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Quem foi Elizabeth Eleanor Siddall?

A pergunta devia ser de resposta fácil, mas não o é. Passados 156 anos da sua morte trágica e prematura e da abertura da sua campa por ordem do marido, Lizzie, como era chamada por aqueles que lhe eram mais próximos, permanece tão enigmática como parecia ser em vida. O seu rosto, um dos mais famosos da História da Arte, pouco diz, mas foram muitos aqueles que tentaram encontrar no seu olhar, retratado por alguns dos mais importantes artistas ingleses do século XIX, uma sombra da melancolia que consumiu os seus últimos anos de vida e que parece tê-la levado ao suicídio. Com os seus versos, assim como com a sua pintura, não foi diferente — durante décadas, a sua produção artística, acusada de não ter valor nenhum, só parecia interessar do mero ponto de vista biográfico ou pela sua ligação a Dante Gabriel Rossetti, com quem casou depois de um longo noivado, dois anos antes de morrer. Talvez por aí seria possível descobrir a verdadeira Lizzie. A trágica Lizzie.

Mas será que a mulher de Dante Gabriel Rossetti, um dos grandes impulsionadores do movimento pré-rafaelita, que buscava a inspiração na pintura anterior a Rafael, foi apenas isso? A modelo para a famosa Ophelia de Millais, para a Viola de Deverell e para a Sylvia de Hunt?

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