Depois da exumação de Francisco Franco há cerca de um mês (25 de outubro) e da sua trasladação para o cemitério de Mingorrubio, nas proximidades de El Pardo, José Antonio Primo de Rivera é agora a figura histórica mais relevante no memorial franquista do Valle de Los Caídos, erguido em memória dos nacionalistas mortos na Guerra Civil Espanhola. Primo de Rivera, curiosamente, até é Comendador da portuguesa Ordem Militar de Cristo. Mas o pensador político espanhol é hoje praticamente um desconhecido para o público português; e, mesmo nos meios académicos, há vários consagrados historiadores que o confundem com o pai, o general Miguel Primo de Rivera. Mas no início dos anos 70 do século passado, enquanto muitos cantavam os “gloriosos” feitos de Mao ou de Che Guevara, outros liam José Antonio num livro de José Miguel Júdice, que, em 1972, publicou uma antologia apologética dos seus textos.

A entrada na política

A entrada de José Antonio na política começou essencialmente após o biénio socialista-azañista da Segunda República espanhola. O cenário político que então se vivia no país vizinho correspondia já a um vulcão prestes a entrar em ebulição. José Antonio, nasceu em Madrid, em 1903, no seio de uma família andaluza de Jerez de la Frontera de notável sinete militar. Depois de uma clássica formação escutista católica, começou a passear, tal como outros jovens intelectuais do pós-guerra, pelas margens das águas do fascismo e dos movimentos similares, o que lhe ficaria para sempre colado como irremovível etiqueta, nomeadamente pelos historiadores anglo-saxónicos.

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