A arbitragem portuguesa tem estado no olho do furacão nas últimas semanas. FC Porto, Benfica e Sp. Braga, principalmente, têm tecido duras críticas aos árbitros da Primeira Liga, entre alegados erros relacionados com cartões vermelhos mal mostrados, foras de jogo mal assinalados e grandes penalidades que ficaram por marcar.

A mais recente corrente de indignação começou com o cartão amarelo mostrado a João Palhinha no jogo do Sporting contra o Boavista, que teoricamente o deixaria de fora do dérbi com o Benfica na jornada seguinte. Fábio Veríssimo assumiu que o amarelo foi mal mostrado, facto que trouxe críticas do Sporting; um tribunal civil suspendeu o castigo do médio português, que jogou mesmo contra o Benfica, facto que trouxe críticas dos encarnados.

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Depois, o FC Porto — que se queixou de um penálti por assinalar e de um vermelho por mostrar contra o Belenenses SAD, de um segundo amarelo mal mostrado a Corona no jogo contra o Sp. Braga e da expulsão errada de Luis Díaz no encontro com os minhotos para a Taça de Portugal. A seguir, o próprio Sp. Braga, que emitiu um comunicado a realçar os foras de jogo mal tirados a Ricardo Horta contra o FC Porto e o Moreirense. E, por fim, o Benfica, que na última newsletter deixou três questões sobre a arbitragem da partida com o Moreirense, sublinhando principalmente dois penáltis que terão ficado por assinalar.

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Ora, tudo isto, engrossado pelas ameaças de morte ao árbitro Luís Godinho (que dirigiu a partida entre FC Porto e Sp. Braga para a Taça) e as frases deixadas nas paredes da sede da Liga Portugal no Porto, leva-nos a uma publicação de Facebook datada do dia 14 de fevereiro, passado domingo. “Espanha e França pedem à FIFA que não querem árbitros portugueses nos jogos europeus nem nas seleções. A que ponto chegou a arbitragem em Portugal”, lia-se no post de um utilizador da rede social, sem citar qualquer fonte ou origem.

De acordo com o Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, Portugal começou 2021 com 36 árbitros internacionais: a única alteração à lista do ano anterior foi a entrada de Iancu Vasilica para o lugar de Jorge Sousa, que terminou a carreira. Cinco dos 36 estão aptos a desempenhar as funções de VAR internacionalmente (Artur Soares Dias, Tiago Martins, João Pinheiro, Hugo Miguel e Luís Godinho) e oito são mulheres, que atualmente arbitram as competições de futebol feminino.

À parte isto, nem Espanha nem França — nem qualquer outro país — pediram oficialmente à FIFA ou a qualquer outra organização que os árbitros portugueses não sejam nomeados para as competições europeias ou para os compromissos das seleções nacionais. A existir um pedido nos termos descritos pela publicação, essa informação seria tornada pública pela própria UEFA e por qualquer das federações que tivessem apresentado essa exigência.

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O caráter falso da publicação foi confirmado ao Observador por Luciano Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol. “Efetivamente, é falso. Completamente falso. Aliás, temos árbitros que vão estar esta semana a atuar em jogos da Liga Europa. É completamente falso. Temos dois árbitros que vão desempenhar a função de VAR na Liga Europa [Hugo Miguel e Luís Godinho, no Young Boys-Bayer Leverkusen desta quinta-feira]. Não tem nada de verdadeiro”, garantiu.

A publicação conta ainda com outra imprecisão: um pedido deste género, a existir e a debruçar-se sobre as competições europeias ou os jogos das seleções a contar para o Europeu e respetiva qualificação, seria feito à UEFA, a organização que regula o futebol europeu, e não à FIFA, a organização que regula o futebol mundial. Nas primeiras 24 horas, a publicação foi partilhada 442 vezes e teve quase 18 mil visualizações.

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Conclusão

Falso. Não foi feito qualquer pedido por parte das Federações de futebol francesas ou espanholas no sentido de impedir que árbitros portugueses sejam nomeados para jogos das competições europeias ou das seleções nacionais.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook

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