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FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

Filas à porta, música e uma salva de palmas. Assim reabriram shoppings e grandes lojas em Lisboa /premium

As filas para entrar na IKEA de Loures começaram às 8h e os primeiros clientes foram aplaudidos. Pelo UBBO, com balões em formato de arco-íris à entrada, passaram mais de 14 mil pessoas.

Não fossem as máscaras a cobrir metade do rosto dos clientes, a sinalética no chão a indicar o caminho a seguir e os múltiplos dispensadores de gel aqui e acolá, dir-se-ia que tanto na IKEA de Loures como no centro comercial UBBO, ambos no distrito de Lisboa, esta foi uma manhã normal a fazer lembrar um período pré-pandemia. Segunda-feira, 15 de junho, marcou a reabertura dos estabelecimentos com uma dimensão superior a 400 metros quadrados na Área Metropolitana de Lisboa, com a capital a juntar-se ao ritmo do desconfinamento das restantes regiões do país.

Estava previsto que as portas da IKEA Loures abrissem às 10h, à semelhança do que aconteceu nos centros comerciais cuja atividade normal ainda não tinha sido retomada, e 45 minutos antes já dezenas de pessoas marcavam lugar na fila para entrar. Fizeram-no respeitando uma distância de dois metros assinalada no chão, na forma de bolas amarelas, sendo que as pessoas a ocupar a linha da frente estavam ali desde as 8h — algumas por motivos profissionais, outras para mudar detalhes nas casas onde ficaram confinadas nos últimos meses.

Numa altura em que Lisboa e Vale do Tejo ainda soma mais novos casos de Covid-19 que o resto do país, a enorme loja optou por ter apenas uma entrada e uma saída, de maneira a melhor controlar a afluência dos clientes. Mas antes que as portas pudessem abrir e fechar já eram muitas as pessoas acumuladas no exterior: com o aproximar das 10h, as dezenas transformaram-se em quase duas centenas (contadas a olho nu) e a fila foi além das vedações de metal preparadas para o efeito, chegando mesmo ao estacionamento do vizinho Lidl.

De máscaras postas, os primeiros clientes foram recebidos por funcionários da marca, que lhes bateram as palmas, e foram convidados a subir as escadas rolantes enfeitadas com balões com as cores da IKEA — curiosamente, semelhante situação seria encontrada no UBBO, com balões em forma de arco-íris a forrarem as entradas e uma banda ao vivo a receber os clientes. O desconfinamento foi, de certa forma, uma celebração das grandes superfícies que estiveram quase três meses encerradas ou a funcionar parcialmente. No caso em particular da IKEA de Loures, a loja fechou na altura em que foi declarado o estado de emergência e só esta segunda-feira retomou o negócio.

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Lá dentro, onde só podem estar em simultâneo 1.400 pessoas, a maior reestruturação aconteceu na zona da restauração: contam-se muito menos mesas e as que existem estão espaçadas em entre si; o sistema de selfservice, muito característico da marca, cessou e atualmente todos os consumidores são servidos por funcionários — seja para escolher o almoço, seja para consumir um simples café. E se antes a ocupação era de 600 pessoas, agora apenas 240 podem estar ao mesmo tempo naquele espaço.

A zona de loja continua a ser caracterizada por corredores cujo caminho está assinalado, os quais se encheram de pessoas durante as primeiras horas da manhã. O mobiliário foi organizado de maneira a que fosse mais fácil circular e os catálogos em papel desapareceram — tal como os pequenos lápis de madeira para anotar as referências dos produtos, que deixaram de existir. A isso acrescem outras preocupações: agora, experimentar um colchão implica que um colaborador aplique primeiro uma película descartável e nas zonas de planificação de cozinhas, por exemplo, a informação trabalhada pelo funcionário no computador é espelhada num segundo ecrã, de maneira a manter a distância entre colaborador e cliente. Os balcões de atendimento foram reduzidos, os dispensadores de álcool em gel acompanham os ecrãs táteis que existem em toda a loja e os elevadores de maior dimensão já só podem levar quatro pessoas à vez.

Fila para entrar na IKEA de Loures e, já no interior, a receção animada

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

“Estamos a antecipar uma afluência significativa. Acreditamos que nestes primeiros dias vamos ter muitas pessoas. As lojas que já abriram têm tido um bom nível de visitação, o que pode obrigar, em alguns momentos, a conter a entrada na loja”, comentava ao Observador Cláudia Domingues, diretora de comunicação, momentos antes da chegada dos primeiros clientes — à semelhança deste espaço, reabriram também os estúdios de planificação da marca no Rio Sul Shopping, no Seixal, no Fórum Sintra e, pela primeira vez, o novo espaço no CascaiShopping. Já as lojas em Braga, Matosinhos e Loulé retomaram a 1 de junho.

Um dia depois de ter sido divulgado que a IKEA quer devolver os apoios estatais a nove governos, incluindo o português, o ministro da Economia marcou presença na loja de Loures. “A primeira palavra que gostava de dar nesta reabertura é uma palavra de confiança para todos os consumidores da nossa região e para todos os consumidores do nosso país na busca pelos espaços comerciais”, afirmou Pedro Siza Vieira, para depois garantir que os casos de infeção em Lisboa e Vale do Tejo estão “estáveis desde há várias semanas” devido aos “testes intensivos”. No dia em que o ministro apelou a “comprar em Portugal”, foram muitos os que rumaram as estes espaços, tanto que às 12h30 uma voz anunciava ao altifalante que a loja de mobiliário sueco tinha alcançado a sua lotação máxima.

UBBO recebeu 7.500 pessoas numa hora

Algumas horas depois de as portas estarem abertas, Tiago Santos Pereira, diretor do UBBO (que até janeiro de 2019 teve o nome de Dolce Vita Tejo), fazia as contas: até às 11h, aquele que é o maior centro comercial do país, com 280 lojas, tinha recebido cerca de 7.500 pessoas. Isto significa que, em simultâneo, a grande superfície acolheu um máximo de 1.800 visitantes, um número ainda assim bastante abaixo da capacidade permitida por lei (6.285). Ao todo, até às 17h desta segunda-feira passaram pelo UBBO 14.474 pessoas.

Para o efeito, várias medidas de segurança foram implementadas, a começar pela presença contínua de vigilantes em cada uma das entradas, de maneira a garantir que ninguém entra no centro sem máscara — para contornar situações de esquecimento, também nas entradas foram adicionadas máquinas que vendem máscaras a quem precisar. A isso acresce o reforço de vigilância para controlar a taxa de ocupação do centro e o distanciamento social no seu interior. Também as equipas de limpeza foram reforçadas nas zonas de refeição, para que as mesas sejam continuamente “limpas e desinfetadas”, sendo que existe uma pessoa de limpeza em permanência nas casas de banho.

Pedro Colimão, da loja Kiabi, e Tiago Santos Pereira, diretor do UBBO

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

A Kiabi, dedicada ao vestuário, foi um dos espaços que retomou a atividade após quatro meses encerrada. Ao início da tarde, o gerente Pedro Colimão explicava ao Observador que os clientes estavam a surgir aos poucos, situação que associou aos novos casos de contágio na região de Lisboa e Vale do Tejo. Ainda assim, mostrou-se preparado: “À entrada, os clientes são todos convidados a desinfetar as mãos. As superfícies são limpas a cada cliente, sendo que a lotação está limitada a 75 pessoas. Limitámos as entradas e criámos um ponto de entrada e outro de saída, para que os clientes não se cruzem. Os provadores estão encerrados neste momento, mas os clientes podem fazer trocas ou devoluções de artigos que ficam depois 48 horas em quarentena”.

Se na Kiabi a afluência não foi esmagadora, o mesmo não se pode dizer da Primark. Ainda não eram 10h e já havia uma longa fila para entrar — a sinalética no chão, que marca a distância de segurança entre os potenciais clientes, estava completamente preenchida e, apesar de a maior concentração ter sido na parte da manhã, à hora de almoço ainda havia fila para entrar. Já a loja Pandora, a trabalhar em horário reduzido, recebeu os primeiros clientes às 12h, sendo que apenas deixou entrar uma pessoa de cada vez. “Nesta fase inicial estamos restringir a entrada a uma pessoa. Os nossos colaboradores têm de se adaptar”, explicava o administrador da empresa Frederico Carneiro.

Apesar da preparação de uns e da adaptação de outros, não são todos os espaços que estão a funcionar no UBBO: a KidZania, por exemplo, permanece encerrada ao público. Ainda assim, esta segunda-feira duas lojas abriram pela primeira vez.

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