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O "Zé Povinho" entrou na campanha do Bloco de Esquerda, assim como Francisco Louçã

O BE deu início à segunda semana de campanha com uma visita à feira de Espinho e com um reforço de peso: Louçã. Entre muitos elogios, também se ouviram acusações. "Querem enganar o Zé Povinho".

(Artigo em atualização ao longo do dia)

A segunda semana campanha do Bloco de Esquerda arrancou como a antítese da primeira. Se nos primeiros sete dias o partido preferiu ações em ambientes controlados – tendo apenas duas arruadas em Lisboa – e optou por evitar as multidões, o primeiro dia da reta final começou precisamente ao contrário, com um dos ambientes mais imprevisíveis das campanhas eleitorais: as feiras.

O local escolhido para esta estreia foi Espinho, “uma terra dominada pelo PSD e pelo CDS“, como notaria mais tarde Marisa Matias. Mas não por isso um local desfavorável à passagem do BE. É mesmo um must das campanhas bloquistas, que raramente dispensam a passagem por esta feira, e não só – em fevereiro o partido realizou as suas jornadas parlamentares em Aveiro e passou pela feira para cantar as glórias do último Orçamento do Estado da legislatura.

Trata-se portanto de um clássico das campanhas bloquistas. A prova disso foi o facto de o partido ter jogado um dos seus maiores trunfos nesta ação: Francisco Louçã. O BE chegou a Espinho com pompa e circunstância. Além da presença do fundador apresentou-se com um grupo de cerca de vinte pessoas de bandeiras ao alto.

A presença musculada não chegou para disfarçar a demora em aparecer por estes lados, que foi assinalada logo na terceira banca por onde a comitiva passou. “Já tinha perguntado por vocês. Onde é que têm andado?”, questionou a feirante, atenta à campanha. “Temos estado e contacto com as pessoas e em todo o país“, afirmaria aos jornalistas Marisa Matias no fim da visita, tentando rebater a ideia de que o partido tem evitado o contacto popular. Antes, à comerciante, Marisa apenas respondera com beijinhos e um longo abraço.

Por essa altura já a candidata tinha recebido um cacho de uvas de uma outra feirante – “tome lá um cachinho, como da última vez”, disse recordando a campanha presidencial de há três anos. Entre novos beijinhos e abraços, a candidata era abordada por várias pessoas que faziam questão de a cumprimentar. “Está cada vez mais bonita!”; “É muito simpática!”; “Marisa, vá em frente!”. Os elogios chegavam de quase todos os lados. Mas a visita não se fez sem percalços.

O diálogo ameaçava tornar-se circular até que uma feirante, a senhora Nazaré, deixou a sua banca para reforçar as tropas bloquistas. "Mas não foi este partido! Este partido não tem culpa nenhuma. A senhora sabe lá o que está a dizer". Um golpe de asa a que respondeu com um argumento no mínimo alternativo. "E o apoio às livrarias? O povo português é dos mais analfabetos". Fez-se silêncio. Mas Nazaré arrumou o assunto com o clássico quem-diz-é-quem-é.

No meio dos vários apoios e palavras de motivação que a eurodeputada ia recebendo, ouviu-se ao fundo uma voz de protesto. “Não enganem mais o povo. Vocês só nos enganam”. A queixa foi-se tornando mais audível. Parte da caravana bloquista ouviu e decidiu seguir o percurso, procurando estancar ali um potencial problema. Mas a indignação da senhora ia crescendo em decibéis e em intensidade. “Vocês querem enganar o Zé Povinho“, gritava.

As atenções ficaram divididas entra a candidata e a protagonista inusitada. No calor do momento, as decisões da comitiva dividiram-se: uns seguiram a candidata outros ficaram. Agindo de improviso, o número dois da lista do partido às eleições europeias, José Gusmão, enfrentou o problema de frente. “Nós descongelámos as pensões, minha senhora”, disse. “Isso é o que vocês dizem. É só para nos enganar. Subiram o nosso IRS”, retorquiu. “Não. Nós descemos o IRS“. Mas a comerciante não desarmava. “Mas aumentaram os impostos”. O bloquista voltou a insistir na descida do IRS.

O diálogo ameaçava tornar-se circular até que uma feirante, Nazaré, deixou a sua banca para reforçar as tropas bloquistas. “Mas não foi este partido! Este partido não tem culpa nenhuma. A senhora sabe lá o que está a dizer”. Um golpe a que respondeu com um argumento no mínimo alternativo. “E o apoio às livrarias? O povo português é dos mais analfabetos”. Fez-se silêncio. Mas Nazaré arrumou o assunto com o clássico quem-diz-é-quem-é. “A senhora também é portuguesa, por isso a analfabeta é você!”.

O momento durou poucos segundos e foi rapidamente ultrapassado. Marisa Matias, mais à vontade, e Francisco Louçã, com uma pose mais senatorial e menos dada às feiras, iam distribuindo panfletos, beijinhos, abraços e frases feitas. “Dia 26 vote para defender o povo”. A eurodeputada era a mais solicitada, o fundador era mais admirado. “Ali vai o Louçã. Mas ele não me vê… Ele ‘tá bom para ir aos figos. Olha para aquela altura. Quando saiu achei que ia minguar mas até cresceu”, disse alguém para o amigo que o acompanhava e que ia tapando a boca para disfarçar o riso por essa altura descontrolado que ia tomando conta dele.

A visita à feira correu bem à comitiva. Muitas palavras de força, outras tantas de promessas de voto. Apenas uma verdadeira indignação. O saldo foi claramente positivo e seria confirmado pela última abordagem de um popular a Marisa Matias. “Admiro-a muito. Para mim é a melhor deputada portuguesa no Parlamento Europeu. Até há pessoas de outros partidos que a elegem como a melhor. Eu já deixei de votar há muito tempo mas para mim é quem melhor defende os interesses de Portugal por lá“, afirmou. A eurodeputada agradeceu e tentou convencer então o senhor com cerca de 70 anos a votar. Aparentemente sem sucesso.

Aos jornalistas, a candidata não escondeu a satisfação. “Sabe bem vir a terras como esta, dominadas por PSD e CDS, e sentir que o nosso trabalho é reconhecido. É o sinal de que estamos a chegar às pessoas”, considerou. Um apoio revigorante logo a abrir o dia que vai terminar com o último debate desta campanha.

Marisa Matias e Louça out. Catarina Martins assume campanha

Da parte da tarde o Bloco de Esquerda tinha mais uma ação de campanha agendada, a última antes de deixar Aveiro. Uma visita à extensão de Saúde da freguesia de Nossa Senhora de Fátima, em Mamodeiro. Por ser um dia que vai ficar marcado pelo último debate desta campanha, a eurodeputada rumou a Lisboa logo a seguir à ação da manhã para preparar o duelo. Mas a caravana bloquista não parou. No seu distrito natal, Catarina Martins assumiu o volante e conduziu a visita.

Nesta unidade de saúde nenhum dos utentes que aguardavam o Bloco de Esquerda aparentava ter menos de 55 anos. Eram pouco mais de uma dezena. Número suficiente para se falar de lotação esgotada. “Só temos médico aqui às segundas-feiras, das 14h30 às 17h30. E isto é só para as pessoas que não têm consulta marcada. Porque as que têm marcação têm de ir até Nariz, uma localidade que fica a sete quilómetros daqui, onde fica o médico de família“, explica-nos Maria da Silva Marques, de 67 anos.

A utente, muito indignada, vai protestando para quem a quiser ouvir. Na mão exibe uma capa do Diário de Aveiro que data de 26 de julho de 2014, onde se relatava o desespero daquela aldeia que não tem médico próprio. “É que quando deslocaram o nosso médico de família para Nariz ninguém nos perguntou nada. Ainda por cima não temos transportes para lá. Ou temos boleia ou então temos de apanhar uma autocarro até Aveiro para depois apanharmos outro para Nariz”, explica. “São cerca de 25 quilómetros no total, mais de 40 minutos, quano devíamos e podíamos ter aqui um médico para nós”, continua a reivindicar Maria.

PAULO NOVAIS/LUSA

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Este é um problema pelo qual Catarina Martins garantiu lutar. “Se vocês não desistirem, nós também não desistimos”, assegurou sendo de imediato aplaudida num momento que se assemelhou a um mini-comício. Do alto da pequena escadaria da entrada, fazia um discurso que replicava muitas das queixas que tinha ouvido na curta visita pela extensão de Saúde. Ia prometendo que o BE não vai desistir desta causa. Depois de tomar as dores da população de Nossa Senhora de Fátima, entrou em campanha.”Fizemos um acordo que prevê que todos os portugueses tenham médico de família até ao final do ano de 2020. Mas não basta que isso esteja no papel, é preciso que cada português tenha um médico de família no sítio onde mora”, proclamou.

As pessoas ouviam com atenção e iam concordando. “Nestas eleições também se vota para resolver estes problemas“, disse Catarina Martins tentando fazer um apelo ao voto que não destoasse do discurso.

No fim, tornou a ser aplaudida e prometeu que o partido não vai esquecer esta causa. Para os jornalistas, tinha reservado outras deixas. Sublinhou a necessidade de se investir na Saúde e voltou a colocar pressão no PS sobre a Lei de Bases da Saúde. “Se ninguém tivesse recuado já haveria acordo“, salientou. “Ainda há tempo”, como disse Marisa Matias numa visita a outra unidade de Saúde em Coimbra. A campanha seguirá dentro de momentos e em dois tabuleiros em simultâneo: o do debate televisivo, com Marisa Matias, e o do comício da noite no Entroncamento, com Catarina Martins.

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