro Marques, por sinal, o cabeça de lista  do PS em janeiro, e entretanto não aconteceu nada.”

Para o candidato do PSD, isso é algo que se cola à pele de Marques: “Mesmo antes de se ir embora deixou tudo anunciado e simplesmente não acontece nada”. E, em jeito de rábula, afirmou: “O que Pedro Marques fez foi apenas falar, falar, falar. Prometeu, prometeu, prometeu, mas nada acontece“.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Rangel e o PSD sempre se preocuparam com a veia mais despesista dos socialistas, mas agora prefere destacar que não haja investimento do Governo na rodovia: “É uma vergonha Coimbra e Viseu não terem uma ligação em auto-estrada, ou pelo menos uma ligação aceitável“.

O candidato do PSD insiste que o governo socialista não protege “pessoas e bens” porque “manter as estruturas não dá votos”. Aproveitando as más condições da estrada, Rangel destacou que a mortalidade nas estradas desceu durante 20 anos, mas nos últimos três piorou, numa referência a 2017, 2018 e aos primeiros cinco meses de 2019. Para Rangel, a culpa é das “cativações” de Centeno, que provocam “desinvestimento na prevenção rodoviária”, seja na sensibilização na comunicação social, seja no apoio às brigadas de trânsito da GNR para terem uma ação dissuasora. “As brigadas de trânsito não têm dinheiro para o combustível”, denuncia.

Da beira da estrada para a estrada da beira (e a promessa do pastel de nata)

As declarações de Rangel junto ao IP3 foram literalmente à beira da estrada. Dali, a caravana passou para a estrada da Beira (Nacional 17) para chegar ao ponto seguinte da campanha: a visita à empresa Frisalgados. Depois de incêndios e problemas em vias rodoviárias, Rangel teve de se esforçar para não ser acusado de estar a confundir, precisamente, a beira da estrada com a Estrada da Beira.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Depois de um voo sobre área ardida (mais abaixo neste texto) e do IP3 (mais acima deste texto) uma empresa de salgados. Rangel explicou que a empresa decidiu avançar para uma “expansão no momento em que havia repressão do território, linhas de investimento para recuperação do território”. Para o eurodeputado é preciso fazer críticas, mas também “os bons exemplos”. Ou seja: a empresa não foi afetada pelos incêndios, mas aproveitou as linhas de crédito criadas para ajudar a zona Centro e cresceu.

A visita foi curta e gelada, com Rangel a assistir à forma como a empresa faz, por exemplo, pastéis de bacalhau. Foi também a estreia do uso da típica toca e bata em período oficial de campanha, como o candidato fez questão de registar no fim da visita: “Já estava a estranhar”.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

De estranhar é também quando Paulo Rangel não ataca Pedro Marques. Estando na zona dos incêndios, o candidato do PSD faz um “balanço muito negativo” da resposta do governo à destruição dos incêndios.”A quantidade de pessoas sem qualquer reconstrução é enorme. A resposta tem sido lenta, apesar de haver fundos”, denuncia. Para Rangel, isto “tem a ver com um padrão de comportamento do governo Costa”. E de um ministro em particular: “Basta ver as vezes que Pedro Marques veio cá, que veio cá muitas vezes, mas nada aconteceu. Tem sido uma recuperação lenta, mal gerida, com imensos escândalos”. Um jornalista fez uma metáfora, aproveitando estar na Frisalgados, sobre se a resposta do Governo está a ser salgada. Rangel prefere outro termo: “Avinagrada, porque o sal sempre dá algum tempero”.

No fim da visita, Rangel, tal como tinha prometido ao diretor da empresa, foi provar um pastel de nata fabricado pela empresa. “Ao contrário de Pedro Marques eu anuncio e inauguro: estou a inaugurar este pastel de nata. Está bom”, atirou.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Rangel, de helicóptero, denuncia risco de novos incêndios e responsabiliza o governo

Na primeira ação da manhã, Paulo Rangel entrou no helicóptero e ouviu mais do que falou, no arranque de um dia de campanha dedicado ao problema dos incêndios. Ao lado do investigador Xavier Viegas, o candidato do PSD viu com os próprios olhos aquilo de que já falou muitas vezes: sobrevoou durante mais de uma hora a área ardida nos incêndios de Pedrógão e de outubro de 2017. É o episódio mais negro dos anos da governação Costa – 117 mortos e o PSD não cansa de o repetir. Três mil pés acima do nível do mar, o candidato ficou impressionado com a dimensão do estrago: “Ardeu tudo isto?

Rangel, que tinha entrado no helicóptero em Cernache curioso (“estou bastante entusiasmado”), aterrou na Lousã “muito preocupado“. A razão? Por inoperância na gestão florestal, em três anos pode haver um incêndio igual ao de 2017 em Pedrógão Grande.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Ao lado de Rangel, o especialista e investigador dos incêndios de Pedrógão, confirmou tecnicamente o que Rangel denunciou: que este ano pode ser muito complicado e que a curto prazo pode voltar a haver incêndios com a mesma violência. Xavier Viegas diz que “mesmo nestas áreas ardidas infelizmente não se vê muito trabalho na recuperação da floresta e do ordenamento do território de modo a que possamos estar descansados.”

A bordo, o especialista traçou um retrato ainda mais preocupante: “Em toda esta região, começando por Pedrógão e em todo lado, vemos que está a regenerar o eucalipto sem qualquer gestão. De facto, vai-se acumular combustível que, em três anos, pode permitir que haja propagação de incêndios com grande violência e com dificuldade de controlo“.

A um dia do início da época oficial de incêndios, Rangel quis denunciar as maiores falhas do governo socialista e alertar para um problema. Paulo Rangel diz-se preocupado por o Governo “ter alterado por completo as regras da [Autoridade Nacional de Proteção Civil e a sua organização (…) praticamente na fase pré-fogos”. Esta reorganização, denuncia Rangel, vai “alterar por completo todos os comandos“. Isto traz má memória ao eurodeputado que recorda que esta alteração “faz lembrar o que aconteceu em 2017”, quando o governo fez uma “mudança das chefias à ultima hora”.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Rangel critica ainda o governo por não ter resolvido os problemas do SIRESP em dois anos. O candidato do PSD considera “estranho que um primeiro-ministro que está sempre a dizer que as contas estão em ordem, que tem a maior a maior carga fiscal de sempre, depois não está em condições de pagar as dívidas ao SIRESP”.

Para Rangel as pessoas não querem saber do “passa-culpas“, mas sim que situações (como a do SIRESP) sejam resolvidas. E nunca deixa de associar as falhas ao executivo de Costa, dizendo que “em 2017 houve desinvestimento na Proteção Civil e esse desinvestimento teve relação com os fogos”. Também Pedro Marques, como tinha acontecido na noite de segunda-feira, foi visado pelas falhas do sistema no pós-calamidade.

Rangel defendeu que foi o PSD que lutou no Parlamento Europeu para a aplicação do mecanismo europeu no apoio às povoações atingidas em Pedrógão, conseguindo 50 milhões para o Fundo de Solidariedade de Pedrógão. O candidato diz, no entanto, que “infelizmente o Governo, com responsabilidade do então ministro e agora candidato do PS, desviou metade das verbas para despesas burocráticas. E o resto, são candidaturas que estão por fazer”. O PSD garante ter a Proteção Civil como “prioridade” e lembrou que defende, no seu programa, a criação de uma Força Europeia de Proteção Civil.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Durante o voo, Rangel registou que as áreas do incêndio de outubro estavam muito mais cinzentas do que a área de Pedrógão, onde já há muito verde. Mas é um verde perigoso que pode funcionar como combustível, o tal de que falava Xavier Viegas. O investigador também fez reparos ao Governo pelo facto de não ter resolvido a questão das linhas elétricas. Segundo registaria minutos depois num powerpoint no Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais: “Em 2003, houve 23 vítimas mortais  em incêndios e nenhuma devido a fogos causados por torres elétricas; em 2005, cinco em 23 foram causadas pelo mesmo motivo e, em 2017, 79 das 117 mortes de 2017 foram provocadas por incêndios que começaram em linhas elétricas.”

Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rpantunes@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)