Chamavam-lhe Gorbachev por causa da mancha que tinha na cara. Também por isso, o sinal distintivo tornava mais fácil a sua identificação. À boca pequena, quando surgia um relato de exibicionismo à frente de menores, essa era a primeira pergunta que se fazia. A Leonor, uma das menores, hoje adulta, que testemunhou um desses atos, colocaram-lhe a mesma questão quando prestou depoimento na polícia. Acabou por dizer que não tinha a certeza porque no dia em que do pátio da escola viu o professor a masturbar-se num logradouro, ele tinha uns óculos largos que tapavam a mancha peculiar.

Os relatos de que o professor exibia os genitais a crianças começaram há cerca de 20 anos. Apesar disso, só em 2019 é que a direção do agrupamento escolar, recém-eleita, conseguiu afastá-lo da escola onde dava aulas depois de abrir um processo disciplinar. Foi há quatro anos e, desde então, o professor está suspenso, mas a receber ordenado. O motivo? Ainda não foi avaliado por uma junta médica para perícia psiquiátrica, sem a qual o processo disciplinar a que está sujeito não pode ser encerrado.

As primeiras notícias sobre os crimes do professor, que deu aulas durante dezenas de anos no Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos, em Óbidos, são de 2004. Seis anos depois, em 2010, foi condenado a uma pena de multa de 1.600 euros por esse crime de importunação sexual agravada, depois de atos exibicionistas perante menores junto a uma escola primária. Na altura com 47 anos, o professor, que estava nu da cintura para baixo dentro de um carro, exibiu-se a duas menores perto da escola primária da Encosta do Sol, nas Caldas da Rainha. Em tribunal, justificou o comportamento com uma vaga de calor.

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