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Sofie Münster dirige a maior publicação digital dinamarquesa sobre parentalidade, a NOPA, que tem meio milhão de visitantes por mês

Sofie Münster dirige a maior publicação digital dinamarquesa sobre parentalidade, a NOPA, que tem meio milhão de visitantes por mês

Sofie Münster: "Se quer ter um filho bem-sucedido, ensine-lhe a ter autocontrolo" /premium

Em "Parentalidade Nórdica", a escritora dinamarquesa ensina a educar crianças felizes e bem-sucedidas. O segredo? Autocontrolo. A receita parece simples, mas segui-la requer disciplina dos pais.

Spoiler alert: o ingrediente mágico dinamarquês para criar crianças felizes e com muito sucesso na vida é o autocontrolo. Dos pais ou dos filhos? Bom, para sermos honestos é o de ambos. Porque só um pai que consiga parar para respirar fundo conseguirá levar até ao fim as recomendações de Sofie Münster.

Aliás, a escritora dinamarquesa, nascida em 1985, avisa-nos para isso no livro e nesta entrevista.“O autocontrolo é mais importante para uma vida bem-sucedida do que a inteligência.” Tremem os pais que se tivessem sido visitados por fadas-madrinhas pediriam o dom da inteligência para os seus recém-nascidos. Calma. A inteligência também é fundamental. A questão é que sem autocontrolo será muito mais difícil a criança tomar a decisão inteligente, e é o autocontrolo que vai ajudá-la a seguir pelo caminho mais difícil em vez do fácil.

Ao longo do livro “Parentalidade Nórdica”, Sofie Münster — que dirige a maior publicação digital dinamarquesa sobre parentalidade, a NOPA — dá imensos exemplos do quotidiano para que os pais percebam a melhor forma de exercer a sua parentalidade. Também dá dicas e elabora regras que fazem deste livro uma espécie de manual de instruções para encontrar o tal pote de ouro no fim do arco-íris: filhos que conseguem tomar decisões acertadas, que são autónomos e que têm sucesso na escola e nas suas relações.

Claro que, para lá chegar, também os pais têm de aprender a ter a sua dose de autocontrolo, mesmo que seja preciso morder a língua de vez em quando: é importante deixar as crianças errar, não fazer tudo por elas, não limpar o seu caminho de todos os obstáculos, por muito que isso custe. No fim, promete a autora no seu livro, serão melhores seres humanos.

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As crianças dinamarquesas são mais felizes do que as outras?
Geralmente, as crianças nos países nórdicos são mais felizes, basta olhar para o Relatório Global de Felicidade da ONU.

Em que é que os pais nórdicos, e a sua parentalidade, são diferentes?
As diferenças vêem-se em três pontos principais. Em primeiro lugar, aqui, as mulheres têm sido uma parte igual da força de trabalho durante quase meio século, dando aos pais uma parcela igual da responsabilidade e permitindo que os filhos passem o mesmo tempo com ambos os pais. Isto é importante porque ajuda a construir um forte senso de identidade. Em segundo lugar, as crianças passam muito tempo ao ar livre. Alguns jardins de infância até começam o dia a andar com as crianças de autocarro até à floresta, onde passam o dia todo a brincar na rua — faça chuva ou faça sol. Isto significa que as crianças aprendem a brincar de forma independente e, principalmente, de forma responsável desde muito cedo. Em terceiro lugar, e mais uma vez, porque ambos os pais trabalham, as crianças passam grande parte do dia em creches, a brincar com outras crianças da mesma idade e aprendem habilidades sociais valiosas, como negociar quem pode desempenhar que papel em determinado jogo.

"O autocontrolo é como um músculo mental que permite que as crianças sejam a pessoa que desejam ser. Isso pode ser ter coragem quando algo é assustador, pode ser perseverança quando algo é difícil, e pode ser generosidade quando precisam de colocar as necessidades de outra pessoa antes das suas."

O tipo de pais define o sucesso futuro dos filhos?
Acredito que sim. Quando somos pais ensinamos aos nossos filhos habilidades fundamentais para uma vida bem-sucedida. O mais importante é o autocontrolo, porque permite que as crianças vivam as suas vidas de acordo com os valores em que acreditam, em vez de apenas seguirem impulsos. Outra coisa fundamental é ensinar-lhes a coragem de falhar. Isso liberta-os para experimentarem coisas novas.

Diz-nos que não é assim tão importante nascer inteligente. A inteligência não afeta o nosso futuro sucesso?
A inteligência é importante, mas o autocontrolo é tão importante, às vezes até mais.

Em que é que o autocontrolo pode ajudar uma criança a crescer melhor? 
O autocontrolo é como um músculo mental que permite que as crianças sejam a pessoa que desejam ser. Isso pode ser ter coragem quando algo é assustador, pode ser perseverança quando algo que realmente querem é mais difícil de conseguir do que imaginaram, e pode ser generosidade quando eles precisam de colocar as necessidades de outra pessoa antes das suas.

Mas o excesso de autocontrolo não pode ter efeitos colaterais?
Nunca se pode ter muito autocontrolo. É verdade que se pode ser excessivamente controlado, mas o autocontrolo é diferente. O autocontrolo é a nossa capacidade de fazer uma pausa e reconsiderar se aquele caminho nos está a levar onde queremos ou se se trata apenas de um impulso que nos leva onde não queremos. Na vida adulta é fácil reconhecer essas situações. Por exemplo, quando temos de decidir se saímos da cama para fazer uma corrida matinal ou se dormimos mais 30 minutos.

Parece fácil ensinar aos nossos filhos a ter boas maneiras à mesa, a dizer por favor e obrigada. Mas como é que se ensina autocontrolo?
Há três fatores fundamentais: em primeiro lugar, sermos claros sobre os valores pelos quais queremos que os nossos filhos vivam. Em segundo lugar, proporcionamos-lhes um ambiente onde possam sentir-se seguros para cometer erros, expressar preocupações e levantar questões. E finalmente, controlarmos os nossos próprios impulsos como pais para retirar todos os obstáculos e atritos da vida dos nossos filhos.

Diz muitas vezes que devemos andar ao lado dos nossos filhos. Pode explicar a metáfora?
Sim, essa metáfora é uma referência ao tipo de pais escolhemos ser. Podemos caminhar atrás deles, empurrando-os para novos desafios, e isso, para uma criança, pode parecer muito solitário e vulnerável. Podemos caminhar à frente deles, varrendo até mesmo a menor pedra que surja no seu caminho para garantir que não encontram desafios. Mesmo que seja com a melhor das intenções, estamos a ensinar aos nossos filhos que não serão capazes de lidar com o mundo sem ajuda. O estilo de parentalidade que defendo é aquele em que não fazemos nada disto. Ficamos lado a lado com os nossos filhos, ensinando-os a lidar com as coisas que aparecem.

Outro dos seus conselhos é para pararmos de fazer as coisas pelas crianças. Deixá-los errar ou demorar meia hora a calçar uma meia. Mas isto nem sempre é fácil para uma mãe ou um pai…
Não, realmente não é! Mas as crianças que são fortalecidas pelos pais sentem-se mais fortes, mais competentes e são capazes de lidar com mais coisas. E, como pais, devemos encorajar e celebrar a sua independência porque isso faz parte da sua capacidade de levar uma vida bem-sucedida.

Quantas vezes já ouvimos dizer a uma criança: “Tu não pensas antes de fazer as coisas?” E no livro diz-nos que, de facto, elas não pensam. Mas a culpa é do cérebro…
Na verdade, não é uma questão de culpa, porque isso não é uma falha — é um recurso! Agir antes de pensar foi o que salvou os nossos antepassados ​​de serem comidos por tigres dente-de-sabre. Ainda hoje, essa habilidade tem valor de vez em quando. Mas num dia normal, ser capaz de fazer uma pausa e reconsiderar antes de seguirmos impulsos é uma competência muito valiosa. E a boa notícia é que o autocontrolo é semelhante a um músculo: todos nós o temos, e todos nós podemos fortalecê-lo através do treino.

"As crianças que são fortalecidas pelos pais sentem-se mais fortes, mais competentes e são capazes de lidar com mais coisas. E, como pais, devemos encorajar e celebrar a sua independência porque isso faz parte da sua capacidade de levar uma vida bem-sucedida."

Porque é que, intuitivamente, as crianças parecem tomar sempre as decisões erradas? Comer chocolates em vez de cenouras, ver desenhos animados em vez de fazer os trabalhos de casa?
Boa parte da explicação tem a ver com o facto de os seus cérebros ainda não estarem completamente desenvolvidos. As crianças precisam de ser perdoadas quando falham. Mas também tem a ver com o facto de serem novos e ainda não terem tido tempo para desenvolver a capacidade de controlar os seus impulsos. Ajudá-los a praticar e a desenvolver o autocontrolo é uma das melhores coisas que podemos fazer pelos nossos filhos se quisermos que eles sejam bem-sucedidos.

Também nos diz que com a escolha difícil, em vez da fácil, aprendemos. Como é que convencemos uma criança a ir pelo caminho mais duro?
Existem passos para isso. Um dos mais importantes é ensinar que não é das coisas fáceis que eles querem ir atrás. Desenhar a mesma coisa só porque da última vez foi elogiado pela mãe é fácil, mas ser elogiado por ser criativo porque tentou desenhar algo novo ou por ser corajoso por tentar algo difícil ensina aos nossos filhos algo importante sobre a vida: que a coragem e as ideias têm valor.

Pressão, insegurança e desconforto. Qual é o pai que não tenta poupar o seu filho destes sentimentos? Mas não é isso que devíamos fazer, segundo nos diz no livro…
Na essência, não. A criança tem de ser exposta a estes sentimentos, gradualmente, para que possa aprender a lidar com eles. E, acima de tudo, temos de ter a certeza de que eles sabem que, aconteça o que acontecer, os pais estarão ao seu lado, prontos para ajudá-los a resolver o problema e lidar com a situação.

Uma outra lição da “Parentalidade Nórdica” é que temos de ensinar as crianças a lidar com o fracasso. Isto é extremamente difícil quando nós próprios adultos temos dificuldade em fazê-lo.
Sim, é, e acho que muitos dos leitores que estão mais empolgados com o livro são, na verdade, pais que o usaram para se melhorarem a si próprios em algumas coisas.

Deixa-nos com uma ideia de que evoluir dói, custa. É um sinal de que os nossos filhos estão no bom caminho da aprendizagem? Quando lhes está a ser difícil?
Em suma, sim. Se as coisas são superfáceis, é porque já as sabíamos. Para ser honesta, a história completa é mais complexa, mas, resumidamente, o nosso cérebro resiste sempre que tentamos aprender algo de novo. Aprender a superar essa barreira, independentemente de onde a encontramos, é a chave para uma vida bem-sucedida.

No sul da Europa vemos os nórdicos como pessoas muito mais organizadas e focadas, capazes de ter uma sociedade mais estruturada do que as nossas. Culturalmente somos diferentes. Seremos capazes de aprender com o seu livro?
Claro. As coisas sobre as quais escrevo não estão vinculadas a uma determinada cultura ou nacionalidade. São sobre como diferentes centros dos nossos cérebros trabalham lado a lado, às vezes uns contra os outros, para nos ajudar a fazer o que queremos fazer. Ensinar aos nossos filhos a controlar os seus impulsos e superar as adversidades é um conceito humano que qualquer um pode adotar, não é uma invenção dinamarquesa.

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