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Valeu-lhes a arrecadação do restaurante. Foi lá que o neonazi Mário Machado e Carlos Seabra se refugiaram quando mais de 40 membros dos Hells Angels Motorcycle Club (HAMC) terão invadido o estabelecimento e começado a agredi-los. Bastões de madeira e de ferro, martelos, uma base de gesso de um arbusto sintético com mais de quatro quilos e até as mesas e cadeiras do restaurante — segundo a investigação, tudo terá servido para os espancar. Machado e Seabra terão chegado mesmo a ser atingidos com uma faca no peito e nas costas. Não tiveram outra hipótese senão fugir para a arrecadação e lá se fecharem à chave. Se assim não fosse, a investigação está convencida de que acabariam por morrer.

É por este e por outros crimes que o juiz Carlos Alexandre decidiu que o caso devia seguir para julgamento e que todos os 89 membros dos Hells Angels envolvidos deveriam ser julgados, segundo o despacho de pronúncia a que o Observador teve acesso. Para o magistrado, este grupo “não é um simples clube recreativo motard, mas um conjunto de pessoas que se organizam em moldes paramilitares ou semelhantes ao modo de atuação de uma milícia“. Um dos arguidos, no entanto, vai apenas responder por um crime de consumo de estupefacientes, e não pelos 15 de que estava acusado, num processo separado a decorrer num tribunal singular. Os restantes 88 vão ser julgados por homicídio qualificado na forma tentada, associação criminosa, detenção de armas e munições proibidas, ofensa à integridade física qualificada, roubo qualificado, dano qualificado, tráfico de estupefacientes e consumo — crimes cujas penas, juntas, podem chegar aos 25 anos de prisão. 

A sede dos Hells Angels, em Lisboa

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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