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Domingo, dia 10 de março, o horário nobre do pequeno ecrã foi ocupado por dois reality shows“Quem quer casar com o meu filho?”, na TVI, e “Quem quer namorar com o agricultor?”, na SIC — que em poucas horas deram fôlego a uma indignação generalizada. No dia seguinte, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) recebeu queixas contra os dois formatos que estão a ser acusados de exacerbar desigualdades de género e preconceitos sociais.

Ao coro de denúncias juntaram-se reações públicas: dos humoristas Ricardo Araújo Pereira, Bruno Nogueira e Guilherme Duarte à associação feminista Capazes (na qual a apresentadora do formato da TVI, Leonor Poeiras, é cronista), sem esquecer a nota pública das mulheres socialistas. A UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, por sua vez, endereçou uma carta à ERC e à CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género. “Esperemos que façam alguma coisa. Não percebo o propósito dos programas nem das estações televisivas”, diz Teresa Sales, da direção da UMAR, ao Observador.

Quem disse o quê?

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  • Ricardo Araújo Pereira: “Também se aconselha ver através de um vidro fosco porque aquilo é como estar a olhar para o sol da estupidez e da indignidade. É muito brilhante, tão brilhante. Tive de ver em movimento rápido (…) Eu devia ser mais profissional, devia ter visto aquilo do princípio ao fim, mas eu não aguentei”.
  • Bruno Nogueira: “Não vale a pena sequer referir que, 48 horas depois da grande celebração do dia da mulher e da independência da mulher, temos um programa em que um tipo está sentado num sofá com a mãe ao lado e entram mulheres por uma porta, tipo gado, e são questionadas por um menino da mamã e pela sogra com perguntas do género ‘Sabe cozinhar? O meu filho gosta de comer muito’”.
  • Guilherme Duarte: “‘Sabe fazer bons felácios? Sabe como é, um homem conquista-se pela boca’. Isto, sim, seria uma mãe preocupada com o bem-estar e a felicidade do filho. Estas mães não querem uma nora, querem uma Bimby”.
  • Rui Sinel de Cordes: “Não sei se estou a ver reality shows ou filmes de terror. Já tapei a cara quatro vezes, saltei do sofá sete e gritei mais de vinte: ‘Eia f*-se, c’um c***!’”.
  • Capazes: “Estes programas são graves para as mulheres no reforço de estereótipos extremamente prejudiciais – tanto no formato da TVI como no formato da SIS , as mulheres estão “na montra” para serem escolhidas, vão desfilando tipo gado e os homens estão na superior posição de as escolher com critérios de absurdo machismo e sexismo (…) Também são graves para os homens pois retratam-nos como acéfalos, incapazes de cumprir tarefas domésticas, dependentes, submissos às mães, amorfos, apenas interessados em escolher uma pessoa com base no tamanho no rabo e nos dotes para a cozinha.”
  • Mulheres Socialistas: “Imagens estereotipadas de género que contrariam o princípio da igualdade constitucionalmente garantido”.

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No programa “Quem quer namorar com um agricultor?”, cinco agricultores conhecem 17 mulheres e têm de escolher quais delas querem levar para o campo para, talvez, assumir uma relação. Em “Quem quer casar com o meu filho?”, são as mães dos concorrentes que escolhem as mulheres mais adequadas para casar com os filhos. Sociólogos, críticos de televisão e investigadores dos média ajudam a explicar o que pode haver de perverso nestes dois reality shows.

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