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Conceição, Jesus, Amorim: os três treinadores dos três grandes portugueses fazem parte de gerações diferentes mas têm pontos que os aproximam

Conceição, Jesus, Amorim: os três treinadores dos três grandes portugueses fazem parte de gerações diferentes mas têm pontos que os aproximam

Três jogos grandes em janeiro, três treinadores: tudo o que une e separa Conceição, Jesus e Amorim /premium

Conceição contra Jesus, Amorim contra Conceição, Amorim contra Jesus. Janeiro tem 3 jogos grandes e Jesus vai encontrar dois treinadores que orientou. A análise aos trunfos e às fraquezas de cada um.

FC Porto-Benfica a 15 de janeiro, Sporting-FC Porto a 19 de janeiro, Sporting-Benfica a 31 de janeiro. Em pouco mais de duas semanas, o futebol português terá dois clássicos e um dérbi e o calendário pode tornar-se ainda mais intenso se o Benfica derrotar o Sp. Braga e chegar à final da Taça da Liga, onde encontrará o vencedor da outra meia-final entre leões e dragões. As semanas mais agitadas desde que a temporada começou ficaram reservadas para o primeiro mês do ano e também para um período de confinamento geral – em que todas as atenções estarão viradas para o que fazem Sérgio Conceição, Jorge Jesus e Rúben Amorim.

Os três treinadores vão encontrar-se entre si e, se para os dois primeiros nada mais é do que um reencontro, os dois últimos vão confrontar-se pela primeira vez. Sérgio Conceição e Jorge Jesus já levam 15 jogos disputados, com superioridade para o técnico encarnado, e o atual líder dos dragões já enfrentou Jesus ao serviço do Olhanense, da Académica, do Sp. Braga e do V. Guimarães. Por outro lado, Rúben Amorim nunca se cruzou com o agora treinador do Benfica mas já tem histórias para contar contra Sérgio Conceição: em duas partidas pelo Sp. Braga, disputadas em pouco mais de uma semana em janeiro de 2020, derrotou o FC Porto outras tantas vezes e ainda conquistou a Taça da Liga. Já esta época, no primeiro clássico do Campeonato, Conceição e Amorim não foram além de um empate. E ainda houve a vitória dos dragões na Liga de 2019/20 que carimbou o título.

Mas os três (possivelmente quatro) jogos deste início de 2021 têm ainda outra narrativa paralela. Jorge Jesus reencontra dois treinadores que, outrora e em diferentes cronologias e contextos, foram seus jogadores. Sérgio Conceição no Felgueiras, Rúben Amorim no Belenenses e no Benfica. Os dois, contudo, com narrativas diferentes sobre o mister Jesus: se Conceição se revia na garra e na agressividade, Amorim não esconde que teve “muitos problemas” com o treinador. Mas ambos ressalvam, tal como é notório em cada jogo em que participam, que herdaram de Jorge Jesus um nível de exigência acima da média.

Jorge Jesus vai enfrentar dois treinadores que orientou quando eram jogadores: Sérgio Conceição no Felgueiras, Rúben Amorim no Belenenses e no Benfica

NurPhoto via Getty Images

Conceição vs. Jesus: uma história que começou em Olhão, passou pelo Minho e já teve outros clássicos

Em 2017/18, a primeira temporada de Sérgio Conceição ao serviço do FC Porto coincidiu com a última temporada de Jorge Jesus no Sporting. O primeiro vinha com o objetivo de restaurar a identidade perdida de um clube e evitar o pentacampeonato do Benfica; o segundo começava a deixar fugir essa mesma identidade e a sentir o impacto de ainda não ter justificado a aposta com a conquista do título. Na Primeira Liga, encontraram-se dois velhos conhecidos. Não só dos tempos do Felgueiras, onde foram jogador e treinador e estabeleceram uma relação de proximidade – mas também dos dez confrontos que já levavam até aí.

O esquema do Barça, os treinos na mata e os raspanetes: como era o Felgueiras onde Jesus apontou o caminho a Sérgio

Isto porque, quando Sérgio Conceição chegou ao FC Porto, já levava no currículo as passagens por Olhanense, Académica, Sp. Braga, V. Guimarães e Nantes. Ou seja, já tinha passado por cinco temporadas na Primeira Liga, enfrentando nesse período o Benfica de Jesus e, numa fase derradeira, o Sporting de Jesus. Nessa altura, a contabilidade é fácil de fazer: Conceição ainda surpreendeu Jesus no primeiro encontro, com um empate sem golos em Olhão em 2011/12, mas em 10 partidas acabou por sofrer seis derrotas, conceder dois empates e alcançar apenas duas vitórias, ambas com o Sp. Braga em 2014/15, primeiro para o Campeonato e depois para a Taça de Portugal.

Para olhar para os encontros entre Sérgio Conceição e Jorge Jesus de forma analítica, é não só necessário encontrar o primeiro numa fase já mais madura da carreira, ao leme do primeiro grande desafio que lhe foi colocado, como também comparar dois treinadores com atributos, qualidade e talento semelhantes à disposição. E isso só aconteceu em 2017/18, quando Sérgio Conceição chegou ao FC Porto e Jorge Jesus ainda estava no Sporting (à exceção do duelo mais recente para a Supertaça Cândido de Oliveira).

Na Primeira Liga, encontraram-se dois velhos conhecidos. Não só dos tempos do Felgueiras, onde foram jogador e treinador e estabeleceram uma relação de proximidade — mas também dos 10 confrontos que já levavam até aí.

Ao longo da época, as duas equipas equipas encontraram-se cinco vezes em três competições diferentes. O FC Porto ganhou duas vezes, o Sporting outras duas e uma das partidas acabou em empate. O balanço foi também equilibrado nos títulos, pelo menos no que toca à quantidade, mas totalmente desigual na importância: os dragões foram campeões nacionais, evitando o Benfica de chegar ao pentacampeonato; os leões ganharam a Taça da Liga e perderam a Taça de Portugal para o Desp. Aves, numa final disputada apenas dias depois dos acontecimentos na Academia de Alcochete.

2017/18, 2 de março de 2018, Estádio do Dragão, 2-1

Depois de um empate sem golos em Alvalade, em outubro, FC Porto e Sporting encontraram-se no Dragão em março, numa altura em que os dragões vinham de seis vitórias consecutivas para o Campeonato e ainda não tinham perdido para a competição desde o início da temporada. Em comparação com a atualidade, Marcano, Marega, Otávio e Sérgio Oliveira já estavam nesse onze de Sérgio Conceição; do outro lado, só sobra Coates.

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O jogo ficou principalmente marcado por um momento inenarrável, quando Artur Soares Dias expulsou dois maqueiros já na segunda parte, mas a história da partida começou a ser contada logo no primeiro tempo. Marcano abriu o marcador com assistência de Herrera e confirmou a superioridade do FC Porto: que era notória principalmente no controlo do meio-campo, onde Bruno Fernandes estava sempre demasiado sozinho e desamparado para conseguir desequilibrar. Se de um lado estava Doumbia, quase inofensivo e a desperdiçar todas as ocasiões que Bruno Fernandes ainda conseguia criar, do outro estava Marega, recorrentemente lançado na velocidade e na profundidade para fazer estragos entre Coates e Mathieu.

Ainda antes do intervalo, Doumbia saiu lesionado e deu lugar a Rafael Leão, que entrou para fazer o golo que o tornou o mais novo de sempre a marcar num Clássico entre as duas equipas. FC Porto e Sporting foram empatados para o intervalo mas a eficácia dos dragões pouco demorou a fazer estragos. Logo nos instantes inicias da segunda parte, Ristovski falhou a interceção a um cruzamento de Gonçalo Paciência e permitiu o golo de Brahimi. A equipa de Sérgio Conceição arrumava o jogo logo depois do intervalo e relaxou, assistindo às múltiplas tentativas perdulárias que o Sporting ainda teve para recuperar a igualdade. No segundo confronto da época 2017/18, o FC Porto levou a melhor mas confirmou um declínio exibicional que seria confirmado na jornada seguinte, com a primeira derrota da época, frente ao P. Ferreira. Já o Sporting, apesar de ter disputado a partida, começava a não conseguir fugir ao descalabro emocional quando as coisas não estavam a correr bem e tinha perdido, talvez para nunca a recuperar, a capacidade de ir à procura do resultado quando o adversário está a ganhar.

Rafael Leão tornou-se o mais novo a marcar em jogos entre o Sporting e o FC Porto no Clássico de março de 2018

AFP via Getty Images

2017/18, 18 de abril de 2018, Estádio José Alvalade, 1-0 (5-4 após grandes penalidades)

Um golo de Soares, à hora de jogo, tinha chegado para o FC Porto vencer o Sporting no Dragão na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal. Mais de um mês depois, era hora da segunda mão. A primeira parte terminou sem qualquer remate à baliza, prova do pouco que se jogava em Alvalade: e prova também daquilo que os dragões tinham ido a Lisboa fazer. Numa fase já derradeira da temporada, com a vantagem adquirida no primeiro jogo e contra um Sporting em claro declínio desportivo e institucional – os leões tinham sido eliminados da Liga Europa pelo Atl. Madrid dias antes, num resultado que originou críticas de Bruno de Carvalho ao plantel –, Sérgio Conceição acreditou que tinha o apuramento no bolso.

A raposa e a ratice (a crónica do Sporting-FC Porto)

Mas não foi bem assim. No segundo tempo, o FC Porto recuou para o próprio meio-campo e limitou-se a gerir a vantagem contra um Sporting que atacava mais com o coração do que com a razão. Já dentro dos últimos dez minutos, Sérgio Conceição mexeu pela terceira vez e decidiu trancar – pelo menos na sua ótica – a grande área. Tirou Óliver e lançou Reyes, mais um trinco (neste caso um central adaptado). Marega ficou no banco, a olhar para uma frente de ataque que já só contava com investidas de um esgotado Brahimi, um exausto Ricardo Pereira e um quase inofensivo Aboubakar. Apenas dois minutos depois de Reyes entrar, na sequência de um canto cobrado na direita, Marcano falhou o corte e Coates marcou, colocando o Sporting a ganhar o jogo e atirando a eliminatória para o prolongamento.

Sérgio, a escassos sete minutos de confirmar a presença na final do Jamor, poderia ter colocado Marega. Poderia ter esgotado finalmente a defensiva leonina, apostado na profundidade e no contra-ataque para resolver a meia-final, oferecido corpo a um ataque esgotado – mas decidiu investir na defesa. Jorge Jesus, do outro lado, aprendeu com o erro do colega de profissão e colocou Doumbia no arranque do prolongamento, precisamente para fazer tudo aquilo que Marega poderia ter feito do outro lado. Os 120 minutos terminaram com a insistência do empate na eliminatória e, na lotaria das grandes penalidades, Marcano falhou logo o primeiro remate e ofereceu a vitória aos leões, repetindo-se a mesma história da final da Taça da Liga, quando o Sporting conquistou o troféu nos penáltis frente aos dragões.

O primeiro Clássico entre Jorge Jesus e Sérgio Conceição, em Alvalade, terminou sem golos

Getty Images

2020/21, 23 de dezembro de 2020, Estádio Municipal de Aveiro, 2-0

A maior antecipação possível do clássico desta sexta-feira aconteceu há menos de um mês, na Supertaça Cândido de Oliveira, quando o FC Porto de Sérgio Conceição venceu o Benfica de Jorge Jesus para conquistar o primeiro troféu da época. Ficou claro, ao longo dos 90 minutos, que as duas equipas se conhecem até ao mais ínfimo pormenor – e que a grande diferença entre as duas, atualmente, é a garra que sobra de um lado e escasseia do outro.

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Jesus, desprovido de Pizzi e Gabriel, entrou em campo com o onze mais forte que tinha disponível: Weigl e Taarabt numa posição intermédia, Rafa e Everton mais próximos dos corredores e Waldschmidt com liberdade no apoio a Darwin. Do outro lado, praticamente na máxima força, Sérgio Conceição entregou o miolo a Sérgio Oliveira e Uribe, soltou Otávio e Corona de tarefas mais defensivas e colocou Taremi junto a Marega, a dupla que tem feito estragos nesta primeira metade de temporada.

A maior antecipação possível do Clássico desta sexta-feira aconteceu há menos de um mês, na Supertaça Cândido de Oliveira, quando o FC Porto de Sérgio Conceição venceu o Benfica de Jorge Jesus para conquistar o primeiro troféu da época.

Sérgio Oliveira abriu o marcador ainda na primeira parte, de grande penalidade, e Jorge Jesus perdeu definitivamente a partida devido a uma das três substituições que fez nos instantes finais: tirou Weigl, colocou Pedrinho, com o objetivo de oferecer maior dinâmica e criatividade ao meio-campo. O problema? Taarabt ficou sozinho, sem apoio nem ajuda, logo a seguir aos dois centrais. O marroquino, débil nas tarefas defensivas, permitiu o lance do segundo golo, por intermédio de Luis Díaz, e Jesus deixou fugir qualquer possibilidade que tinha de ainda lugar pela conquista do troféu.

Mais do que tudo isto, o FC Porto mostrou uma garra, uma vontade de ganhar e uma determinação que ainda não possível ver neste Benfica de Jorge Jesus. E a personificação disso mesmo foi o momento em que Sérgio Oliveira, depois de se desentender com Otamendi, apontou violentamente para o símbolo que carrega no peito – e que o central argentino outrora já representou.

Sérgio Conceição dedicou a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira a Pinto da Costa

Getty Images

Conceição vs. Amorim: quatro jogos com direções diferentes

Em dezembro de 2019, Ricardo Sá Pinto foi despedido do comando técnico do Sp. Braga depois de um início de temporada abaixo das expectativas mas apenas um dia depois de garantir a presença dos minhotos na Final Four da Taça da Liga. O substituto, que até aí estava no comando dos Sub-23, foi Rúben Amorim. O antigo médio do Benfica, que meses antes tinha tido uma reunião com Luís Filipe Vieira e Rui Costa com o intuito de assumir os Sub-23 encarnados (sem que as duas partes chegassem a acordo), tinha assim o primeiro grande desafio da carreira.

Na Primeira Liga, entre muitos outros, encontrou Sérgio Conceição. Em comum, e para os pontos de interesse da atual temporada, tinham o facto de ambos terem sido jogadores de Jorge Jesus, confirmando uma premissa que o atual técnico do Benfica revelou depois do primeiro confronto com Conceição. “Tenho a certeza que todos os jogadores que trabalharam comigo e que têm vocação vão ser treinadores. A universidade dos treinadores são os anos que tiveram como jogadores, é aí que se define a qualidade. Não são os cinco anos de faculdade, ou seja lá onde aprendem. Isso é só teoria. Os treinadores formam-se onde o Sérgio e eu aprendemos; depois é preciso vocação. E posso estar enganado, mas penso que o Sérgio vai dar treinador”. Sérgio deu, Rúben também.

O substituto, que até aí estava no comando dos Sub-23, foi Rúben Amorim. O antigo médio do Benfica, que meses antes tinha tido uma reunião com Luís Filipe Vieira e Rui Costa com o intuito de assumir os Sub-23 encarnados (sem que as duas partes chegassem a acordo), tinha assim o primeiro grande desafio da carreira.

Amorim pegou no Sp. Braga já a meio da temporada e não a terminou, assinando pelo Sporting logo em março, ao fim de menos de três meses nos minhotos e à beira do confinamento geral que acabou por atirar a Liga para uma inédita paragem. Mas, ao longo desse período, teve tempo para ganhar ao FC Porto duas vezes, em duas competições diferentes, e conquistar um troféu. Em outubro, voltaram a encontrar-se, desta feita no primeiro Clássico disputado entre os dois. Não foram além de um empate mas esse jogo de Alvalade é agora o maior ensaio para a partida de 19 de janeiro.

2019/20, 17 de janeiro de 2020, Estádio do Dragão, 1-2

O FC Porto chegava à última ronda da primeira volta com 13 vitórias em 16 jornadas, tendo empatado com o Marítimo e o Belenenses SAD e perdido com o Gil Vicente, logo no arranque do Campeonato. O Sp. Braga estava em plena mudança de ciclo, um mês depois da troca de treinadores e a implementar um novo sistema que era totalmente desenhado pela cabeça de Rúben Amorim. Com três centrais, os minhotos projetavam dois laterais convertidos em alas que ocupavam todo o corredor – Esgaio e Sequeira – e deixavam dois elementos do meio-campo, Palhinha e Fransérgio, com a responsabilidade de equilibrar a equipa. Mais à frente, Wilson Eduardo abria de um lado, Trincão do outro e ambos funcionavam como o apoio perfeito para Paulinho.

No jogo que o FC Porto tinha de ganhar, o SC Braga mostrou que está cada vez mais crescido

Se Conceição tinha surpreendido ao deixar Luis Díaz no banco, Amorim tinha surpreendido ao deixar Ricardo Horta no banco. No final, ganhou o segundo. Fransérgio abriu o marcador logo nos instantes iniciais e o Sp. Braga desdobrou numa primeira parte quase brilhante, entre a intensidade dos alas e o acerto dos médios, com enorme mobilidade sem bola e uma defesa organizada que não permitia grandes aventuras ao FC Porto. A segunda parte começou de forma diferente, com os dragões a procurarem um empate que alcançaram, por intermédio de Soares depois de uma assistência de Marega.

O FC Porto cresceu, motivado pelo apoio das bancadas do Dragão, e Rúben Amorim esgotou as alterações depois de já ter lançado David Carmo e Ricardo Horta: tirou um esgotado Trincão e colocou Galeno. Com a entrada do avançado, o Sp. Braga aliviou a asfixia que estava a sofrer desde o golo de Soares, desgastou o adversário e ganhou força e velocidade no contra-ataque, voltando a equilibrar a partida. Paulinho fez o golo da vitória, de cabeça e na sequência de um canto, e Sérgio Conceição só mexeu depois de estar novamente em desvantagem. Entraram Luis Díaz, Aboubakar e Sérgio Oliveira mas já nada mudou. O treinador dos dragões, que viu a equipa desperdiçar duas grandes penalidades, queixou-se de um “jogo ingrato”. E mal sabia o que ainda iria acontecer daí a uma semana.

Rúben Amorim subiu ao comando técnico do Sp. Braga em dezembro de 2019, depois de Ricardo Sá Pinto ter sido despedido

Getty Images

2019/20, 25 de janeiro de 2020, Estádio Municipal de Braga, 1-0

Numa reedição da final da Taça da Liga de 2012/13, que o Sp. Braga de José Peseiro venceu com um golo de Alan, as duas equipas voltavam a encontrar-se uma semana e um dia depois da derrota caseira dos dragões. A disputar a final da terceira competição nacional em casa, em plena Pedreira, Rúben Amorim fez duas alterações ao onze inicial que tinha vencido no Dragão: colocou Galeno e Ricardo Horta, os dois jogadores que tinham mexido com a partida depois de entrarem, e deixou Wilson Eduardo e Trincão no banco.

A diferença entre ter uma Oliveira e ter uma Horta inteira (a crónica da final da Taça da Liga)

Do outro lado, Sérgio Conceição mexeu nas peças e na forma. Corona, que tinha jogado de início no jogo anterior mas no apoio a Soares, passava para a direita da defesa, com Manafá a começar no banco. O recuo do mexicano abria espaço à entrada de Luis Díaz no onze, enquanto que Sérgio Oliveira surgia no lugar de Uribe. A primeira parte terminou sem golos, com o Sp. Braga a dominar o quarto de hora inicial e o FC Porto a equilibrar a partida a partir daí. Contudo, ficava a ideia de que a linha média dos dragões estava sempre demasiado longe da mais adiantada, já que Sérgio Oliveira e Danilo povoavam zonas próximas dos centrais, sempre preocupados com a mobilidade de Palhinha de Fransérgio ou as incursões de Sequeira e Esgaio pelo corredor central.

No segundo tempo, Amorim trocou Galeno por Trincão e fez Bruno Viana avançar alguns metros no terreno, de forma a participar na primeira fase de construção. O avançar do relógio tirou intensidade e ritmo à partida, que se foi tornando progressivamente incaracterística e partida, sem grandes processos organizados. O FC Porto mantinha um certo ascendente e Sérgio Conceição procurou tirar partido disso ao renovar a linha intermédia em dois minutos, trocando Danilo e Oliveira por Romário Baró e Uribe, num jogo em que então capitão dos dragões esteve manifestamente abaixo do nível habitual.

Numa reedição da final da Taça da Liga de 2012/13, que o Sp. Braga de José Peseiro venceu com um golo de Alan, as duas equipas voltavam a encontrar-se uma semana e um dia depois da derrota caseira dos dragões.

Nos descontos, quando ambos os treinadores já pareciam conformados com a inevitabilidade da decisão por grandes penalidades, Fransérgio rematou, a bola saiu prensada e sobrou para Ricardo Horta, que nas costas dos centrais rematou à saída de Diogo Costa. De forma fria e terrivelmente eficaz, o Sp. Braga derrotou o FC Porto pela segunda vez numa semana, conquistou a Taça da Liga e deu o primeiro título da carreira a Rúben Amorim, que se manteve invicto no comando dos minhotos.

2019/20, 15 de julho de 2020, Estádio do Dragão, 2-0

Não era a última jornada do Campeonato – mas bem que podia ter sido. Já na reta final de uma retoma dura e preenchida, em que o FC Porto acabou por tornar simples as contas do Campeonato tanto por mérito próprio como por demérito do Benfica, os dragões recebiam o Sporting e já só precisavam de um ponto para festejar, naquela noite, a conquista do título. Os leões, porém, ainda não tinham perdido desde que o futebol tinha recomeçado, tinham somado cinco vitórias nas sete partidas anteriores e não podiam escorregar e arriscar o terceiro lugar.

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Em comparação, e mesmo que a partida tenha acontecido há pouco tempo, o fim de uma temporada e o início de outra provocaram muitas mudanças nos onzes iniciais das duas equipas. Onzes que, exatos seis meses depois, já parecem agora distantes. Sérgio Conceição não tinha Sérgio Oliveira, que estava lesionado, e não tinha Corona e Uribe, ambos castigados por acumulação de amarelos: ou seja, colocava Loum na posição mais recuada do triângulo do meio-campo, Danilo a fazer companhia a Otávio na posição intermédia e Fábio Vieira, mais solto na direita, a ser o espelho do que Luis Díaz fazia no lado contrário no apoio a Marega. Na esquerda da defesa, é sempre preciso recordar, estava ainda Alex Telles.

Do outro lado, no onze inicial do Sporting, acabam por saltar à vista aqueles que já não estão ou já não jogam: Luís Maximiano, Ristovski e Wendel. Sem Acuña, que também estava castigado, Borja foi titular enquanto terceiro central e abriu espaço a Nuno Mendes, que nessa altura já era o dono do corredor esquerdo (do outro lado, porém, estava então Ristovski e não Pedro Porro). O atualmente indiscutível Luís Neto ficou no banco, com Eduardo Quaresma a ser titular, e Sporar foi o elemento mais destacado, com o apoio de Jovane e Plata. No banco, Amorim tinha ainda Battaglia, Doumbia e Francisco Geraldes, todos já fora do plantel, e Rafael Camacho, a atuar na equipa B dos leões.

Franciso Geraldes mexeu com o jogo quando entrou na segunda parte do Clássico de julho: mas o Sporting foi surpreendido pela eficácia do campeão nacional

AFP via Getty Images

O jogo arrancou a alta velocidade e com dois golos anulados, um a Nuno Mendes e outro a Luis Díaz, mas acabou por chegar ao intervalo sem mais oportunidades de golo e praticamente sem balizas, com muitos duelos individuais e grande disputa a meio-campo. No segundo tempo, o Sporting teve mais bola – principalmente depois da entrada de Francisco Geraldes – e o FC Porto jogou no erro do adversário: uma aposta que saiu bem a Sérgio Conceição. Danilo abriu o marcador de cabeça por volta da hora de jogo, Marega fechou as contas já nos descontos. Os dragões foram eficazes, frios e calculistas, como um campeão nacional deve ser, e conquistaram o título nessa noite. Quanto ao Sporting, sofreu a primeira derrota da retoma, viu Rúben Amorim sofrer a primeira derrota na Primeira Liga e abriu caminho para uma reta final complicada, em que empatou com o V. Setúbal, perdeu com o Benfica e deixou fugir o terceiro lugar para o Sp. Braga.

2020/21, 17 de outubro de 2020, Estádio José Alvalade, 2-2

A partida foi no início da época que está a decorrer e que ainda vai a meio mas, principalmente para o Sporting, parece já ter sido noutra realidade. A receção ao FC Porto, que aconteceu logo na primeira jornada e numa altura em que os leões ainda não tinham sofrido qualquer golo, surgiu numa fase em que Rúben Amorim ainda estava a explorar as possibilidades que tinha dentro do plantel – principalmente a nível ofensivo, já que no setor mais recuado o trio formado por Feddal, Neto e Coates já estava mais do que cimentado. Contra os dragões, Amorim apostou em Jovane como falso ‘9’, deixou Tiago Tomás e Sporar no banco e colocou Matheus Nunes ao lado de João Palhinha.

Pepe, um capitão em formato Benjamin Button que não consegue fazer tudo por todos (a crónica do Sporting-FC Porto)

Se Pedro Gonçalves e Nuno Santos já eram os eleitos para fazer companhia a Jovane no ataque, assim como Pedro Porro e Nuno Mendes já eram os responsáveis pelas alas, a verdade é que o primeiro Clássico da época apareceu na primeira vez em que João Mário foi convocado – ou seja, o internacional português não foi titular e só entrou numa fase já derradeira da partida. Além disso, o banco de suplentes contava ainda com Vietto e tinha em Bruno Tabata um reforço de verão que ainda não era propriamente opção.

Do outro lado, a principal diferença faz-se com um nome: Taremi. Sérgio Conceição apostou num onze que pode perfeitamente ser repetido quase na íntegra no próximo confronto com o Sporting, com Manafá e Zaidu nas laterais, Sérgio Oliveira e Uribe no meio-campo, com Otávio numa posição mais vagabunda atrás de Marega, e Corona na frente de ataque. Corona, porém, tinha a companhia de Luis Díaz, o colombiano que entretanto perdeu a titularidade para dar lugar a um desenho tático diferente e à entrada de Taremi na equipa. O iraniano, que entretanto se tornou titular indiscutível do FC Porto, dá mais liberdade a Marega, oferece linhas de passe a Corona e Otávio e beneficia do poderio do maliano, que arrasta defesas inteiras em corrida e deixa o colega de equipa praticamente solto.

A receção ao FC Porto, que aconteceu logo na primeira jornada e numa altura em que os leões ainda não tinham sofrido qualquer golo, surgiu numa fase em que Rúben Amorim ainda estava a explorar as possibilidades que tinha dentro do plantel.

Em outubro, o jogo terminou empatado: Nuno Santos abriu o marcador, Uribe empatou, Corona colocou o FC Porto a ganhar mesmo em cima do intervalo e Vietto, já depois de entrar, garantiu o ponto aos leões. Agora, três meses depois, as ideias de Rúben Amorim estão totalmente assimiladas por uma equipa que está na liderança do Campeonato; assim como a nova ideia de Sérgio Conceição, que passa pela inclusão de Taremi no onze, está a dar cada vez mais frutos na equipa que tem o objetivo de conquistar todos os troféus internos da época.

As mudanças no FC Porto, a complexidade tática do Benfica, os três centrais do Sporting

Um olhar rápido para os sistemas táticos das três equipas permite perceber que Sérgio Conceição e Jorge Jesus coincidem no modelo, o 4x4x2, e que Rúben Amorim é a exceção à regra, apostando numa espécie de 3x4x3 que já tinha apresentado no Sp. Braga. Ainda assim, FC Porto e Benfica não são iguais. Os dragões jogam assumidamente com dois elementos destacados na frente, Marega e Taremi, enquanto que os encarnados têm um ‘9’ claro, Darwin, e colocam um ’10’ com muita liberdade nas costas do uruguaio, normalmente Waldschmidt. Além disso, Conceição aposta recorrentemente num papel mais central de Otávio, que funciona como vértice de um triângulo que forma com Uribe e Sérgio Oliveira no meio campo; Jesus, por sua vez, tem um ‘6’ e um ‘8’ quase fixos. Como explica ao Observador o treinador Carlos Alberto Diniz.

“O FC Porto joga com quatro defesas. Tem um médio, normalmente o Uribe, que joga com as compensações defensivas, preocupa-se com os equilíbrios, apesar de algumas vezes também subir. O Sérgio Oliveira faz mais a ligação com o ataque, tem maior mobilidade, está com uma dimensão grande e tem essa capacidade. Tem jogado com dois pontas de lança, jogadores muito fortes e poderosos que conseguem combinar bem. Quem normalmente joga como extremo, na verdade, são os laterais – daí a importância de um jogador de meio-campo que faça as coberturas defensivas. Os extremos, na verdade, jogam como interiores. Não assumem o papel explosivo de um extremo e jogam com alguma mobilidade, entrando até na zona do ponta de lança”, afirma Diniz, que lembra que as alterações que Sérgio Conceição tem feito ao onze, principalmente com a entrada de Taremi, não mudaram o “princípio de jogo” nem a “forma de estar” da equipa. “No aspeto defensivo, é uma equipa que quando perde a bola é muito agressiva e tenta recuperar o mais depressa possível. Quando está a ganhar, é mais pragmática. Abdica dessa agressividade e junta mais a equipa, em termos defensivos. Tenta controlar de outra forma, sem ser tão agressiva. Recua mais no campo e tenta gerir o jogo de forma mais posicional”, indica o treinador, que acrescenta que um dos problemas do Benfica tem sido a complexidade dos processos.

Taremi, reforço de inverno do FC Porto, é agora titular absoluto no sistema montado por Sérgio Conceição

Jose Manuel Alvarez/Quality Sport Images/Getty Images

“Teoricamente, o Benfica joga de forma parecida ao FC Porto, mas só em termos posicionais. Não joga com dois pontas de lança, joga sempre com um avançado e um ’10’ por trás que faz a ligação com o outro médio. Os extremos também jogam muitas vezes por dentro, os laterais também sobrem com alguma frequência. Mas é um jogo mais elaborado. Não é tão objetivo, não é tão agressivo a chegar à baliza. Tem mais combinações, principalmente pelo corredor central. É um jogo muito mais elaborado no aspeto técnico-tático e isso tem dificultado a intensidade do jogo e a criatividade dos jogadores no último terço”, acrescenta Carlos Alberto Diniz.

Sobre o Sporting, o treinador acredita que o sistema de três centrais de Rúben Amorim pode funcionar melhor contra uma equipa que só joga com um avançado na frente, porque um defesa fica tendencialmente solto – ou seja, que os leões podem encaixar melhor com o Benfica do que o FC Porto. “Hoje em dia, não há quase marcações individuais, só marcações à zona. Os jogadores defendem na zona preferencial. Obviamente que o Sporting, se considerarmos as coisas muito estanques, quando as equipas não jogam com dois avançados, sobra quase sempre um defesa. Como só joga com um médio e os laterais são mesmo ofensivos, há sempre a possibilidade de criar alguns desequilíbrios. Quem vem de trás, se tiver capacidade criativa, consegue sempre alguns desequilíbrios. Mas os confrontos individuais serão sempre decisivos”, termina Diniz.

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