Explicador

Factos, dúvidas e contradições do caso Sócrates

Fevereiro 201509 Fevereiro 2015383
Hugo Tavares da SilvaSónia Simões

Como e quando começou a investigação?

Pergunta 1 de 17

A primeira resposta a esta perguntou chegou oficialmente através do Ministério Público e dava conta de que o ex-primeiro-ministro começou a ser investigado ainda em 2012, depois de uma comunicação suspeita feita por um banco. Soube-se mais tarde que em causa estaria um movimento de 600 mil euros na Caixa Geral de Depósitos resultante de um pagamento de Carlos Santos Silva à mãe de José Sócrates pela compra do seu apartamento na Rua Castilho, em Lisboa (no mesmo edifício onde Sócrates ainda detém um apartamento). Parte do valor depositado na conta de Maria Adelaide Monteiro terá sido, depois, transferido para José Sócrates.

Um ano antes, Santos Silva tinha comprado outros dois apartamentos de Maria Adelaide Monteiro, mas de valores inferiores: 100 mil e 75 mil euros, segundo noticiou a revista Sábado a 27 de novembro. Na altura, em 2011, Santos Silva estava já a ser investigado no âmbito de um outro processo por suspeitas de “ocultar património e rendimentos de terceiros”. A informação consta de um despacho do juiz Carlos Alexandre, no processo em que Sócrates é arguido, que faz remissão para o processo – em que se suspeita que Santos Silva teria ligações a “pessoas coletivas e singulares beneficiárias de esquemas de circulação de fundos com contas na Suíça”.

As escutas telefónicas a Sócrates só terão começado, porém, um ano depois, em 2013. Quando a investigação começou a dar os primeiros passos. Foram 330 dias de escutas em que os investigadores marcaram, sobretudo, as conversas com o seu amigo de infância Carlos Santos Silva.

Em maio de 2014 a revista Sábado e o Jornal Correio da Manhã davam conta que Sócrates estaria a ser investigado por causa do apartamento onde vivia em Paris, que foi comprado por Santos Silva. Na altura a Procuradoria-Geral da República negou, em comunicado, a investigação. Soube-se depois que a detenção de Sócrates tinha sido adiada por causa das eleições europeias. O Ministério Público não quis que os resultados fossem comprometidos, influenciados por um caso de polícia. A detenção chegou a ser pensada para julho, mas foi depois empurrada para novembro.

Por esta altura, avançou já o Correio da Manhã, Sócrates sabia que estava a ser investigado. Há uma escuta, feita ainda antes de a comunicação social levantar o véu sobre a investigação, que apanha o então administrador da Lusa, Afonso Camões, a advertir Sócrates da investigação. Ainda assim, a 30 de julho, Sócrates fez questão de desmentir a notícia da Sábado durante o seu comentário semanal na RTP, considerando-a uma “infâmia” e uma “verdadeira canalhice”.

O caso veio a confirmar-se em novembro, com a sua detenção.

Um dia antes de ser efetivamente detido, porém, o ex-primeiro-ministro ainda mandou retirar algumas provas de casa, nomeadamente computadores. Segundo o próprio ex-governante, numa entrevista à SIC, nesse dia – o mesmo em que os restantes arguidos no processo foram detidos – foram feitas buscas à casa do seu filho. Também buscas a uma casa da sua ex-mulher.

Face às movimentações em Lisboa, o advogado de Sócrates, João Araújo, foi de imediato ter com o ex-ministro – que se encontrava em Paris.

Foi de Paris que foi enviado um e-mail ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal dando conta de que Sócrates estaria disposto a prestar todos os esclarecimentos necessários. Foi por causa desta reunião que Sócrates terá adiado a viagem de regresso a Lisboa, segundo o seu argumento. No dia seguinte, porém, acabou por ser detido mal chegava ao aeroporto de Lisboa.

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