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Na manhã de 25 de novembro de 1970, Yukio Mishima saiu para a varanda do comando ocidental do exército japonês em Tóquio para se dirigir às tropas que se tinham reunido em frente ao edifício. Mishima tinha tomado conta do escritório do comandante, o general Kanetoshi Mashita, com a ajuda de um grupo de jovens membros da Tatenokai, um grupo nacionalista dedicado a defender os valores tradicionais japoneses e a venerar o imperador que tinha fundado dois anos antes. Declarando que o Japão estava dominado pelo “vazio espiritual”, o escritor atacou a constituição “sem espinha” do pós-guerra, que impedia o rearmamento do país, e apelou à revolução. “É possível que valorizem a vida num mundo onde o espírito morreu?”, perguntou aos soldados. Ignorado pela multidão, desistiu passados sete minutos. Entrou, sentou-se no chão e cravou uma espada no abdómen.

A sua morte foi noticiada ainda nesse dia. De acordo com Damian Flanagan, o seu nome, repetido na rádio e na televisão, levou a que muitos pensassem que tinha finalmente ganho o Prémio Nobel, para o qual tinha sido nomeado várias vezes. A realidade era outra. O Asahi Shimbun reproduziu, na sua edição da noite, uma fotografia da cabeça de Mishima, que tinha sido separada do seu corpo por um dos seus colaboradores, responsável por completar o ritual de suicídio seppuku. Naquele dia, o jornal bateu o recorde de vendas (que se mantém até hoje). O seu suicídio tornou-se motivo de todas as discussões, ao mesmo tempo que a sua mensagem caía no esquecimento. Mishima tinha falhado.

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