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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Os bancos mais rápidos a dar crédito à habitação. Comprar casa demora mais um mês do que no ano passado /premium

Subiu em 33% o tempo médio para se fechar um crédito à habitação, desde o início até ao fim do processo, segundo dados do portal ComparaJá, que calculou quais os bancos que estão a ser mais rápidos.

Quem quiser comprar uma casa este ano vai demorar mais um mês a fechar o crédito com o banco do que em 2020. Isto porque o tempo médio para obter um crédito bancário aumentou 33% face ao primeiro ano de pandemia. De acordo com os dados partilhados pelo portal de comparação de produtos financeiros ComparaJá, partilhados com o Observador, se no ano passado fechar a compra de uma casa demorava em média 77, nesta altura está a ser necessário esperar mais de 100 dias para percorrer todas as fases do processo. Segundo o mesmo portal, o banco que, ainda assim, conseguiu ser mais rápido foi o BPI.

“Um processo de crédito habitação é um processo complexo, burocrático e, infelizmente, longo”, comenta João Morgado, responsável do ComparaJá, portal que concluiu esta semana a segunda edição do seu Barómetro de Crédito à Habitação. Uma das conclusões deste estudo é que, ao passo que em 2020 contratar um crédito habitação levava, em média, cerca de 77 dias (cerca de dois meses e meio). Hoje, “o mesmo processo, com todos os mesmos aspetos e nuances, demora sensivelmente cerca de 103 dias, ou seja, os portugueses têm de esperar cerca de três meses (mais 26 dias do que no ano passado) para adquirir uma casa própria”, acrescenta o mesmo responsável.

Embora não esteja apenas nas mãos dos bancos assegurar que o processo é o mais rápido possível, o ComparaJá conseguiu apurar quais os bancos que, no período em análise, foram os mais rápidos. O melhor resultado foi o do BPI, que na amostra utilizada pelo portal de comparação conseguiu que os processos se fechassem em 90,2 dias.

No restante top 5, o Santander foi o segundo mais rápido, com 93,4 dias em média, e o Millennium BCP foi o terceiro mais rápido, praticamente empatado: 93,7 dias, em média. Além destes, o Novo Banco demorou uma média de 96,9 dias e, finalmente, os processos na Caixa Geral de Depósitos levaram 103,1 dias desde o primeiro passo até à chave na mão.

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Mas estes foram os cinco melhores, entre um total de 14 instituições financeiras. Ou seja, mesmo nas opções mais rápidas, atualmente é muito difícil comprar uma casa com recurso a crédito bancário em menos de três meses.

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As contas são feitas a partir de uma amostra que corresponde aos cerca de 11 mil processos de crédito à habitação em que o ComparaJá funcionou como intermediário, procurando as condições mais vantajosas e negociando diretamente com os bancos, em nome dos clientes. A experiência destes especialistas é que “os processos de crédito habitação têm levado mais tempo do que o previsto, o que prejudica, e muito, os portugueses que têm a intenção de comprar um imóvel”.

E o que é que pode explicar esta morosidade acrescida na obtenção de crédito para compra de casa? “Este atraso é algo inerente à pandemia”, afirma João Morgado, referindo que o setor bancário também tem estado a responder à economia com saídas de pessoal e fecho de balcões, o que não ajuda a que os processos avancem mais rapidamente.

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Em todas as fases do processo houve atrasos, desde a primeira abordagem aos bancos até à escritura, explica o ComparaJá. É por isso que, depois, atrasos de poucos dias em cada passo do processo se acumulam e fazem com que o processo demore, no final, algumas dezenas de dias a mais. Porém, quando se pergunta qual foi a fase que se tornou mais morosa, a conclusão é que “segundo os resultados do nosso barómetro, foi o momento de assinar os documentos no notário”.

“Felizmente já foram dados os primeiros passos no sentido de resolver algumas destas questões”, diz João Morgado, admitindo que a tendência de maior lentidão verificada em 2021 se possa inverter. O facto de “não ter sido possível visitar casas no início de 2021, o facto de muitos balcões não permitirem assinaturas digitais ou até mesmo o facto de as deslocações serem mais limitadas são restrições à agilidade de um processo desta dimensão e complexidade”.

Ainda assim, para o responsável pelo comparador de produtos financeiros, é “urgente e necessário” serem lançadas mais medidas que facilitem a vida dos portugueses e das instituições de crédito. “No dia 22 de julho, o conselho de ministros aprovou o decreto-lei que estabelece o regime jurídico aplicável à realização, através de videoconferência, de atos autênticos, termos de autenticação de documentos particulares e reconhecimentos”, lembra João Morgado, confiando que esta medida irá ajudar a tornar os processos mais rápidos.

Essa deve ser uma prioridade, diz João Morgado, porque Portugal compara mal com outros países europeus nesta matéria. As cerca de 14 semanas que se demora a comprar uma casa (com recurso a crédito) comparam com uma média de 12 semanas em França, 10 na Alemanha, 6-8 em Espanha e 4-6 no Reino Unido, segundo dados reunidos pelo ComparaJá na imprensa dos diferentes países.

"Portugal é, nesta amostra, o país onde os cidadãos demoram mais tempo a conseguir o respetivo crédito habitação. Uma das justificações para esta fraca classificação pode estar relacionada com os baixos índices de digitalização dos bancos nestes processos".
João Morgado, responsável do portal de comparação de produtos financeiros ComparaJá

Maioria só acaba de pagar o empréstimo depois de entrar na reforma

A larga maioria das pessoas que estão a comprar casa com recurso a crédito só irá terminar de pagar as prestações depois de entrar na idade da reforma. Essa é outra das conclusões do barómetro produzido pelo ComparaJá e partilhado com o Observador.

Mais de metade (57,75%) dos proponentes de crédito à habitação terão entre 71 e 80 anos na data em que está previsto o término do contrato de crédito. E, além destes, há quase 25% que terão entre 66,6 anos e 70 anos quando acabarem de pagar a casa, se seguirem os planos de pagamento previstos na celebração do contrato.

Ou seja, apenas cerca de um em cada seis clientes (17,66%) irá terminar o pagamento com menos de 66,5 anos, segundo os dados do ComparaJá.

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Associado a este cálculo estão duas outras conclusões retiradas a partir dos processos de crédito à habitação que o ComparaJá usa como amostra. Por um lado, verifica-se que a maioria das famílias está a solicitar empréstimos com prazo superior a 30 anos – em mais de metade, 55%, pede-se crédito a mais de 36 anos. Em segundo lugar, os dados mostram que 25,2% dos proponentes de crédito têm idades compreendidas entre os 31 e os 35 anos e são mais – 26,6% – os que estão a recorrer a financiamento imobiliário tendo entre 36 e os 40 anos.

17% dos contratos de crédito são pedidos por pessoas com menos de 30 anos e, por outro lado, segundo os dados do ComparaJá, uma percentagem significativa (15%) está a iniciar contratos de crédito para compra de casa quando já tem mais de 40 anos. Alguns desses casos podem, porém, dizer respeito a transferências de crédito de um banco para outro, embora essas situações sejam uma minoria (um em cada 10) entre os processos em que o portal se baseou para retirar estas conclusões.

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O barómetro revela, ainda, que os portugueses gastam, em média, 138 mil euros na compra de casa. Os portugueses, na sua grande maioria (mais de 75%) não vão além dos 175 mil euros em crédito para comprar uma casa. “Uma percentagem considerável (19%) adquire casas cujo valor não ultrapassa os 74.999 mil euros, enquanto o grosso está naqueles que pedem entre 75.000 euros a 124.999 mil euros e 125 mil euros a 174.999 mil euros (31% e 26%, respetivamente)”, apurou o ComparaJá.

No que diz respeito ao valor mensal pago em prestações, o valor médio que os portugueses pagam nos mais recentes contratos de crédito habitação fixa-se nos 401 euros, segundo os dados do ComparaJá. Cerca de quatro em cada 10 pagam entre 250 euros e 399 euros, enquanto 22,05% pagam entre 400 euros e 549 euros. Finalmente, cerca de 9% pagam entre 550 euros e 699 por mês e só 6,35% pagam prestações mensais entre 700 e 999 euros. Mas de 1.000 euros por mês em prestação da casa? Só (aproximadamente) 1%.

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