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Debate realizou-se esta quinta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian
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Debate realizou-se esta quinta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

Debate realizou-se esta quinta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

"Vago" e "circular". Os jovens que assistiram ao debate da "Eurovisão" não ficaram impressionados

Juntos para ver o último debate europeu com candidatos a presidente da Comissão, jovens elogiaram Verdes e Liberais, mas criticaram falta de profundidade. E também se lamentou a ausência do tema Gaza.

Na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a sala estava longe de estar cheia esta quinta-feira. Cerca de 30 jovens acompanharam o debate que punha em confronto os candidatos de cinco grupos políticos a presidente da Comissão para estas eleições europeias. Ao longo de quase duras horas, numa tela branca ao lado de uma grande janela com vista para o jardim, era projetado o evento chamado Eurovision Debate, um nome semelhante ao festival de música que ocorre anualmente.

No final do debate, os jovens que assistiram ao debate e que falaram com o Observador concordavam num ponto: os temas tinham sido tratados de forma superficial. “Não aprofundaram de uma maneira que nós gostávamos que tivessem aprofundado”, desabafa Miguel Sousa, que vai votar pela primeira vez nas eleições europeias do dia 9 de junho, tal como os restantes jovens entrevistados pelo Observador.

A estrutura do Eurovision Debate talvez não tenha ajudado. Houve seis temas em debate (clima, defesa, democracia, economia, inovação e migrações) e cada candidato tinha apenas um minuto para falar sobre cada temática. As perguntas eram feitas de duas maneiras: ou à distância, de nove capitais europeias — desde Atenas a Vilnius —, ou por jovens presentes no Parlamento Europeu em Bruxelas, que foi transformado em estúdio televisivo e foi o local escolhido para se realizar o debate.

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

Num debate que excluiu a família política dos Conservadores e Reformistas Europeus (ECR) e a do Identidade e Democracia (ID), por se recusarem a indicarem um Spitzenkandidat, os cinco participantes foram: Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia e representante do Partido Popular Europeu (PPE); Nicolas Schmit, comissário europeu do Emprego e Direitos Sociais e representante da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D); Sandro Gozi, eurodeputado dos liberais do Renew Europe; Terry Reintke, eurodeputada dos Verdes; e Walter Baier, rosto da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde (GUE/NGL).

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[Já saiu o segundo episódio de “Matar o Papa”, o novo podcast Plus do Observador que recua a 1982 para contar a história da tentativa de assassinato de João Paulo II em Fátima por um padre conservador espanhol. Ouça aqui o primeiro episódio.]

Os jovens que conversaram com o Observador elogiaram o bom desempenho da candidata dos Verdes, assim como o dos Liberais. “Acho que eram os candidatos mais bem preparados, os únicos com uma visão de futuro para a Europa”, diz Dinis de Oliveira Fernandes, que admite que vai votar no Livre, do grupo político dos Verdes.

Mesmo assim, nem sempre aquele candidato em que vão votar em Portugal é considerado o melhor. Ao Observador, Martim Cardoso dos Santos, aluno do primeiro ano de Ciência Política e Relações Internacionais, dizia estar inclinado a votar no grupo político de Ursula von der Leyen, representado em Portugal pela Aliança Democrática. Porém, durante o debate, o universitário considera que quem teve um melhor desempenho foi o socialista Nicolas Schmit — ainda que não concorde “com todas as suas ideias e valores”. Mas, perante o que viu, reconheceu que a presidente da Comissão Europeia foi uma das “perdedoras”.

Martim Cardoso dos Santos considera que o socialista Nicolas Schmit esteve melhor, mas continua convicto que votará no candidato da AD

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

A ausência de Gaza (que indignou alguns) e a falta de profundidade dos temas. “Falaram de tudo, mas acabaram por não falar de nada”

Durante o debate, o tópico da Defesa foi um dos que aqueceu mais os ânimos com trocas de acusações entre os candidatos. Isto apesar de verdes, liberais, populares e socialistas defenderem um apoio contínuo à Ucrânia. O único grupo político que destoou foi a Esquerda Unitária: ressalva que quer ver uma “Ucrânia soberana”, mas considera que se têm de se encetar negociações com a Rússia. Neste contexto, a possível aliança da presidente da Comissão Europeia com o grupo dos conservadores e reformistas — que alguns consideram mais próximos da Rússia — serviu como arma de arremesso pelos seus adversários.

No entender de Martim Cardoso dos Santos, este foi o tema que dominou o debate, notando que “numa altura em que um Estado, mesmo não pertencente à União Europeia, está a ser invadido pela Rússia, é importante manter um sentido de união que a Europa se una e trabalhe em conjunto”, notou o futuro eleitor da AD.

Já para Dinis de Oliveira Fernandes, simpatizante do Livre, haver discussão em torno do tema da Ucrânia é sempre “bom”, mas o jovem indigna-se por a guerra na Faixa de Gaza não ter sido abordada por praticamente nenhum dos membros do painel. Apenas Walter Baier falou sobre o assunto, tal como Ursula von der Leyen, que foi questionada sobre se não tinha sido “demasiado rápida” a dar a mão a Israel.

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Os cinco candidatos do debate: Ursula von der Leyen (PPE), Nicolas Schmit (S&D), Terry Reintke (Verdes), Sandro Gozi (liberais do Renew) e Walter Baier (Esquerda Unitária)

BELGA MAG/AFP via Getty Images

“Podiam, deviam ter falado da Palestina. É assunto na ordem do dia”, vinca, sabendo de cor que, no dia anterior, “a Irlanda, Espanha e a Noruega reconheceram o Estado da Palestina como um Estado independente”. “É um tema para se debater e foi um tema que não se debateu”, lamenta.

Para além dos temas em falta, uma crítica quase em uníssono foi que o debate se tornou “muito vago” e não satisfez muitas das as dúvidas daqueles que assistiram na Fundação Calouste Gulbenkian. Inês Sousa até começa por elogiar a dinâmica do primeiro segmento do debate — economia e trabalho —, mas lamenta que não tenha havido uma “abordagem profunda”: “Todos, no final, tinham uma única abordagem, que era fazer crescer a Europa. Ponto final. Não tivemos respostas concretas. Não tivemos legislações dentro de cada partido abordadas e direcionadas para cada tema como deve ser. E é isso que nos falta”.

Ao lado de Inês Sousa no final do debate, Miguel Sousa concordou com esta visão: “Acho que eles acabaram por falar de tudo, mas acabaram por não falar de nada. Focaram-se em todos os temas, mas não aprofundaram. E eu acho que não é o que as pessoas querem, elas querem é que se aprofundem os temas”.

Dinis de Oliveira Fernandes, Inês Sousa e Miguel Sousa viram o debate e consideram-no "vago"

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

“O meu voto ficou no mesmo lugar”. Um debate que fez poucos mudarem de ideias

A dinâmica do debate foi “circular”, definiu Inês Sousa, o que deixou grandes dúvidas sobre quem tinha tido uma prestação melhor. A estudante de mestrado reconheceu que os que tiveram mais destaque foi o candidato do Renew e a dos Verdes. Apesar do discurso “claro e conciso”, deixaram um pouco a “desejar na constatação dos factos”.

Este debate “não alterou”, portanto, o seu sentido de voto. “Se nós tivermos as ideias claras desde o início, o melhor que temos a fazer é ver de que forma é que os nossos partidos estão a influenciar ou pretendem influenciar a União Europeia. O meu voto ficou no mesmo lugar. Apenas fiz uma análise mais profunda e vi as ideias dos outros partidos”, diz a estudante, que preferiu não revelar quem vai apoiar a 9 de junho.

Se bem que tenha apontado a candidata dos Verdes como a que “esteve melhor”, Miguel Sousa também que não mudou de opinião após as duas horas de debate, que não foi “nada decisor”. Por sua vez, Martim Cardoso dos Santos reconhece que seria difícil mudar o sentido de voto. “Nunca aconteceu, em nenhuma eleição, o meu voto mudar após as eleições“, assinala.

"Se nós tivermos as ideias claras desde o início, o melhor que temos a fazer é ver de que forma é que os nossos partidos estão a influenciar ou pretendem influenciar a União Europeia. O meu voto ficou no mesmo lugar. Apenas fiz uma análise mais profunda e vi as ideias dos outros partidos"
Inês Sousa, estudante

Em contrapartida, este debate foi bastante esclarecedor para Dinis de Oliveira Fernandes. “Eu acho que me fez decidir em quem é que vou votar. Eu acho que a candidata mais preparada de todos é a dos Verdes, por isso vou votar num partido português que faz parte dos Verdes, o Livre. Não vou votar nem nos socialistas, nem na esquerda europeia”, assume.

Dinis de Oliveira Fernandes admite que até podia votar em partidos próximos ideologicamente do Livre, mas não se identifica nem com os “candidatos portugueses” (Marta Temido do PS, Catarina Martins do Bloco de Esquerda e João Oliveira da CDU), nem com os candidatos a presidente da Comissão Europeia.

Jovens vão votar nestas eleições? Há quem esteja otimista: sim, “mesmo que votem em branco ou nulo”

Estas europeias marcarão os jovens com quem o Observador falou após o debate, uma vez que são as primeiras eleições para definir a composição do Parlamento Europeu em que votam. E não só por isso.

Europeias vão ser "muito importantes", consideram os jovens

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

“Acho que é as minhas primeiras eleições europeias que eu vou votar e sem dúvida que, tendo em conta as anteriores, esta se calhar vai ser das mais importantes”, salienta Miguel Sousa, que lembra os principais “problemas que a Europa vive”: “A questão da habitação, de imigração, de direitos humanos e do crescimento da extrema-direita”. “Portanto, sem dúvida, que estas eleições vão ser muito importantes.”

Por sua vez, Martim Cardoso dos Santos mostra-se confiante de que os jovens estão mais “propensos” para ir votar, mesmo que até votem em branco ou nulo. “Vejo as pessoas mais dispostas a ir votar e tenho sentido mais otimismo. Os jovens estão a trabalhar em conjunto”, remata.

 
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